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Cristina Tereza Rebelo

Cristina Tereza Rebelo

Investigadora do CEL-CELCC com artigos publicados nas áreas da comunicação, TV local e marketing.

Doutorada em Comunicação pela Universidade de Vigo.


Professora Auxiliar do ISMAI.

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A era do jornalismo pós moderno : o espaço e o tempo 2

 

A era do jornalismo pós moderno: o espaço e o tempo (2)

 

Sem dúvida que o jornalismo é uma das profissões que mais se modificou graças às novas tecnologias.

Segundo o estudo de João Canavilhas (Canavilhas:2005), os processadores de texto, os programas de tratamento digital de fotografias, folhas de cálculo, edição de imagem e som, edição HTML e edição de vídeo e eletrónica são as utilizações mais frequentes que os jornalistas inquiridos fazem do computador.

Nesta ótica, e embora nas universidades o compromisso com as novas tecnologias tenha sido crescente, torna-se necessário dotar os profissionais das habilidades e competências que radiquem também na criatividade e compreensão desta nova linguagem e não apenas na composição de conteúdos , até porque os jornais on line na realidade, competem com outros sites. De igual modo, a gestão destas ferramentas será sempre necessária dado que a notícia obedece a critérios de credibilidade e fiabilidade; de facto, a grande rapidez de acesso à informação “infinita” na Internet arrasta consigo um reverso: a também necessária velocidade na atualização da mesma informação ainda mais quando se trata de jornalismo. Isto poderá significar que à urgência no imediatismo e actualização poderá associar-se um desempenho menos profissional  ajustado à velocidade do mundo virtual.

Por outro lado, o leitor.

Este é o dono do caminho para aceder à informação.

O jornalista cada vez mais se depara com o facto de que o leitor percorre diversas fontes e faz a sua própria apreciação devido à proliferação crescente dos espaços da notícia. Veja-se o caso dos blogs. O espaço da notícia é também atualmente o espaço da cidadania, na medida em que proliferam as capacidades de publicar, trocar, criar, agir e comunicar o que significa que “este novo meio de expressão pessoal constitui uma nova forma de expansão da esfera pública”.(Mortensen e Walker, 2002).

O acesso, não apenas, ao apontamento informativo ou notícia mas também ao lado opinativo do blogger, é um elemento muito relevante na interação com o leitor que muito apetecivelmente se predispõe a vincular uma ligação com o jornalista.

Ou seja, haveria uma maior sujeição à agenda do público e também uma maior tendência a elaborar conteúdos para comprazer o leitor, resultando obviamente, em trabalhos de cariz sensacionalista.

A proliferação deste meio, acaba por responder ao desafio. As publicações acabaram ou acabarão por concertar os seus interesses com os do público, na medida em que se pelo lado das publicações/jornalistas o feedback do seu trabalho é útil, pelo lado do leitor há uma maior possibilidade de “aprender” a notícia e a leitura do meio.

Um post do  Bivings Group ( Petersen: 2007) refere de uma forma sucinta algumas utilizações que os jornalistas podem fazer dos blogs para além da distribuição de conteúdos. Destacamos por exemplo:

  • solicitação de ideias para cobertura informativa induzindo a participação dos leitores;
  • solicitação de apontamentos críticos sobre questões editoriais;
  • proximidade entre jornalistas e leitores através da troca de opinião;
  • solicitação da ajuda dos leitores para a cobertura de uma história( citizen journalism?);
  • interação e participação de especialistas;
  • partilha dos  interesses e  gostos do jornalista;
  • fornecer tópicos de interesse para discussão pública;
  • estimular a participação do público e bloggers.

Aqui, o que desperta a atenção é a possibilidade em aberto dos blogs cumprirem outras utilidades na relação com o público. Assim, o estreitamento de relações entre os interlocutores desperta a troca de competências e habilidades ao mesmo tempo que se cria mais facilmente uma atmosfera de confiança e fiabilidade .

Além disso, o intercâmbio constante e ágil descortina mais perspectivas e “olhares cruzados”. O próprio jornalista terá acesso às mais diversas ideias sobre o seu “produto” -  a informação passará a ser assunto.

Podemos assim dizer que o blog, é provavelmente a ferramenta e a “invenção” mais interessante na expansão do espaço da comunicação.

