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Comunicar é apertar a mão à audiência

 

Comunicar é apertar a mão à audiência… de 1 ou 1M

No mundo das empresas, com as suas múltiplas atividades tendo em vista seduzir os seus variados públicos, quer no universo de 1 quer de 1M (milhão), o processo de comunicação exige atenção redobrada de todos os que, de uma forma ou de outra, fazem o “link” com as pessoas. Mesmo numa lógica massificada, exige-se hoje uma abordagem personalizada, que só é conseguida através de estímulos experienciais, sobretudo porque os códigos verbais e não-verbais que nos chegam, através dos sentidos, dos sentimentos, das relações, das ações e da conhecimento (SCHMITT, 1999) são processados e interpretados segundo as preferências particulares de cada destinatário, a sua envolvente, o seu histórico de vida, o seu quadro de valores, as suas relações pessoais e a sua comunicação intrapessoal. Em qualquer um dos casos, espera-se que resultem mensagens com histórias, relatos com narrativa e estórias com futuro.  

“Apertar a mão à assistência” (McCORMACK, 1997: 204) não é apanágio apenas para a comunicação entre pessoas, é uma regra para todo o tipo de comunicação, mesmo quando esta se processa através da publicidade, das relações públicas, do marketing direto, entre outros. Apertar a mão de quem está a receber a nossa mensagem através da televisão, da rádio, do jornal, ou da internet, ou mesmo do exterior, não é tarefa fácil dada a dimensão e heterogeneidade da audiência; de igual forma, a comunicação mais direcionada exige maior customização da mensagem, sendo que em ambas as situações a segmentação é um imperativo que não se restringe aos meios de difusão restrita e direcionada, mas também extensível à expressão massificada.

Os profissionais da comunicação têm necessariamente de ser observadores atentos, ouvintes pacientes e conhecedores do “país real”, pelo que se lhes exige versatilidade e conhecimento abrangente. Dependendo do “produto” e do público a atingir, têm de muitas vezes ser popular e descer às bases, à mulher da Ribeira ou ao “Zé do boné”, como noutros casos devem elevar a erudição porque têm pela frente um catedrático, um cientista ou um esclarecido homem de negócios. Não há receitas eficazes, mas há formas de chegar a cada destinatário, com mais ou menos intensidade, desde que este seja percebido no seu íntimo mais profundo.

Embora parecendo “a verdade De La Palice”, certo é que no dia-a-dia se assiste a casos consecutivos onde estas regras básicas são atropeladas. Num leve esforço, facilmente identificamos a entropia de alguns anúncios publicitários, apresentações monocórdicas para motivação de equipas, peças de rádio intermináveis, salpicadas de frases longas e siglas incompreensíveis, atropelando as mais elementares regras da radiofonia, vendedores enfadonhos e desatentos, discursos desalinhadas com o quadro de valores da organização, olhares que contradizem as palavras, e palavras que a realidade contraria. 

  1.          Fazer o “link” numa abordagem personalizada
  2.           “Apertar a mão à assistência”
  3.           Ser observador atento, ouvinte paciente e conhecedor do “país real”
Referências
 
  • MCCORMACK, Mark H. (1997) A arte de comunicar passo a passo. Publicações Europa-América, Lisboa
  • SCHMITT, B. (1999). Experiential Marketing. How to get customers to sense, fell, think, act, relate to your campany and brands. The Free Press, New York;
Paula Arriscado

Diretora de Comunicação e Marketing da Toyota Portugal (Grupo Salvador Caetano)

Docente no IPAM

Doutoramento em Gestão de Marca e Comunicação Integrada


Docente no IPAM, no Mestrado em Gestão de Marketing e Licenciatura Ciências do Consumo.

Possui Doutoramento em Gestão de Marca e Comunicação Integrada, pela Universidade de Santiago de Compostela (2008) e a Licenciatura em Jornalismo.

De 1991 a 2000, colaborou em vários Órgãos de Comunicação Social, destacando-se a Rádio Nova, a TSF e a Revista Máxima.

Desenvolveu paralelamente uma vasta atividade na área da Comunicação Empresarial (Associação Empresarial de Portugal/Exponor, câmaras municipais de Esposende e Arcos de Valdevez, Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal, APCER, Porto Editora, entre outras)

Foi eleita “Profissional de Marketing do Ano 2005 no Sector Automóvel”, pela APPM.

Integra o Júri em processos de obtenção do título de Especialista para Docência no Ensino Politécnico, no âmbito do consórcio estabelecido entre o IPAM, a Universidade do Porto e Universidade de Coimbra.

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