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Marco Lamas

Marco Lamas

Managing Partner da IncubIT e Docente no Ensino Superior na ESEIG e no IPAM, nas áreas do Empreendedorismo e Estratégia.


Licenciado em Relações Internacionais, Mestre em Educação, Doutorando em Educação e Empreendedorismo, sendo ainda no IPAM coordenador da Pós Graduação em Marketing & Empreendedorismo.

Trabalho desenvolvido nacional e internacionalmente em ambiente empresarial e em ambiente Universitário.

É Business coach certificado pela ECA (European Coaching Association), consultor de empresas e formador (certificado pelo IEFP e pelo Concelho Cientifico Pedagógico de Formação Contínua) nas áreas do Empreendedorismo, gestão, Estratégia, Balanced Scorecard e Desenvolvimento Humano, é ainda Formador de Formadores e Professores (Empreendedorismo e formação pedagógica Inicial de Formadores).

Colabora com revistas, jornais e portais, escrevendo artigos de opinião.

 

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Educação em Empreendedorismo

 

Numa época em que tanto de se fala de Empreendedorismo, da sua importância e na necessidade de o incentivar, penso que se impõe clarificar o que é realmente indispensável à sua promoção.

Defendo que a promoção de um ambiente verdadeiramente dinamizador do Empreendedorismo deve ser baseada e sustentada num programa integrado de nível nacional que integre vários actores relacionados directa ou indirectamente com o Empreendedorismo, num núcleo mais próximo, em plena articulação com os agentes educativos nos vários níveis de ensino, desde o ensino básico até ao ensino superior. Falo de um apoio permanente de entidades ligadas à consultoria e de um apoio técnico necessário aos empreendedores; devem ainda integrar este núcleo mais próximo, as entidades que disponibilizem infra-estruturas como incubadoras, ninhos de empresas e centros de escritórios que viabilizem às empresas nascentes gerir estruturas de custos fixos reduzidas, assim como, usufruir de serviços partilhados. Por último, considero também o financiamento de novos projectos e o papel que o Governo pode ter na criação de condições para que a Banca volte a financiar as microempresas e as PME´s. Entendo ainda que a Capital de Risco e os Business Angels devem assumir o seu papel decisivo e ainda que as entidades gestoras dos sistemas de incentivos possam agilizar e facilitar, não apenas as candidaturas e a sua aprovação, mas também o desbloqueio de verbas após a aprovação.

Neste artigo, vou no entanto focar-me na Educação em Empreendedorismo, um eixo central e fundamental na promoção de uma cultura Empreendedora que não se prende única e exclusivamente com a criação de empresas. As directrizes europeias e nacionais, que têm vindo a ser divulgadas recentemente, não nos permitem esquecer a importância da educação para o empreendedorismo. Por outro lado, as teorias, que enquadram esta temática e propiciam a sua investigação, têm levado à criação de acções de formação e cursos oferecidos aos vários níveis do ensino (básico, secundário e superior).

É urgente dinamizar de forma persistente e sistemática – a educação em empreendedorismo –, sempre numa atitude de melhoria, numa perspectiva mais abrangente e consolidada. Na minha opinião, a educação para o empreendedorismo cria, pela sua natureza, uma cultura educacional que concebe o conhecimento numa dinâmica transformadora e evolutiva, em constantes adaptações e, por isso mesmo, inovadora, exigindo eficácia e eficiência na construção e reconstrução dos saberes, na sua reorganização e adequação, desencadeando uma nova concepção da aprendizagem que se pretende contextualizada, activa e activante, geradora de sustentabilidade.

Sexton & Bowman, já em 1984, defendiam que a educação para o empreendedorismo tem de ser considerada como uma extensão do empreendedorismo, um envolvimento contínuo numa reflexão que desencadeie a relação teoria/prática/teoria.

Por tudo isso, defendo a tese de que é a educação em empreendedorismo que importa difundir – uma educação mais abrangente que abarque o âmbito geral da educação – formal, não formal e informal, que se implemente na educação de uma forma geral e abrangente, envolvendo todos os níveis e todos os sectores, devidamente assente nos quatro eixos – o saber, o saber fazer, o saber ser, o saber estar – a cultura empreendedora.  

O empreendedorismo, pela sua natureza – acção, inovação, criação de serviços e produtos –, tem forçosamente de fazer parte da educação geral. Importa que cada aluno desenvolva estas dinâmicas seja em que situação profissional for; por conta própria ou por conta de outrem; cada um de nós tem de agir, sendo convidado a inovar, e a criar, é chamado, no desempenho da sua profissão, a criar serviços e produtos.

