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Manuel Forjaz - Empreendedorismo



Manuel Forjaz é CEO da empresa IdeiaTeca Consultores e reconhecido, entre muitas coisas, pela vontade de viver. Prontamente o Manuel aceitou dar esta entrevista ao MKTPortugal e partilhar connosco a sua visão sobre alguns temas que o movem.

Para conhecer um pouco mais sobre a actividade profissional do Manuel Forjaz, basta visitar o seu perfil no Linkedin -  http://pt.linkedin.com/in/manuelforjaz

 

MKTPortugal - O Manuel é um claro defensor da boa imagem das pessoas. No mundo dos negócios, qual a importância de um profissional ter uma boa imagem e, antes disso, o que é isso de ter “boa imagem”, devemos começar todos a andar de fato e gravata?

Manuel Forjaz – É redutor pensar em fato e gravata como imagem; somos todos marcas, e a nossa marca também tem um mix;

  • Para o nosso Ethos, contribui o nosso autoconhecimento, o modo como nos apresentamos físicamente, como usamos sentidos e politesse para nos relacionarmos com os outros;
  • No Logos,  conta o que vamos dizer; como pensamos as coisas que gostamos, o que sentimos, como tomamos decisões;
  • Finalmente o pathos, o grupo onde nos inserimos e a quem nos dirigimos; o modo como nos adaptamos a cada circunstância social,
  • A inteligência social de Goldman é um elemento também crítico da nossa imagem; ou seja, tudo o que somos e como nos apresentamos, tudo o que fazemos e comunicamos e o modo como percebemos a sociedade que nos rodeia constrói a nossa marca pessoal.

Vestir preto ou branco, riscas ou liso, o pitch de voz, o nosso blog, o cabelo e as mãos, a coreografia gestual no discurso, a postura corporal, os cursos que frequentamo e matérias por que nos interessamos, as artes, a nossa acção social, os artigos que escrevemos nos media nacionais, tudo conta para a construção da marca pessoal. E hoje o mundo fornece-nos múltiplas plataformas para a construção da nossa marca. Mas ainda não são muitos os as sabem aproveitar.

MKTPortugal – Em diversas palestras que tem dado, destaca a importância de gerirmos, racionalmente, o nosso tempo e, definirmos o nosso futuro. Num mercado tão turbulento em que a “única certeza que temos é a incerteza” e as “depressões” tomam conta das pessoas, é possível seguir esse caminho? Que dicas pode dar a quem se encontra infeliz e insatisfeito com a vida?

Manuel Forjaz – Questões diferentes na mesma pergunta. O tempo da vida é limitado e a maioria vive a vida toda como se fosse viver para sempre. Esta percepção torna todas as decisões adiáveis. Não decidindo, escolhemos repetir rotinas, processos que nos criam uma confortável sensação de segurança e protecção. A rotinização por outro lado retira o nosso foco e atenção de nós próprios. Tudo é relacional, o sucesso, a predação social, a acumulação material são sempre projecções para fora. E esquecemo-nos da nossa essência, daquilo que nos essencialmente feliz.

Portanto para quem está infeliz e deprimido eu diria para começarem a pensar nelas próprias a conhecerem-se, e podem fazê-lo sozinhas ou pedindo ajuda a quem o sabe fazer. Com esse património do autoconhecimento, podem ser estabelecidos novos objectivos, novos rumos para a vida, mas só depois de reconhecermos e aceitarmos que somos todos diferentes.

Eu não sou um sábio como o António Câmara e portanto não posso ser cientista. Não tenho a determinação de Belmiro de Azevedo e portanto não poderei nunca ser um grande empresário. Não sou tão inteligente nem organizado nem bom líder como o António Mexia, e por isso nunca poderei ser Presidente da EDP. Mas isso não faz mal. Porque ser presidente da EDP não seria o mais importante contributo para a minha felicidade... Eu tenho a minha própria matriz e é essa que tenho de descobrir e descodificar num plano e rumo novos, que posso desenhar em cada momento da minha vida. E isso liberta-me.

