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TV local como mecanismo de inscrição : Estudo Porto Canal

Na sequência do anterior artigo (TV local como mecanismo de “inscrição”, Maio 2011), sobre a reflexão do fenómeno das Tvs Locais,seguem-se os resultados obtidos da investigação sobre a segmentação e mercado do Porto Canal.[i]

A construção do questionário foi dividida em duas partes.

    • A primeira consistiu numa escolha dos itens sócio demográficos relevantes para uma posterior segmentação dos inquiridos e também na escolha de uma série de itens relacionados com a imagem que o Porto Canal projecta na população.
    • A segunda parte, consistiu em escolher dois canais de televisão concorrentes com o Porto Canal e a definição de uma série de atributos que quando associados à marca, vão proporcionar a segmentação dos consumidores e desta forma produzir mapas perceptuais dos pontos fortes e fracos de cada canal televisivo.

Análise das variáveis socio-demográficas

Variável   Número Percentagem
Género      
  Feminino 229 52,6%
  Masculino 206 47,4%
       
Faixa etária      
  15 a 24 anos 174 40,1%
  25 a 44 anos 126 29,0%
  45 a 64 anos 96 22,1%
  65 ou mais anos 38 8,8%
       
Estado Civil      
  Solteiro 222 51,2%
  Casado 168 38,7%
  Divorciado 19 4,4%
  Viúvo 21 4,8%
  União de facto 3 0,7%
  Separado 1 0,2%
       
Situação Profissional      
  Estudante 145 34,3%
  Empregado 201 47,5%
  Desempregado 31 7,3%
  Reformado 46 10,9%
       
Área Geográfica      
  Porto 76 17,5%
  V.N.Gaia 82 18,9%
  Matosinhos 22 5,1%
  Maia 63 14,5%
  Gondomar 30 6,9%
  Valongo 33 7,6%
  Braga 35 8,0%
  Guimarães 34 7,8%
  Vila do Conde 12 2,8%
  Paços de Ferreira 24 5,5%
  Póvoa do Varzim 24 5,50%
       
Habilitações/Escolaridade      
  Até ao 9º ano 122 28,20%
  9º ao 12º ano 193 44,60%
  Licenciatura 94 21,70%
  Mestrado 15 3,50%
  Doutoramento 9 2,10%
       
Horas de televisão

 

por dia

     
  Média 2,7  
  Desvio-padrão 1,8  
  Mediana 2  
  Mínimo 0,25  
  Máximo 12  
       

Desde as conclusões da Comissão de Reflexão sobre o Futuro da Televisão, que a sustentabilidade destes projectos é discutida.

Ao abrigo da alegação económica se atribuiu à carência de mercado publicitário e à não existência de regiões, e ainda a imediação com os poderes locais e regionais, o não surgimento destes fenómenos de forma expressiva em Portugal.

Mas serão estes considerandos válidos no quadro actual da comunicação? Um ponto onde se encontram os particularismos e as identidades singulares num mesmo espaço coexistente com o nivelamento global e onde circundam os motes de uma nova democracia oriunda da interactividade?

Genericamente, a experiência tem evidenciado que os canais locais podem ser competitivos no mercado pela procura/oferta de conteúdos locais.

O sustentáculo deste sucesso parece advir do compromisso com as questões tradicionais e tipicamente locais.

Com uma história muito recente, o Porto Canal resiste à incredulidade que tem acompanhado a história dos meios locais na cidade do Porto e região Norte.

A estação não tem vocação regional em efectivo para já, mas tem importância local: é reconhecida a nível da AMP pelo contacto nas ruas e pela participação popular em fóruns e debates e nas zonas supramencionadas, que são Vila Nova de Gaia, Porto, Maia, Braga, Guimarães, Valongo e Gondomar.

Igualmente se registam valores significativos na Póvoa do Varzim e Paços de Ferreira. Estes dados, são relevantes para a estratégia de alargamento regional pretendida pelo Porto Canal e também de ilustração de tendências de fidelização local e georeferenciação.

A programação (que não incluímos neste artigo) tem uma preocupação local e uma perspectiva também local mas faltava a criação de espaços de real permuta, no que respeita à geração de opinião e massa crítica, capaz de gerar linhas de força activas em prol da consciência local. Não obstante, são indicadores positivos os resultados referentes à expressão local do canal. Os valores e missão do canal são subjacentes à proximidade com a vizinhança e a comunidade; não teria sentido apresentar conteúdos que não constituíssem uma mais valia para este objectivo que de facto, fundam o sentido e existência da estação, ou seja, o seu cariz genético.

Em relação à categorização da audiência e perfil do espectador, observamos nos dados auditados, que o nível da escolaridade obrigatória abarca a maior percentagem: do 9º ao 12º ano apura-se um valor de 44,60% nas pessoas entrevistadas.

Em relação ao estado civil, um dado interessante que confirma as faixas mais jovens observadas e associadas ao canal.

Cremos que o projecto se encontra em construção e reconhecemos nele pontos positivos a continuar a desenvolver ou aprimorar, até no sentido da mobilização da cidadania e uso dos meios para desenvolver a literacia enquanto “capacidade de cada indivíduo compreender e usar a informação (…), de modo a atingir os seus objectivos, a desenvolver os seus próprios conhecimentos e potencialidades e a participar activamente na sociedade.”[ii]

A ligação com o Futebol Clube do Porto parece anunciar novidades.

Este facto, é objecto de estudo da nossa investigação actual, a qual se encontra em conclusão. (Cont.)


[i] O tratamento estatístico dos dados resulta  da colaboração do Gabinete de Estudos e Planeamento do ISMAI na pessoa do  Doutor Amadeu Sousa Fernandes. Dados recolhidos entre Setembro e Dezembro de 2010.

 

[ii] Em linha: http://literaciadainformacao.web.simplesnet.pt/Literacia_da_informacao.htm (27-2-11)

 

Cristina Tereza Rebelo

Investigadora do CEL-CELCC com artigos publicados nas áreas da comunicação, TV local e marketing.

Doutorada em Comunicação pela Universidade de Vigo.


Professora Auxiliar do ISMAI.

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