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A urgência de literacia mediática

 

O rápido desenvolvimento e crescente disseminação dos meios de comunicação, resulta num aumento de especialidades no território de trabalho do espaço da comunicação. A cultura multimediática cria novos questionamentos pela visível dependência crescente da informação, a qual pela própria disseminação incontrolável, exige qualificações interpretativas, críticas e de análise. A "thumb generation" está hoje ligada à televisão, internet, redes sociais e telemóveis num processo interativo imparável, relançando novos desafios e uma nova aproximação ao debate sobre a Educação para os Media.

 

A aquisição de competências em Educação e Literacia mediática corresponde a uma preocupação constante da Unesco e União Europeia há mais de meio século, as quais reconhecem o importante papel desta formação, no exercício da inclusão e cidadania na sociedade de informação atual. A aprendizagem dos média no seu papel de formador de mentalidades e de fator inclusivo na sociedade, tem vindo a ser acompanhado de recomendações para o envolvimento da disciplina de Educação para os Media a nível escolar e universitário, como elemento de aprendizagem ao longo da vida. Sublinhamos a Recomendação 2009/625/CE da Comissão (20 de agosto) e a Diretiva 2007/65/CE (11 de dezembro da vida" datada de 2010. Fruto das Declarações, Recomendações e Diretivas Europeias, o Ministério da Educação e da Ciência em Portugal, através do Conselho Nacional de Educação, emitiu em Diário da República de 30 de Dezembro de 2011, a Recomendação nº 7/2011 sobre Educação para a Literacia Mediática. Nesta Recomendação podem destacar-se os seguintes tópicos:

1-      "Que se promova a Literacia Mediática entendida como um conjunto de saberes e capacidades relativos às três dimensões de acesso, compreensão crítica e utilização criativa responsável";

2-      " Que se garanta a formação (técnica e pedagógica) de professores, (...) e outros agentes (...) estudando-se as possibilidades de prossecução das atividades de formação (...) entre outras medidas formativas indispensáveis;"

3 — "Que se proceda à inserção organizacional e curricular da Educação para a Literacia Mediática na Educação para a Cidadania, através de aprendizagens transversais (competências processuais) em todas as disciplinas e de aprendizagens específicas, a trabalhar em disciplinas e nas Áreas Curriculares Não Disciplinares apropriadas (Formação Cívica); "

4 — "Que se fomentem as oportunidades de aprendizagem extra-curricular de Educação para a Literacia Mediática;"

Já em 1998, o CNE aprovou um Parecer sobre o Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal, mas também uma reflexão mais aprofundada sobre as implicações e as possibilidades pedagógicas proporcionadas pelas TIC. Afirma -se mesmo:

"Não se deve começar pelos computadores, mas antes com uma teoria do desenvolvimento cognitivo e com um método pedagógico que derive da teoria. Só então deverão os computadores entrar em equação" [...] Os meios de comunicação modernos não podem obter o seu pleno rendimento, a menos que seja operada uma profunda transformação dos conteúdos e dos modos de ensinar".

Tentando cumprir alguns destes pressupostos, pensamos que a formação assume um cariz inovador e necessariamente libertador do estímulo da compreensão da leitura dos média. Ao reconhecer-se a presença destes na vida dos cidadãos e a urgência da compreensão crítica da comunicação, torna-se pertinente a criação de uma sensibilização especializada na formação dos cidadãos e de profissionais com conhecimentos do contexto mediático, fomentando a criatividade e o espírito empreendedor e reflexivo sobre os media. Nesta medida, almeja-se o desenvolvimento das capacidades e competências mediáticas e a condução de ações educativas para os média e novas tecnologias, ao mesmo tempo que se estimule o espertar para a produção de conteúdos mediáticos de qualidade conjugando conhecimento- habilidade- atitude.

 

Cristina Tereza Rebelo

Investigadora do CEL-CELCC com artigos publicados nas áreas da comunicação, TV local e marketing.

Doutorada em Comunicação pela Universidade de Vigo.


Professora Auxiliar do ISMAI.

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