Acredito, ainda, que as dimensões que caracterizam o empreendedorismo, por elas próprias, reforçam a dinâmica educativa, na medida em que ajudam a desenvolver o espírito de autonomia, de iniciativa, de decisão, de criatividade, de inovação do indivíduo. Assim, a educação para o empreendedorismo evidencia as dimensões gerais da intervenção, pelo apelo à comunicação e à acção.

Com base em Cooney (2010), proponho uma aposta forte na educação para o empreendedorismo, conduzindo ao desenvolvimento de competências empreendedoras, desde muito cedo, aproveitando as características do ser humano que lhe podem servir de base sustentadora – a criatividade, a inovação, a capacidade de medir o risco, a aptidão para reconhecer e explorar oportunidades, a curiosidade, a propensão para a construção e utilização de redes –, bem como os conhecimentos e habilidades que, ao longo da sua formação, se podem e devem propiciar. Importa começar cedo, logo a partir dos primeiros anos da escola do ensino básico, perpetuando essas condições propiciadoras ao longo da formação. Importa, ainda, que a atitude empreendedora esteja sempre presente no âmbito geral da educação, na educação em geral, e que, sempre que for o caso, a educação em empreendedorismo, suscite as potencialidades empreendedoras do indivíduo, abrindo portas para que especialistas empreendedores possam emergir e actuar.

É desta postura que nasce o modelo de educação em empreendedorismo que defendo. Este modelo de educação em empreendedorismo está alicerçado na oferta de programas de desenvolvimento de competências empreendedoras. Trata-se de um modelo encarado como um processo integrado, considerando como ponto de partida as seguintes perguntas: What?; How?; Who?; e Where?.

What: Promover comportamentos e mentalidades empreendedoras; incentivar a motivação e liderança; incentivar à criatividade, inovação e capacidade de pensar ‘fora da caixa’; desenvolver competências de gestão de complexidade e imprevisibilidade, competências básicas de gestão e finanças; identificar oportunidades, como criar e expandir empresas; desenvolver competências de negociação; desenvolver relações, redes de contactos e capital social.

How:  Através de Pedagogias de ensino-aprendizagem interactivas e centradas no aluno; projectos e programas multi-disciplinares; concursos de planos de negócios, jogos, simulações e estudos de caso; uso intensivo de ferramentas digitais, vídeo e multimédia; recurso a novas metodologias como aprender-fazendo, aprendizagem experiencial/laboratórios (tentativa e erro), participar em projectos, estágios em start-up(s), processos de mentoring e business coaching, interacções com empreendedores; Incentivo à aprendizagem ao longo da vida.

Who:  Alunos e formandos, professores do ensino básico, secundário, profissional e do ensino superior, formadores e directores/gestores de entidades formativas e educativas, gestores e líderes de outros sectores, empreendedores, mentors e coachers.

Where:  Sistema educativo formal em todos os níveis (básico, secundário, profissional e superior), em todas as disciplinas; sistema educativo informal, centros e entidades de formação, centros comunitários, ONG´s, autarquias e empresas.

 

Partindo de uma análise do contexto socioeconómico actual, verifico que se impõe oferecer experiências e conteúdos que criem o ambiente necessário para as pessoas, no sentido mais abrangente possível, serem suficientemente flexíveis e, daí decorrente, abertas a lidar com a mudança, aproveitando, deste modo, a oportunidade para que possam dar-se bem com os desafios com que se deparam a cada dia.

Finalizo reforçando a minha opção por uma educação em empreendedorismo, o que me leva a empenhar continuamente em contribuir com a experiência prática, o aconselhamento, o conhecimento em acção, o capital social, recorrendo a programas conjuntos, procurando proporcionar valor acrescentado, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos, seja de forma experiencial, promovendo resultados de qualidade, seja de forma reflexiva, fazendo avançar a teorização e investigação sobre o tema.

 

Marketing e Empreendedorismo

Nos últimos anos tem havido uma evolução grande na investigação, e na aplicação prática do Marketing e do Empreendedorismo, duas áreas consideradas consensualmente como fundamentais para o desenvolvimento das empresas e, em consequência, para o desenvolvimento económico e social dos países.

É incontestável que existe uma relação directa entre o nível de Empreendedorismo num país e o seu desenvolvimento económico. Percebemos assim claramente a importância da promoção doempreendedorismo, ainda mais, nos dias actuais, tendo em conta o clima socioeconómico que Portugal e a Europa atravessam.

