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Crise - Perigo ou Oportunidade?

A palavra crise é escrita em chinês com dois caracteres, um simboliza perigo e o outro, oportunidade. Como em tudo na vida, depende da perspectiva. O que representa para nós a crise? Perigo ou oportunidade? A perspectiva que escolhermos faz toda a diferença, para nós, para os que nos rodeiam e para Portugal!

Não digo que o perigo não exista; ele existe e é bem real. Ninguém nos deixa ignorá-lo pois é tema de notícia diária nos jornais, televisão, rádio e na web; o perigo é representado pela taxa de desemprego que não para de aumentar – a taxa total e, em particular, a taxa relativa aos jovens, a maior competitividade local e global, alterações no meio ambiente, desigualdade na distribuição do rendimento disponível, ... resumindo a uma só expressão tão utilizada nos dias de hoje, diria: a situação económica e social actual.

Devemos encarar este perigo como um sinal claro que de temos que entrar em Acção, de temos de explorar e potenciar a outra face da moeda – a Oportunidade. Muitas das oportunidades nascem aliás do perigo e do que é representado por ele e nele.

A minha perspectiva é, assim, a de que não ignorando o perigo, devemos claramente afectar os nossos recursos em direcção à oportunidade, procurando assim a criação de valor, emprego e riqueza.

Felizmente em Portugal começamos a ter cada vez mais quem olhe para a oportunidade em detrimento do perigo. Temos tido cada vez mais iniciativas de promoção do empreendedorismo, seja de Associações, Universidades e empresas, iniciativas provenientes da conjugação de interesses de particulares que integrem vários saberes e experiências num verdadeiro espírito de equipa em prol de objectivos comuns.

Iniciativas que visem a criação de empresas, mas também a empregabilidade, algumas permanentes e outras pontuais, como concursos. Destes últimos partilho dois exemplos muito interessantes, que visam tanto a procura de emprego, como a criação de empresas, o Master.spitch, iniciativa da Cidade das Profissões e o so you think you can pitch. Nas duas iniciativas mais do que um simples concurso, procura-se o desenvolvimento de competências transversais fundamentais seja qual for o projecto de vida.

Todos, nós temos de cumprir o nosso papel, seja o de desenvolver iniciativas, seja o de aproveitar essas mesmas iniciativas para construir o nosso futuro.

Tenho defendido o Empreendedorismo como uma das respostas à situação económica e social em que vivemos, Empreendedorismo por conta própria, mas também Empreendedorismo por conta de outrem e Empreendedorismo social, encaro o Empreendedorismo como uma atitude, resultante de conjunto de competências que todos nós temos, mais ou menos desenvolvidas e que nos cumpre desenvolver continuamente.

A verdade é que defendo também que, quando falamos de promoção de Empreendedorismo relacionado com a criação de empresas, devemos ter cada vez mais o cuidado de reforçar a ideia de Emprendedorismo sustentável, isto é, os fins não justificam todos os meios. Devemos promover a criação de empresas de uma forma sustentada, apoiando todo o processo, desde a fase da ideia, até à criação da empresa e mesmo depois disso, ou principalmente depois disso, na sua afirmação como negócio no dia-a-dia.

O perigo realmente existe; no entanto, se nos focarmos na oportunidade e procurarmos ajuda, para a sua exploração, junto de quem está devidamente preparado para o fazer em cada uma das fases do processo, o perigo tornar-se-á muito menor.

Aliando a oportunidade de que tenho vindo a falar com a mudança constante e cada vez mais rápida na sociedade actual, deixo-vos uma frase de Peter Drucker que utilizo regularmente:  "The entrepreneur always searches for change, responds to it, and exploits it as an opportunity.”

Saiam da vossa zona de conforto, Procurem as oportunidades que estão à vossa volta, Empreendam e divirtam-se!!!

 

Marco Lamas

Managing Partner da IncubIT e Docente no Ensino Superior na ESEIG e no IPAM, nas áreas do Empreendedorismo e Estratégia.


Licenciado em Relações Internacionais, Mestre em Educação, Doutorando em Educação e Empreendedorismo, sendo ainda no IPAM coordenador da Pós Graduação em Marketing & Empreendedorismo.

Trabalho desenvolvido nacional e internacionalmente em ambiente empresarial e em ambiente Universitário.

É Business coach certificado pela ECA (European Coaching Association), consultor de empresas e formador (certificado pelo IEFP e pelo Concelho Cientifico Pedagógico de Formação Contínua) nas áreas do Empreendedorismo, gestão, Estratégia, Balanced Scorecard e Desenvolvimento Humano, é ainda Formador de Formadores e Professores (Empreendedorismo e formação pedagógica Inicial de Formadores).

Colabora com revistas, jornais e portais, escrevendo artigos de opinião.

 

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