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Cidades quase sustentáveis

Desenvolvimento sustentável. Conceito difícil de escutar de barriga vazia

A limitação dos recursos naturais leva a uma preocupação crescente para com o ambiente e a sua preservação. Surge assim o princípio da sustentabilidade segundo o qual a sua utilização para a satisfação das necessidades da geração actual não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras. Ou seja, a obrigatoriedade de uma visão de longo prazo na gestão dos recursos naturais.

 

Assim, tendo em vista o desenvolvimento sustentável, preconizado pela Conferencia do Rio (1992) e a sua aplicação à gestão territorial, leva ao aparecimento do conceito de ‘Cidade Sustentável’. Na verdade, nos últimos anos, as cidades têm vindo a tornar-se um alvo de atenção dos urbanistas, ambientalistas e população, que procuram devolver-lhe e/ou melhorar as suas condições de habitabilidade. Não são mais consideradas como meros amontoado de prédios e de pessoas, mas num sistema complexo que permite a vida de milhões de pessoas no seu espaço.

A qualidade de vida passou a ser um dos principais objectivos das cidades modernas, reflectida nas políticas públicas mas que nem sempre alcançam satisfatoriamente os seus propósitos. Para a gestão de uma Cidade Sustentável tornam-se pois necessárias políticas, meios e instrumentos de gestão urbana abrangentes, orientados para a sustentabilidade e alicerçados numa participação activa da sociedade. De outra forma, o seu desenvolvimento irá tornar insuportável a vida dos cidadãos e fomentar o agravamento da desertificação dos centros urbanos, levando a um aumento da insegurança e a consequente redução da atractividade ao investimento. Não será por isso de estranhar que este seja também um conceito muito importante a ter em conta no desenvolvimento da Marca Cidade e na sua capacidade de atracção e retenção de pessoas e/ou investimentos.

No entanto, apesar de ser sempre um objectivo a atingir no médio e longo prazo, nem sempre a sustentabilidade deverá liderar o processo de desenvolvimento de um território sob pena de o tornar impossível de realizar. Isto porque, qualquer plano deverá, em primeiro lugar, ter em conta as necessidades das suas populações pois estas são a parte mais importante na produção do ‘produto’ cidade. Ou seja, não se podem desenvolver políticas para alcançar a sustentabilidade sem que estas, para além de ter em conta as necessidades das futuras gerações, também observem as necessidades da actual geração.

Actualmente, variadas regiões do globo – algumas mesmo na Europa –, sofrem de atrasos significativos e não possuem recursos suficientes para fazer face às necessidades mais elementares da sua população. Atendendo à base da hierarquia de necessidades de Maslow – normalmente conhecida por Pirâmide de Maslow­ –, esta é constituída pelas necessidades mais elementares como a fome, sede ou abrigo. De igual forma preconiza que os níveis superiores só poderão ser alcançados, quando satisfeitas as necessidades dos patamares inferiores.

Assim, torna-se imperativo um maior cuidado e flexibilidade das políticas de sustentabilidade, ou mesmo que o conceito de “Cidade Sustentável” seja colocado em segundo plano no desenvolvimento das regiões mais desfavorecidas. Pelo menos até que estas regiões consigam atingir um nível que lhes permita satisfazer as necessidades básicas da sua população. Torna-se por isso importante ter atenção a radicalismos pois este é um conceito difícil (se não impossível) de ‘digerir’ de barriga vazia.

 

Paulo Henrique Moreira

Consultoria estratégica de marketing organizacional e City Marketing e City Branding


Mestre em Marketing, MBA e Licenciado em relações Internacionais. Com vasta experiencia em Marketing e Comunicação, desenvolveu a sua actividade profissional em contexto nacional e internacional.

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