Em suma, a ampliação do fenómeno do jornalismo digital tem apresentado ao longo do tempo, matizes variadas que vêm desafiando o sistema tradicional de veicular a informação. Neste âmbito, é interessante também referir que foram já elaboradas algumas iniciativas para a criação de um manual de estilo, entre os quais destacamos o documento de LAVOZ.com.ar (2006)  no qual se apreende inúmeras “fórmulas” para lidar com o hipertexto, o  multimédia e a interatividade num modelo inegavelmente bidireccional sobressaindo as seguintes:

  • as notícias de texto plano onde se propõe que o foco da notícias deve apresentar-se no primeiro parágrafo;
  • títulos e subtítulos devem ser breves, claros, simples e concisos não superando as cinco ou seis linhas on line;
  • as notícias devem ser encaradas como temas em evolução podendo assinalar-se o progresso das mesma com expressões:  Urgente; Ampliação; Central e Atualização;
  • a redacção digital deve ter em vista tipo e tempo de leitura, focos de leitura, linguagem objetiva e não promocional, atracção pelo texto evidenciado;
  • hipervínculos
  • fotografias com os mesmos critérios jornalísticos;
  • utilização de blogs para o feedback e a criação de uma rede social. Este documento revela ainda todos os passos para iniciar o blogging e inclusive regras para regular o funcionamento do blog.

Não podemos deixar de referir ainda o extenso retrato que se faz do leitor digital muito útil na concepção das reflexões apresentadas. O leitor digital:

  • necessita da hierarquização das notícias
  • não tem muito tempo e tende a ser mais especializado
  • tem necessidade de conhecer a hora de atualização da notícia
  • necessita uma selecção adequada de conteúdos contundentes e com economia de linguagem
  • e finalmente, o leitor digital já “pensa” em termos multimédia.   

Em definitivo, se cria todo um conjunto de preocupações com este moderno tipo de leitura que radica na aproximação a uma revolucionária linguagem e essencialmente, a uma nova gramática.

Para concluir, é ainda relevante, a extensa variedade de fenómenos jornalísticos singulares à volta da Internet; citamos por exemplo, o jornal on line concebido por uma emissora de rádio para adaptar ao papel os conteúdos  radiofónicos sendo pioneiro em Portugal : o Página 1 querendo dar aos seus ouvintes uma nova forma de ouvir e ler a notícia. Sobre ob projecto qual afirma o seu director Francisco Sarsfiedl Cabral (DN:2007):[1]

“(...) temos de ser cada vez mais multimédia.”

 “Há que explorar todas as capacidades multimédia que o ciberjornalismo permite”.

As iniciativas multiplicam-se de facto, e tornam-se cada vez mais originais.

Em vias de expansão, o mercado português tem acompanhado a evolução global de preferências pelo novo suporte, e o atraso relativo em relação ao acesso à internet têm excluído muitos portugueses do jornalismo on-line e as suas temáticas, embora o panorama tenha melhorado bastante nos últimos anos com a aposta em recursos humanos jovens e em novas políticas de comunicação que indiciam uma adequação rumo à mudança de mentalidades e a uma melhor gestão e apetência pelas novas linguagens e suportes.

 

BIBLIOGRAFIA 

  • ÁLVAREZ MARCOS, J (2003) El periodismo ante la tecnologia hipertextual in Noci, J. D
  • SALAVÉRRIA, R – Manual de la redacción ciberperiodística. Ariel Comunicación  p.231-259
  • BARBOSA, Elisabete e GRANADO, António.(2004) Weblogs- Diário de Bordo. Lisboa, Porto Editora.
  • CLOUTIER, Jean (1975). A era de Emerec. Lisboa, Instituto de tecnologia educativa.
  • GIL, José (2004) Portugal, Hoje – o medo de existir. Lisboa, Relógio d´Água
  • JESPERS, Jean-Jacques.(1998) Jornalismo televisivo. Coimbra, Ed.Minerva
  • MÓNICA, Maria Filomena.(1978) Educação e Sociedade no Portugal de Salazar. Lisboa, Editorial Presença.
  • PINTO, Marcos J.(2002) Seja um editor na era digital. S. Paulo, Editora Érica,
  • RODRIGUES, Adriano Duarte. (1994 Comunicação e Cultura. Presença, Lisboa.
  • SANTOS, Rogério (1998) Os novos media e o espaço público. Lisboa, Gradiva
  • VILCHES, Lorenzo (1999) La lectura de la imagem. Prensa ,cine, televisión. Barcelona, Paidós 

 

WEBGRAFIA  



[1] Cf. Site referente à Rádio Renascença www.rr.pt 

 

A era do jornalismo pós moderno : o espaço e o tempo 1

A fase de efervescência tecnológica e comunicacional que cruza a história atual da Humanidade, traz consigo consequências no imediatismo do acesso aos média.