MKTPortugal – Grande parte dos jovens sai das faculdades “formatado” para procurar emprego numa “grande” empresa, sendo isso sinónimo de ter um “bom emprego”. Sabendo à partida que o Manuel tem uma visão diferente, como define o “bom emprego”?

Manuel Forjaz – Um bom emprego é aquele onde se aprende todos os dias; onde temos espaço e liberdade para exprimirmos o que pensamos; onde nos afinam os pontos fracos e potenciam os fortes; onde crescemos vigorosa e sabiamente; onde temos um chefe que sabe mais do que nós e que nos inspira e motiva a fazer sempre melhor; num espaço onde rimos e para o qual adoramos ir todos os dias e de onde não queremos sair no fim do dia; finalmente onde tenhamoa a autonomia de sabiamente usarmos o noso tempo e completarmo-nos como cidadãos integrados num mundo cada vez mais complexo e onde vivemos múltiplos papéis;

MKTPortugal – Outra das características do Manuel, está ligada com uma forte atitude empreendedora e, até já assumiu publicamente que criou várias empresas que fracassaram. Para muita gente, fracasso é sinónimo de derrota e falta de competência. O que tem a dizer sobre isto e, qual o significado que devemos dar ao “fracasso” para quem anda no mundo dos negócios (em particular para os empreendedores)?

Manuel Forjaz – Só cai quem anda. Só chumba quem estuda. Só quem monta uma empresa vai à falência

Quem não quer nada, quem não vai a lado nenhum não falha. Mais, até pode acertar, porque mesmo um relógio parado está certo duas vezes por dia.

Portugal penaliza despedidos, maus alunos e empresários falidos. Jesus Cristo quem amava eram os pecadores. E foi Niall Fitzgerald depois de rebentar quase um bilião de dólares num fracasso humunguesco anti-Procter, quem foi contratado para ser número um da Unilever. Curiosamente só há uma classe de losers que em Portugal se põe sempre de pé....

MKTPortugal – Portugal já tem mais de 300.000 pessoas da geração NN (não estudam nem trabalham - entre os 15 e os 30 anos). Será a “crise global” uma fácil desculpa para justificar estes números ou, na sua visão, há questões sociais e culturais que resultam nestes valores (como por exemplo, a falta de atitude empreendedora)?

Manuel Forjaz – No essencial a vida ensinou-me que existem dois macro-grupos: os life takers e life victims; no primeiro grupo, onde me incluo, acreditamos que tudo o que nos aconteceu na nossa vida é da nossa responsabilidade; não há desculpas do meio familiar pobre, do pai alcoólico da má escola primária da falta de manteiga na mesa. Quem assim acredita é dona do seu futuro. Se tudo o que sou agora é da minha responsabilidade, tudo o que vou ser daqui em diante também o será.

Os life victims são os coitados, “ah pois a minha mãe...”, “sou gordo e careca...”; esses têm uma vantagem, são as vítimas sem poder para mudarem a sua vida; podem portanto continuar a usar estes acrónimos (NN), incluirem-se num grande grupo vítima duma qualquer transformação social e aceitarem placidamente o que quer que “a vida” lhes reserve. Normalmente acabam aviver de subsídios, sentem-se muito infelizes e deprimidos e queixam-se. Mas não mudam nada. E custam muito dinheiro.

MKTPortugal – Citando Peter Drucker , “a melhor forma de prever o futuro é criá-lo”. Acredita que é possível criarmos o nosso próprio futuro? Tem algumas dicas para partilhar?

