AUTENTICAR

Educação em Empreendedorismo

 

Numa época em que tanto de se fala de Empreendedorismo, da sua importância e na necessidade de o incentivar, penso que se impõe clarificar o que é realmente indispensável à sua promoção.

Defendo que a promoção de um ambiente verdadeiramente dinamizador do Empreendedorismo deve ser baseada e sustentada num programa integrado de nível nacional que integre vários actores relacionados directa ou indirectamente com o Empreendedorismo, num núcleo mais próximo, em plena articulação com os agentes educativos nos vários níveis de ensino, desde o ensino básico até ao ensino superior. Falo de um apoio permanente de entidades ligadas à consultoria e de um apoio técnico necessário aos empreendedores; devem ainda integrar este núcleo mais próximo, as entidades que disponibilizem infra-estruturas como incubadoras, ninhos de empresas e centros de escritórios que viabilizem às empresas nascentes gerir estruturas de custos fixos reduzidas, assim como, usufruir de serviços partilhados. Por último, considero também o financiamento de novos projectos e o papel que o Governo pode ter na criação de condições para que a Banca volte a financiar as microempresas e as PME´s. Entendo ainda que a Capital de Risco e os Business Angels devem assumir o seu papel decisivo e ainda que as entidades gestoras dos sistemas de incentivos possam agilizar e facilitar, não apenas as candidaturas e a sua aprovação, mas também o desbloqueio de verbas após a aprovação.

Neste artigo, vou no entanto focar-me na Educação em Empreendedorismo, um eixo central e fundamental na promoção de uma cultura Empreendedora que não se prende única e exclusivamente com a criação de empresas. As directrizes europeias e nacionais, que têm vindo a ser divulgadas recentemente, não nos permitem esquecer a importância da educação para o empreendedorismo. Por outro lado, as teorias, que enquadram esta temática e propiciam a sua investigação, têm levado à criação de acções de formação e cursos oferecidos aos vários níveis do ensino (básico, secundário e superior).

É urgente dinamizar de forma persistente e sistemática – a educação em empreendedorismo –, sempre numa atitude de melhoria, numa perspectiva mais abrangente e consolidada. Na minha opinião, a educação para o empreendedorismo cria, pela sua natureza, uma cultura educacional que concebe o conhecimento numa dinâmica transformadora e evolutiva, em constantes adaptações e, por isso mesmo, inovadora, exigindo eficácia e eficiência na construção e reconstrução dos saberes, na sua reorganização e adequação, desencadeando uma nova concepção da aprendizagem que se pretende contextualizada, activa e activante, geradora de sustentabilidade.

Sexton & Bowman, já em 1984, defendiam que a educação para o empreendedorismo tem de ser considerada como uma extensão do empreendedorismo, um envolvimento contínuo numa reflexão que desencadeie a relação teoria/prática/teoria.

Por tudo isso, defendo a tese de que é a educação em empreendedorismo que importa difundir – uma educação mais abrangente que abarque o âmbito geral da educação – formal, não formal e informal, que se implemente na educação de uma forma geral e abrangente, envolvendo todos os níveis e todos os sectores, devidamente assente nos quatro eixos – o saber, o saber fazer, o saber ser, o saber estar – a cultura empreendedora.  

O empreendedorismo, pela sua natureza – acção, inovação, criação de serviços e produtos –, tem forçosamente de fazer parte da educação geral. Importa que cada aluno desenvolva estas dinâmicas seja em que situação profissional for; por conta própria ou por conta de outrem; cada um de nós tem de agir, sendo convidado a inovar, e a criar, é chamado, no desempenho da sua profissão, a criar serviços e produtos.

Acredito, ainda, que as dimensões que caracterizam o empreendedorismo, por elas próprias, reforçam a dinâmica educativa, na medida em que ajudam a desenvolver o espírito de autonomia, de iniciativa, de decisão, de criatividade, de inovação do indivíduo. Assim, a educação para o empreendedorismo evidencia as dimensões gerais da intervenção, pelo apelo à comunicação e à acção.

Com base em Cooney (2010), proponho uma aposta forte na educação para o empreendedorismo, conduzindo ao desenvolvimento de competências empreendedoras, desde muito cedo, aproveitando as características do ser humano que lhe podem servir de base sustentadora – a criatividade, a inovação, a capacidade de medir o risco, a aptidão para reconhecer e explorar oportunidades, a curiosidade, a propensão para a construção e utilização de redes –, bem como os conhecimentos e habilidades que, ao longo da sua formação, se podem e devem propiciar. Importa começar cedo, logo a partir dos primeiros anos da escola do ensino básico, perpetuando essas condições propiciadoras ao longo da formação. Importa, ainda, que a atitude empreendedora esteja sempre presente no âmbito geral da educação, na educação em geral, e que, sempre que for o caso, a educação em empreendedorismo, suscite as potencialidades empreendedoras do indivíduo, abrindo portas para que especialistas empreendedores possam emergir e actuar.

É desta postura que nasce o modelo de educação em empreendedorismo que defendo. Este modelo de educação em empreendedorismo está alicerçado na oferta de programas de desenvolvimento de competências empreendedoras. Trata-se de um modelo encarado como um processo integrado, considerando como ponto de partida as seguintes perguntas: What?; How?; Who?; e Where?.

What: Promover comportamentos e mentalidades empreendedoras; incentivar a motivação e liderança; incentivar à criatividade, inovação e capacidade de pensar ‘fora da caixa’; desenvolver competências de gestão de complexidade e imprevisibilidade, competências básicas de gestão e finanças; identificar oportunidades, como criar e expandir empresas; desenvolver competências de negociação; desenvolver relações, redes de contactos e capital social.

How:  Através de Pedagogias de ensino-aprendizagem interactivas e centradas no aluno; projectos e programas multi-disciplinares; concursos de planos de negócios, jogos, simulações e estudos de caso; uso intensivo de ferramentas digitais, vídeo e multimédia; recurso a novas metodologias como aprender-fazendo, aprendizagem experiencial/laboratórios (tentativa e erro), participar em projectos, estágios em start-up(s), processos de mentoring e business coaching, interacções com empreendedores; Incentivo à aprendizagem ao longo da vida.

Who:  Alunos e formandos, professores do ensino básico, secundário, profissional e do ensino superior, formadores e directores/gestores de entidades formativas e educativas, gestores e líderes de outros sectores, empreendedores, mentors e coachers.

Where:  Sistema educativo formal em todos os níveis (básico, secundário, profissional e superior), em todas as disciplinas; sistema educativo informal, centros e entidades de formação, centros comunitários, ONG´s, autarquias e empresas.

 

Partindo de uma análise do contexto socioeconómico actual, verifico que se impõe oferecer experiências e conteúdos que criem o ambiente necessário para as pessoas, no sentido mais abrangente possível, serem suficientemente flexíveis e, daí decorrente, abertas a lidar com a mudança, aproveitando, deste modo, a oportunidade para que possam dar-se bem com os desafios com que se deparam a cada dia.

Finalizo reforçando a minha opção por uma educação em empreendedorismo, o que me leva a empenhar continuamente em contribuir com a experiência prática, o aconselhamento, o conhecimento em acção, o capital social, recorrendo a programas conjuntos, procurando proporcionar valor acrescentado, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos, seja de forma experiencial, promovendo resultados de qualidade, seja de forma reflexiva, fazendo avançar a teorização e investigação sobre o tema.

 

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