Após uma longa fase que atravessou séculos de evolução, o jornalismo e as suas formas expressivas baseadas na imprensa e portanto, no jornal ou periódico, mostrou sinais evidentes de uma transformação inevitável e irreversível que desenha no horizonte, as novas formas enunciativas do séc. XXI: o ciberjornalismo

Com designações várias, passando pela expressão jornal digital, ou jornalismo on-line ou ainda de raiz galicista, webjornalismo, todas elas vêm traduzir a nova estética que relançou a imprensa tradicional num palco multimédia, oferecendo um novo suporte informativo versátil e praticamente insuperável no imediatismo e interatividade.

Resultante, obviamente, da envolvente sociocultural da Sociedade de Informação, o jornalismo mantém a sua ordem inicial e iniciadora de dar ou fornecer informação mas agora, de forma inovadora e assumidamente pós –moderna, de construira própria maneira de ler a notícia.

Com um papel central na sociedade, a informação despertou assim para uma nova era em que esta e o meio se confundem e se ligam, num mundo digital cheio de promessas e numa linha de novas vias da criatividade. Abre-se deste modo, um enorme espaço virtual onde jornalistas e um novo tipo de leitor se conectam criando sem dúvida, a mais interessante forma de estar informado e receber informação.

A invenção da imprensa por Guttenberg tornou mais fácil a multiplicação de obras visando uma maior acessibilidade por parte da população criando a tal “explosão” de que falava Marshall Mac Luhan na sua concetualização da “aldeia global.

De igual forma, os jornais de massa “contribuiram poderosamente, desde a segunda metade do séc. XIX, para a circulação e o debate de ideias, num quadro de afirmação da liberdade de expressão e de imprensa, de progressos na alfabetização e na crescente velocidade de circulação de pessoas e dos bens.”  (Granado:2004, 6)

Se o livro se distinguiu por vencer o tempo, o jornal distingue-se por vencer o espaço.

Genericamente, a evolução da sociedade apoiada pelas novas tecnologias criou, de facto, o que ficou conhecido como uma sociedade de meios de comunicação de massa os quais como se sabe, trabalham em prol de uma lógica comercial que pretende abarcar as maiorias. Embora nascida em nome da igualdade de oportunidades até no acesso à informação, a sociedade de massas tornou-se demasiado nivelada e homogeneizada tornando visível a procura de novos meios de comunicação mais individuais, seletivos e alternativos. É assim que os self-media emergem com as possibilidades concretizadas pelas novas tecnologias, fazendo eclodir o indivíduo da massa anónima. Os self-media caracterizam o fluxo de informação bidireccional, ou seja, o emissor todo poderoso perde a sua proeminência em detrimento do utilizador.

Entre os  self-media mais conhecidos está o computador que  proporciona a  utilização da informação “em instrumentos que permitem a criação e o acesso à informação por seleção e registo individual... ou por grupos de interesse.”(Cloutier:1975)

Desta forma, a informação ao ser visualizada pelo próprio, transforma o indivíduo em produtor e receptor da mensagem. Quanto mais escolha o meio oferecer ao seu utilizador, mais pessoal se torna o meio; o computador é neste caso, o meio que mais se pode personalizar.

 Eis que “surgem as viagens interativas dentro de um universo de conhecimentos: o utilizador é uma espécie de visitante que por intermédio do hipertexto, navega nos conceitos dispostos em forma cronológica ou arborescente.”(Rogério Santos:1998, 92)

A comunicação mediada por computador, permite a integração em fóruns e o envolvimento pessoal necessários “criando características de comunidade, onde se incluem normas e objectivos e (...) em que por detrás da aparente anarquia está em construção um novo modo de comunicação interpessoal, um novo espaço público”. (idem) Deste modo, livros, textos jornais e vídeos passam a estar cada vez mais disponíveis na Internet.