Manuel Forjaz – Tudo é possível a todos. É nisto em que eu acredito. O Jaime queria ter uma média de 19 e conseguiu. E porque conseguiu está a licenciar-se no US. O Jorge, trabalhava numa multinacional de grande consumo e queria uma vida mais animada. Demitiu-se e depois de enviar 60 cartas acabou a tomar conta de uma escola de mergulho nas Caraíbas. E depois de mais escolas, e depois vai trabalhar em publicidade nos US. A Graça era infeliz numa secção dum armazém. Demitiu-se e hoje procura alternativas. Mas sorri. O Rodrigo quer ser CEO duma das 10 maiores empresas do mundo. Só precisa dum plano e da disciplina para o cumprir. E de ser aluno top na universidade da licenciatura;  e de falar 7 ou 8 línguas; e de tomar conta do corpo e do cérebro; e de ler tudo de Proust a Kawasaki; e de fazer um MBA em Harvard ou Insead; e de ser no MBA ser dos 5 melhores alunos; e de saber de marketing, liderança, vendas, etc.; e de ser capaz de subir a um palco e motivar audiências de 1 ou de mil; e de desenvovler skills sociais; e de tocar instrumentos…

Tudo é possível a todos, e se alguém duvida isto, leia. Está lá tudo.

MKTPortugal – Mudando um pouco de assunto. O Manuel tem presença assídua e activa no “mundo online”. Qual a importância que este “mundo” tem tido na sua vida, quer a nível pessoal quer a nível profissional? São ferramentas dais quais já não prescinde?

Manuel Forjaz – Em 1993 propus ao Carlos Bartolo e José Matoso então administradores da Bertrand lançarmos uma livraria online, dois anos antes da Amazon. J Faltou-me o talento para os convencer do valor desse investimento.

Gosto das redes. São ferramentas de aprendizagem, integração e geração de valor. Acompanham as transformações sociais permitindo a geração de novos modelos de entendimento diminuindo algum do isolamento crescente que afecta a vida nas cidades.

MKTPortugal – Outro tema que não poderíamos deixar de abordar é do evento TEDx O´Porto. O que podem esperar as pessoas de um evento com estas características?

Manuel Forjaz – Vai ser um dia maravilhoso. Mais de mil pessoas durante um dia a ouvirem brilhantes oradores, muitos internacionais, transmitirem-nos “ideas worth spreading”; em sessões de network únicas no formato e no valor que se extrai; com um programa social desafiante, divertido e surpreendente. Num momento de inspiração colectiva em prol duma vida, dum mundo, dum futuro melhor para todos. Pena é termos tão poucos lugares livres para as mais de 12 mil inscrições, so far. Mas ainda equacionamos a transmissão online. Para o ano se calhar temos de fazer isto no Dragão....

MKTPortugal – Durante a nossa pesquisa, reparamos num detalhe muito curioso no site da sua empresa - http://www.ideiateca.com/ . Sabendo através de estudos que as empresas perdem os seus clientes, 69% das vezes por mau atendimento ou, pela falta dele, a Ideiateca Consultores pede aos seus seguidores para enviarem para o seu e-mail, as suas histórias sobre o tema – “Já foi mal atendido hoje”. Qual a importância desta acção para a empresa?

Manuel Forjaz – Ainda não tem a importância que deveria ter e que agora vai crescer exponencialmente. A crise retirou a possibilidade dos crescimentos estáveis e duradouros ao longo de anos e portanto as vendas aguentar-se-ão só á custa de captação de quota de mercado dos concorrentes, o bolo não chega para todos.

E com a saturação dos media a publicidade é menos eficaz. Com o domínio dos consumidores na mão dos distribuidores cada vez há menos espaço para produtos novos. E com a falta de novidade não há motivo para mudar de marca, se não explodir uma nova guerra de preços.

E se todos sabemos que a maioria das decisões dos consumidores se toma no ponto de venda será neste que a guerra pelo consumidor vai acontecer. E a qualidade do atendimento pode fazer toda a diferença como bem o demonstra extensa investigação científica.

MKTPortugal – Alguma mensagem final?

Manuel Forjaz – Não se queixem. Assumam o controlo sobre a vossa vida. Acreditem que são capazes e que o futuro é o que vocês quiserem. Nunca parem de aprender e experimentar. E finalmente, se não conseguirem fazer o bem a outro, tentem pelo menos não fazer o mal.

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