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Empreendedorismo?Porquê?Para quê?

Os principais agentes políticos, económicos e mesmo os ligados à educação falam de Empreendedorismo, da sua importância e da necessidade de o promover. Porquê e para quê? Afinal o que é e para que serve o Empreendedorismo?

A promoção do Empreendedorismo sempre foi importante, no entanto, na sociedade em que vivemos nos dias de hoje e em particular na situação económica actual é uma necessidade inegável, o Empreendedorismo é mesmo reconhecido pelos vários actores da sociedade como o principal motor do desenvolvimento económico e social. 

Importa realçar que o Empreendedorismo não se confina à criação de empresas, precisamos de Empreendedores tanto para criar empresas como para trabalhar por conta de outrem (intra-empreendedorismo).

Neste artigo, vou focar no entanto, o Empreendedorismo aplicado à criação de empresas, nomeadamente as micro empresas e PME´s. Portugal partilha uma realidade comum às restantes economias europeias. Como refere um estudo do IAPMEI (2008), as PME são dominantes na estrutura empresarial nacional, representando 99,6% das sociedades do país e criando ¾ (75,2%) dos empregos (sector privado). Efectivamente, as PME, nomeadamente as micro e pequenas empresas, assumem-se como pilar das estruturas empresariais, contribuindo para o desenvolvimento económico e social. A assumpção do risco por parte dos seus responsáveis, a flexibilidade e a inovação que as caracteriza, na busca consciente de soluções e na criação de emprego, determinam a sua importância.

Nem sempre foi assim, já em meados do século XX, vários economistas previam que as grandes empresas iriam ser dominantes, facto passível de ser explicado pela necessidade de dimensão para obter economias de escala, internacionalizar negócios e acompanhar o desenvolvimento tecnológico. Actualmente, constatamos que não é assim, a globalização tornou o conhecimento como o factor diferencial, as tecnologias de informação e comunicação facilitaram o acesso mais célere a todo o tipo de informação, o sector dos serviços ultrapassou o sector produtivo, as micro empresas e as PME´s, podem e fazem-no, actualmente, funcionando à escala global. As pequenas e médias empresas, são agora já responsáveis pelo maior índice de criação de emprego (Livro verde do espírito empresarial da Europa).

O universo das organizações, das empresas e consequentemente das pessoas, acompanha essa evolução e obriga-as a prepararem-se para aprender a agir com visão de futuro, fazendo uso da criatividade, da inovação, da liderança, conquistando o seu próprio espaço e ocupando-o com determinação.

Vivemos num mundo em grande mudança, este é definitivamente o “tempo certo” para as micro e PME´s, estas são, pela sua estrutura, dimensão, flexibilidade e dinamismo, e ainda pela assumpção do risco pelos seus responsáveis, geradoras de inovação. Em comparação, as grandes empresas pela sua dimensão e estrutura são lentas e com maiores dificuldades em se adaptarem a novas realidades e desafios e a nichos de mercado.

Acredito que todos podem ser empreendedores! Alguns nascem empreendedores, outros tornam-se empreendedores e outros ainda podem ser motivados para serem empreendedores criando a própria empresa ou trabalhando para terceiros. Temos definitivamente de criar condições para promover o Empreendedorismo, para desenvolver competências empreendedoras e assim apoiar a criação de micro empresas e PME´s. Esta é sem dúvida a resposta para o desenvolvimento económico e social sustentável que Portugal precisa.

Para criar e dinamizar uma cultura empreendedora, ainda incipiente em Portugal, é imperativo apostar na sensibilização para o Empreendedorismo e na Educação que visa promovê-lo e consolidar os seus eixos de acção, seja no âmbito (in)formal, seja no não formal, a todos os níveis.

“Muito do que se ouve sobre empreendedorismo está errado. Não é nada de mágico; não é mistério; e não tem nada a ver com genes. É uma disciplina e como uma disciplina pode ser aprendida.” – Drucker (1993)

 

 

Marco Lamas

Managing Partner da IncubIT e Docente no Ensino Superior na ESEIG e no IPAM, nas áreas do Empreendedorismo e Estratégia.


Licenciado em Relações Internacionais, Mestre em Educação, Doutorando em Educação e Empreendedorismo, sendo ainda no IPAM coordenador da Pós Graduação em Marketing & Empreendedorismo.

Trabalho desenvolvido nacional e internacionalmente em ambiente empresarial e em ambiente Universitário.

É Business coach certificado pela ECA (European Coaching Association), consultor de empresas e formador (certificado pelo IEFP e pelo Concelho Cientifico Pedagógico de Formação Contínua) nas áreas do Empreendedorismo, gestão, Estratégia, Balanced Scorecard e Desenvolvimento Humano, é ainda Formador de Formadores e Professores (Empreendedorismo e formação pedagógica Inicial de Formadores).

Colabora com revistas, jornais e portais, escrevendo artigos de opinião.

 

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