 Fruto da transformação inevitável de SOCIEDADE DE MASSAS para SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO, os novos espaços informativos apoiados pela nova diversidade mediática e tecnológica, introduziram novas rotinas e novas linguagens jornalísticas de desenvolvimento da informação que deverão ser agora adaptadas aos novos meios. O aparecimento da Internet, o monumental paradigma da SI, torna-se crescentemente num meio de adoção e de seleção no acesso a um novo tipo de linguagem. E mais evidente se torna, pressupondo que cada meio tem as suas próprias narrativas; a Internet por força de utilizar som, texto e imagem em movimento tem com certeza, as suas características próprias, devidas à enorme potencialidade do hipertexto.

De facto, os jornalistas e afins profissionais da informação rapidamente se aperceberam do latente interesse da Internet na produção do seu trabalho; a facilidade na busca da informação geralmente de uma forma gratuita e a uma velocidade nunca anteriormente conseguida, desafia estes profissionais que aderiram entusiasticamente ao novo suporte o qual apresenta inúmeras vantagens face aos clássicos instrumentos de emissão e recepção de informação (p.ex. o fax).

Esclarecemos assim, que as expressões “jornalismo on-line” e “jornalismo digital” ou “ciberjornalismo” apontam para realidades diferentes no entender dos especialistas. Assim, jornalismo on-line traduz:

“(…) a utilização da rede como instrumento privilegiado de contato com as fontes e de pesquisa de conteúdos. (…) Neste particular podemos situar a Internet como uma componente essência do jornalismo assistido por computador o qual (..) engloba a pesquisa on-line.” (Bastos, 1999)[1]

O ciberjornalismo ou jornalismo digital representa a produção de textos jornalísticos “na rede e para a rede”. (idem)

 Se o periódico em papel possuía vantagens como a portabilidade e a facilidade de leitura em qualquer lugar ou situação, os jornais on-line garantem outras vantagens tão interessantes como baixos custos, capacidade de dar notícias em tempo real, custo igual em todo o mundo, espaço ilimitado, uso do multimédia, hipertexto e da interatividade.

O on-line pode permitir além disso, capitalizar informações “não” jornalísticas, anúncios e diversas outras informações.

Relevâncias:

- A interatividade:

A possibilidade de interagir imediatamente com o produtor de notícias, sugere a democratização da informação que tem sido apanágio da Sociedade de Informação em que nos incluímos. A interatividade, é sem dúvida, o maior trunfo das novas tecnologias; o receptor é assumidamente um receptor activo no novo cenário digital e o jornalismo torna-se participativo.

 - Uma nova leitura/personalização

A integração de elementos multimédia nas notícias muda também a forma de ler e “se por um lado a leitura de um texto implica um trabalho específico de imaginação, por outro lado, a percepção das imagens não prescinde da capacidade de elaboração de um discurso”. (Rodrigues:1994,122) Uma navegação individual induz uma maior personalização.

- Atualização permanente

Maior possibilidade ao tempo real e ao news flash.Ao inverso dos média de massa, sempre sufocados por restrições técnicas e comerciais, o espaço na web é virtualmente ilimitado.

- Hipertexto

A possibilidade de orientar a própria leitura convida a uma proatividade do leitor, vantagem esta que deve ser aproveitada pelo webjornalismo: um conjunto de textos hiperligados entre si com outros blocos informativos passíveis de hiperligação: ligações para vídeo, galerias de fotos, links internos e externos, fontes, documentação.

- Som

A utilização do som é mais um elemento que confere verosimilhança à notícia. Pode dizer-se, que esta possibilidade contribui para uma certa teatralização da notícia e lhe confere mais autenticidade ou mesmo confirmação.

- Vídeo

A velha expressão “uma imagem vale mais que mil palavras” tem aqui todo o sentido. Por outro lado e tecnicamente falando, a imagem televisiva funciona como um catalizador de/da emoção. (Canavilhas:2001) Porém, no on-line as dimensões reduzidas da imagem ou vídeo diluem esta emoção não deixando no entanto, de confirmar a notícia ou legitimá-la.

- Weblogs

Finalizando, uma questão colocada ao jornalismo atual é o fenómeno dos weblogs. Como páginas individuais permanentemente atualizadas, muito se fala sobre a possibilidade que este novo formato assume no processo informativo e noticioso na medida em que, as opiniões estão divididas entre a noção de apenas suplementação do jornalismo tradicional e verdadeiro jornalismo amador.