Importa, também, realçar que o Empreendedorismo não está relacionado apenas com a criação de empresas, nem tão pouco com as micro e as PME. O Empreendedorismo está igualmente ligado às grandes empresas, qualquer empresa ou organização precisa de colaboradores criativos e empreendedores, pois eles são a força motora para as empresas inovarem, se diferenciarem, criando valor e se desenvolverem e, assim, criarem a sua identidade. Os empreendedores criam empresas, desenvolvem projectos novos dentro das empresas existentes, reestruturam empresas e expandem empresas. Falar de Empreendedorismo na criação de empresas, de intra-empreendorismo e de organizações empreendedoras é falar de cultura empreendedora.

O Marketing tal como o Empreendedorismo está (ou deverá estar, porque infelizmente em muitos casos o Marketing ainda é claramente negligenciado) presente em qualquer empresa, não apenas nas grandes empresas, mas também nas micro e PME. Peter Drucker ia mais longe e afirmava que o objectivo de qualquer empresa é estar no mercado, é ter clientes e que, por isso, as empresas têm apenas duas funções básicas, o Marketing e a Inovação, todas as outras representam custos e por isso mesmo o Marketing deve estar presente em todos os departamentos da empresa.

A verdade é que o Marketing e a comunicação são fundamentais. Podemos ser os melhores do mundo no que fazemos, no entanto, se não o comunicarmos ou se o comunicarmos mal, ninguém vem ter connosco, não vamos vender nem vamos garantir a sustentabilidade e crescimento da empresa.

E o Marketing e Empreendedorismo juntos? Qual a possível relação? Que valor pode gerar essa relação?

Marketing está intimamente ligado a todas as fases do processo Empreendedor[1], as orientações e a perspectiva do Marketing são sem dúvida uma mais-valia para um Empreendedor ou uma empresa e, portanto, percorrem as várias fases do processo empreendedor.

Entendo o processo empreendedor como um modelo que se constitui como a base de sustento de toda a actividade empreendedora, seja na criação de empresas, lançamento de novos produtos ou serviços ou ainda a expansão e internacionalização de empresas, processo esse constituído por cinco fases: Cultura Empreendedora; Ideia-oportunidade; Projecto; Recursos; Startup.

A ideia (criatividade) é fundamental, a oportunidade (inovação) é, no entanto, essencial, só ela garante a razão de existir de qualquer empresa. O Marketing tem um papel fundamental nesta fase pois é ao Marketing que cabe o papel de realizar análises de mercado e avaliar se as ideias são realmente oportunidades. Pode acontecer as ideias não serem realmente oportunidades, o que é natural, mas isso não deve ser desmotivador para o(s) Empreendedor(es), pois faz parte do processo. Apenas uma pequena percentagem de ideias se revelam verdadeiras oportunidades, e é preciso continuar a trabalhar e seguir em frente.

Na fase do projecto (plano de negócios), o Marketing tem igualmente um papel preponderante. Os planos de negócios integram normalmente um conteúdo dedicado ao Maketing; todavia, o Marketing vai mais longe e está integrado na restante estrutura do documento, nomeadamente na sua base, a análise estratégica que irá determinar a evolução de toda a planificação do projecto.

Um empreendedor ou empresa, constituída para garantir a implementação do seu projecto, necessita angariar ou munir-se dos recursos necessários, que podem ser humanos, materiais e financeiros. O Marketing tem aqui novamente um papel fundamental, apenas uma eficaz e eficiente estratégia de Marketing, reforçada por uma comunicação personalizada, destinada a um público-alvo específico – Banca, Business Angels, Capital de risco, potenciais sócios ou colaboradores –, permitirá passar a mensagem e garantir o sucesso na angariação de recursos.

Por último, na fase de startup, o Marketing é um factor crítico de sucesso, a empresa já existe e agora precisa de vender … e aqui apenas a correcta implementação, acompanhamento, monitorização e rectificação, quando necessário (se o ambiente externo ou interno mudar o empreendedor ou empresa não podem ficar colados ao papel), permitirá obter o sucesso desejado.

O Empreendedorismo e as competências empreendedoras, nomeadamente a criatividade, a inovação, a resiliência, entre outras, são igualmente uma mais-valia para o Marketing e o desempenho de qualquer empresa nesta área. O Marketing tem que ser, cada vez mais, um Marketing empreendedor, principalmente no ambiente dinâmico, mais competitivo e em constante mutação em que empreendedores e empresas estão envolvidos actualmente.

As metodologias e as ferramentas utilizadas são, em alguns casos, necessariamente diferentes, mas os objectivos a atingir são os mesmos: diferenciar, criar valor e permitir o desenvolvimento e crescimento das empresas.

Devemos assim apoiar esta relação, de enorme potencial, entre o Marketing e o Empreendedorismo, promovendo em consequência o desenvolvimento do nosso tecido empresarial.


[1] Tal como é visto e percebido pela IncubIT

 

Empreendedorismo?Porquê?Para quê?

Os principais agentes políticos, económicos e mesmo os ligados à educação falam de Empreendedorismo, da sua importância e da necessidade de o promover. Porquê e para quê? Afinal o que é e para que serve o Empreendedorismo?

A promoção do Empreendedorismo sempre foi importante, no entanto, na sociedade em que vivemos nos dias de hoje e em particular na situação económica actual é uma necessidade inegável, o Empreendedorismo é mesmo reconhecido pelos vários actores da sociedade como o principal motor do desenvolvimento económico e social. 

Importa realçar que o Empreendedorismo não se confina à criação de empresas, precisamos de Empreendedores tanto para criar empresas como para trabalhar por conta de outrem (intra-empreendedorismo).

Neste artigo, vou focar no entanto, o Empreendedorismo aplicado à criação de empresas, nomeadamente as micro empresas e PME´s. Portugal partilha uma realidade comum às restantes economias europeias. Como refere um estudo do IAPMEI (2008), as PME são dominantes na estrutura empresarial nacional, representando 99,6% das sociedades do país e criando ¾ (75,2%) dos empregos (sector privado). Efectivamente, as PME, nomeadamente as micro e pequenas empresas, assumem-se como pilar das estruturas empresariais, contribuindo para o desenvolvimento económico e social. A assumpção do risco por parte dos seus responsáveis, a flexibilidade e a inovação que as caracteriza, na busca consciente de soluções e na criação de emprego, determinam a sua importância.

Nem sempre foi assim, já em meados do século XX, vários economistas previam que as grandes empresas iriam ser dominantes, facto passível de ser explicado pela necessidade de dimensão para obter economias de escala, internacionalizar negócios e acompanhar o desenvolvimento tecnológico. Actualmente, constatamos que não é assim, a globalização tornou o conhecimento como o factor diferencial, as tecnologias de informação e comunicação facilitaram o acesso mais célere a todo o tipo de informação, o sector dos serviços ultrapassou o sector produtivo, as micro empresas e as PME´s, podem e fazem-no, actualmente, funcionando à escala global. As pequenas e médias empresas, são agora já responsáveis pelo maior índice de criação de emprego (Livro verde do espírito empresarial da Europa).

O universo das organizações, das empresas e consequentemente das pessoas, acompanha essa evolução e obriga-as a prepararem-se para aprender a agir com visão de futuro, fazendo uso da criatividade, da inovação, da liderança, conquistando o seu próprio espaço e ocupando-o com determinação.

Vivemos num mundo em grande mudança, este é definitivamente o “tempo certo” para as micro e PME´s, estas são, pela sua estrutura, dimensão, flexibilidade e dinamismo, e ainda pela assumpção do risco pelos seus responsáveis, geradoras de inovação. Em comparação, as grandes empresas pela sua dimensão e estrutura são lentas e com maiores dificuldades em se adaptarem a novas realidades e desafios e a nichos de mercado.

Acredito que todos podem ser empreendedores! Alguns nascem empreendedores, outros tornam-se empreendedores e outros ainda podem ser motivados para serem empreendedores criando a própria empresa ou trabalhando para terceiros. Temos definitivamente de criar condições para promover o Empreendedorismo, para desenvolver competências empreendedoras e assim apoiar a criação de micro empresas e PME´s. Esta é sem dúvida a resposta para o desenvolvimento económico e social sustentável que Portugal precisa.

Para criar e dinamizar uma cultura empreendedora, ainda incipiente em Portugal, é imperativo apostar na sensibilização para o Empreendedorismo e na Educação que visa promovê-lo e consolidar os seus eixos de acção, seja no âmbito (in)formal, seja no não formal, a todos os níveis.

“Muito do que se ouve sobre empreendedorismo está errado. Não é nada de mágico; não é mistério; e não tem nada a ver com genes. É uma disciplina e como uma disciplina pode ser aprendida.” – Drucker (1993)

 

 

Empreendedorismo e criação de empresas na sociedade actual

Como referi no artigo Empreendedorismo? porquê? Para quê?, Vivemos o “tempo certo” para as micro e PME´s, pois estas são, pela sua estrutura, dimensão, flexibilidade e dinamismo, assim como, pela assumpção de risco por parte dos seus responsáveis, geradoras de inovação.