Diversos órgãos de informação têm utilizado este novo instrumento que parece aproximar o mundo dos leitores e dos jornalistas. O The Guardian foi o primeiro jornal a criar um weblog ( www.guardian. co.uk/weblog/>) onde fornece informações e links para notícias, reportagens e artigos sobre actividades  e temas na ordem do dia.

Segundo alguns especialistas, genericamente, a veiculação de weblogs ao promover uma relação mais próxima e transparente sobre a formulação das notícias, será útil ao jornalismo ao criar uma nova via de cidadania e até democracia e “numa época em que o jornalismo vem sofrendo uma crise de credibilidade, esta aproximação entre jornalistas e leitores, será uma excelente forma de melhorar o nível da informação produzida, e em última análise, o jornalismo.” (id.)

Recentemente, aborda-se ainda a questão do gatewatching; neologismo normalmente associado aos blogs, o gatewatching vai buscar o seu princípio, por oposição, à expressão gatekeeping associada aos meios de comunicação de massa.

- Memória viva

A questão coloca-se nestes termos: onde finda a cobertura e principia o arquivo? Existe nesta modalidade uma maior capacidade para as coberturas a longo prazo que, de alguma forma, adquirem uma certa automatização.

Sem dúvida, o jornalismo é uma das profissões que mais se modificou graças às novas tecnologias. O jornalismo online e a sua expressão pós moderna, o ciberjornalismo, tornou-se um documento hipertextual de leitura personalizada e interativa modificando as noções de tempo e espaço comuns para quem interage com a informação.

(continua)

 

Bibliografia

BARBOSA, Elisabete e GRANADO, António.(2004) Weblogs- Diário de Bordo. Lisboa, Porto Editora.

CLOUTIER, Jean (1975). A era de Emerec. Lisboa, Instituto de tecnologia educativa.

PINTO, Marcos J.(2002) Seja um editor na era digital. S. Paulo, Editora Érica,

SANTOS, Rogério (1998) Os novos media e o espaço público. Lisboa, Gradiva

RODRIGUES, Adriano Duarte. (1994 Comunicação e Cultura. Presença, Lisboa.

VILCHES, Lorenzo (1999) La lectura de la imagem. Prensa ,cine, televisión. Barcelona, Paidós

 

Netgrafia

 

BASTOS, Helder (2005) Ciberjornalismos e narrativa hipermédia.

http://prisma.cetac.up.pt/artigospdf/piramide_invertida-na_cibernotícia.pdf

http://irrealtev.blogspot.com/      

 

CANAVILHAS, João (2001) Webjornalismo : considerações gerais sobre o jornalismo na Web.

http://www.bocc.ubi.pt/pag/_texto.php3?html2=canavilhas-joao-webjornal.html

 

____________________, (2004) Do jornalismo on line ao webjornalismo : formação para a mudança.

http://www.bocc.ubi.pt/pag/canavilhas-joao-jornalismo-online-webjornalismo.pdf 

 

GRANADO, António,(2000) Ciberjornalismo- problemas éticos e legais.Aula 7

http://www.fcsh.unl.pt/cadeiras/ciberjornalismo/aula7.htm   

 

 

A urgência de literacia mediática

 

O rápido desenvolvimento e crescente disseminação dos meios de comunicação, resulta num aumento de especialidades no território de trabalho do espaço da comunicação. A cultura multimediática cria novos questionamentos pela visível dependência crescente da informação, a qual pela própria disseminação incontrolável, exige qualificações interpretativas, críticas e de análise. A "thumb generation" está hoje ligada à televisão, internet, redes sociais e telemóveis num processo interativo imparável, relançando novos desafios e uma nova aproximação ao debate sobre a Educação para os Media.

TV local como mecanismo de inscrição : Estudo Porto Canal 2

Na sequência do anterior artigo (Agosto 2011), sobre a reflexão do fenómeno das TV Locais, seguem-se os resultados obtidos da II parte da  investigação sobre  segmentação e mercado do Porto Canal.[i]

Um dos objectivos principais deste estudo é perceber a expansão geográfica do Poro Canal. Assim, a direcção do Porto Canal definiu as áreas geográficas prioritárias de aplicação, formando os seguintes estratos: Porto, Maia, V. N. Gaia, Gondomar, Matosinhos, Valongo, Guimarães, Braga e Vila Real Deste modo, o pré-teste e o questionário final foram aplicados nestes concelhos. O número total de inquiridos foi de 441 participantes.