Agora que já desenvolvemos a nossa veia empreendedora ou, como ouvi muito recentemente, que resolvemos “pular a cerca”, já temos uma ideia, ou melhor “a ideia” e percebemos que esta é uma oportunidade pois tem espaço no mercado. Vamos, agora, passar para a planificação do nosso negócio; isto é, vamos elaborar um plano de negócios.

 

E como pensamos o “negócio”? Que DNA terá a nossa empresa? Qual será a sua estrutura?

Para desenhar o nosso modelo de negócio, temos obrigatoriamente de o fazer tendo em conta a sociedade em que vivemos actualmente e o ambiente que nos rodeia, ambiente que se caracteriza, entre outros aspectos,

  • por um mundo de constantes e rápidas mudanças;
  • por uma incerteza e maior complexidade;
  • por uma, cada vez, maior competitividade local e global;
  • e pela situação económica e social actual.

Para assumir a flexibilidade e dinamismo fundamentais que referimos, devemos apostar claramente numa estrutura leve, numa dimensão reduzida, isto é, numa “máquina leve” e na especialização, focalizando-nos no nosso “core business”.

Uma estrutura leve obriga-nos a pensar num quadro fixo de colaboradores, limitado aos elementos essenciais; Para além disso, devemos, ser capazes de reunir os melhores profissionais em regime de freelancers, isto é, procurar os mais empreendedores, os mais empenhados e dedicados, numa relação de total transparência e sempre em relações “win-win”. Para isso, teremos de ser capazes de remunerar bem o trabalho desenvolvido. Se falarmos em concreto no sector de serviços, o que nos irá diferenciar será, sem dúvida, a nossa capacidade de gerar, produzir e gerir conhecimento; devemos, por isso, estar reunidos com os melhores dos melhores.

Devemos realizar o máximo investimento possível no nosso “core business”, no que fazemos bem ou muito bem, para perseguirmos a excelência, a especialização é cada vez mais determinante. Podemos e devemos desenvolver soluções que não sendo do nosso “core business” sejam respostas a desafios dos nossos clientes, mas para as desenvolver devemos ir estabelecendo parcerias com outros Empreendedores e empresas, que detenham as competências necessárias em cada caso, para garantir serviços/produtos de qualidade.

Quanto a custos fixos, devemos ainda questionarmo-nos se precisamos de um escritório tradicional “físico,”ou se fará sentido recorrer a uma oferta de serviços de escritórios virtuais, que facilite a utilização esporádica de postos de trabalho, de salas de reuniões e, ainda, de uma série de serviços partilhados a custos reduzidos; Estão também disponíveis serviços de secretárias virtuais, passíveis de gerir comunicação e a agenda, permitindo aos empreendedores e às empresas pensarem e dedicarem-se ao negócio.

Sozinhos, seremos sempre pequenos, pequenos demais. Estabelecer parcerias estratégicas irá permitir-nos desenvolver soluções com mais qualidade, entrar em novos mercados, obter melhores e mais diversificados canais de distribuição, assim como, aumentar a nossa credibilidade e notoriedade da marca.

É essencial, ainda, apostar numa presença digital, interna, optando quando possível por software opensorce ou sas (software as a service), que garanta a eficácia e a eficiência de uma plataforma tecnológica de suporte ao desenvolvimento das nossas actividades. Por outro lado, num pendor externo, optando decididamente por uma estratégia de marketing digital, que nos viabilize uma entrada mais rápida no mercado nacional ou nos mercados internacionais, com uma presença digital, podemos sem dúvida, mais facilmente alcançar uma projecção internacional.

Em resumo, devemos ter estruturas leves, pequena dimensão, custos fixos reduzidos e especialização no “core “business” complementados com o estabelecimento de parcerias, o “networking” e a presença digital. Trata-se de sugestões que não garantem sucesso; podem, isso sim, reduzir o risco sempre existente no processo empreendedor. Por último, o modelo de negócio é “a cereja no topo do bolo”, a forma como o desenhamos deve ser pensada “fora da caixa”; a criatividade e inovação devem estar na sua génese e os objectivos devem ser a efectiva criação de valor e a diferenciação. O próprio modelo de negócio deve ser objecto de reflexão permanente e, quando necessário, adaptado de acordo com os novos desafios e com o ambiente que nos rodeia, bem como, com a experiência acumulada e com os sucessos alcançados e erros cometidos, transformando fraquezas em forças e ameaças em oportunidades.

Empreendam e acima de tudo divirtam-se !!!

 

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