Procedimento

Devido à natureza do estudo, recorreu-se a um tratamento univariado das variáveis sócio-demográficas que permitiram segmentar a população dos telespectadores. O tratamento estatístico foi baseado na análise de tabelas cruzadas ou de contingência, análise gráfica destas tabelas através da análise de correspondências. O posicionamento do canal relativamente aos atributos foi efectuado recorrendo a uma análise discriminante multivariada  aos mapas perceptuais resultantes.

Análise ao mercado

 

Variável

 

 

  Número

 

 

Percentagem

 

 

       
Televisão por cabo ou

 

satélitesatélite

     
satélite Sim 372 85,3%
  Não 64 14,7%
       
Operador      
  Cabovisão 27 7,30%
  ZON TV Cabo 188 50,50%
  MEO 117 31,50%
  Clix Smart TV 7 1,90%
  TV TEL 6 1,60%
  Não sabe/responde 27 7,30%
       
Variável   Número Percentagem
       
Já viu o Porto Canal?      
  Sim 271 62,30%
  Não 164 37,70%
       
Com que frequência vê o Porto Canal      
  Não vejo 55 20,40%
  Muito pouco 127 47,20%
  Pouco 68 25,30%
  Muito 16 5,90%
  Bastante 3 1,10%
       
Em que horário vê o Porto Canal      
  Manhã (até 13h) 18 8,80%
  Tarde (13h-18h) 34 16,60%
  Noite (após as 18h) 111 54,10%
  Sem horário definido 42 20,50%
       
Acha o Porto Canal um retrato da RMP?      
  Discordo Muito 12 5,60%
  Discordo 22 10,30%
  Concordo 150 70,10%
  Concordo muito 30 14,00%
       
Acha que o Porto Canal transmite o estado de espírito da Região Norte?      
  Nada 9 4,4%
  Muito Pouco 14 6,8%
  Pouco 59 28,8%
  Muito 100 48,8%
  Bastante 23 11,2%
       
Acha que o Porto Canal transmite o estado de espírito do Porto?      
  Nada 9 4,4%
  Muito Pouco 6 2,9%
  Pouco 29 14,2%
  Muito 113 55,4%
  Bastante 47 23,0%
       
Revê-se nos ideais do Porto Canal?      
  Não 35 16,9%
  Muito Pouco 19 9,2%
  Pouco 86 41,5%
  Muito 60 29,0%
  Bastante 7 3,4%
       

Conclusões

Em termos gerais, este estudo torna visível que o Porto canal apesar de ter uma imagem positiva no mercado e representar alguns valores da cidade e região, manifesta fracos resultados no que respeita ao fenómeno da identificação.

De igual forma, apesar de ser conhecida, a estação é pouco vista.

Com uma história muito recente, o Porto Canal resiste à incredulidade e descrença que tem acompanhado a história dos meios locais na cidade do Porto.

Durante a vigência dos primeiros dados apresentados, concluiu-se que estação não teria vocação regional em efectivo, mas tem importância local: é reconhecida a nível da AMP pelo contacto nas ruas e pela participação popular em fóruns e debates.

A presença e visibilidade do meio estão em crescimento, para que se crie a convergência e a afectividade entre o espaço e a sua gente; falta-lhe ainda, por razões óbvias, alguma  “garra” que punge a identificação e a identidade.

Por outro lado, arriscamos afirmar que não verificamos ainda uma invocação decisiva da sociedade e das instituições de peso local em relação à estação, o que compromete a sua evolução e arremesso; cria-se um ciclo de virtualidade existencial que não é positivo para a geração de reconhecimento e sinergia entre ambas as partes da relação: canal e audiências. Actualmente, o cenário altera-se com a mudança de estratégia mais regional que se adivinha para o canal e igualmente, com a ligação ao FCP.

 

[i] O tratamento estatístico dos dados resulta  da colaboração do Gabinete de Estudos e Planeamento do ISMAI na pessoa do  Doutor Amadeu Sousa Fernandes. Dados recolhidos entre Setembro e Dezembro de 2010.
 

 

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