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Impacto do Marketing Digital nas organizações

Impacto das redes sociais nas organizações

Na verdade, o impacto do Marketing Digital nas organizações, vai muito para além da relação entre as Marcas e os seus clientes. Um dos princípios do Marketing (e por consequência do Marketing Digital) é a criação de valor para todos os stakeholders e, no ambiente digital, é possível explorar novos modelos para esta criação de valor.

Se pensarmos nas empresas como um todo, há um player que nunca deveria ser "desprezado" e muitas vezes é - o cliente interno (colaboradores da empresa).

Atualmente já muitas empresas criam "espaços digitais" restritos, com o intuito de aumentarem a proximidade e potencializarem o relacionamento entre as equipas. Estas redes também são fundamentais para incentivar a partilha de conhecimento entre as várias áreas da empresa.

Para que a utilização destes meios tenha o resultado esperado, é fundamental que as organizações apostem na formação para que toda a equipa esteja em sintonia com a estratégia previamente definida. Relembro que o Marketing pode ser definido como uma função organizacional ou seja, vai muito para além de um departamento ou de um diretor que define “um caminho” para a empresa. Idealmente, os processos de Marketing envolvem todas as outras áreas da empresa, cada uma na sua função.

Através dos meios digitais orientados para as equipas, entre muitas outas coisas, podemos:

  • Motivar e Incentivar os colaboradores a partilharem conteúdo relevante para a empresa, envolvendo-os no processo de Marketing
  • Acompanhar as iniciativas da concorrência
  • Acompanhar os clientes, na esperança de conseguirmos antecipar necessidades e de encontrarmos pontos comuns
  • Formar equipas através da partilha de conteúdo pedagógico
  • Melhorar o espirito de grupo e bom ambiente no local de trabalho
  • Manter as equipas informadas e alinhadas com os valores da organização

Tudo isto leva a que o conteúdo seja gerado pelas próprias pessoas e cada colaborador acaba por se tornar membro ativo e participativo na evolução da organização. Quem constrói as empresas são as pessoas por isso, pessoas envolvidas e motivadas, dão origem a empresas melhores e mais dinâmicas.

Impacto do Marketing Digital no processo de segmentação

São diversas as áreas do Marketing que sentiram um verdadeiro impacto com o crescimento do mundo digital. Se pensarmos por exemplo nos processos de segmentação, temos que reconhecer que o digital veio facilitar muito a vida dos profissionais de Marketing (ou não, depende do ponto de vista!).

Em muitos sectores já assistimos ao processo de "auto-segmentação" em que os consumidores organizam-se em grupos e fóruns com interesses comuns. É este o grande motivo que leva determinadas Marcas a investirem, por exemplo, em bloggers especializados em determinadas áreas. Os profissionais de Marketing, podem assim dirigir as suas mensagens de forma mais eficaz e direcionada, enfrentando o grande desafio de fazer com que as Marcas façam parte da comunidade e não sejam apenas um “mensageiro”, que não interessa a ninguém.

Podemos, a título de exemplo, comunicar os benefícios de um modelo de automóvel num fórum de amantes de bicicletas ou num grupo de empresários, com mensagens distintas, diferenciando os atributos do produto em função do segmento identificado. No primeiro caso o segmento poderá valorizar mais o espaço e no segundo o "status" que o produto transmite.

Esta realidade obriga as Marcas a estarem constantemente atentas às oportunidades para que de forma criativa e direcionada, possam fazer chegar aos seus clientes a tão apregoada proposta de valor.

Os processos de análise são constantes e devem contribuir para melhorar todo o processo operacional, no Marketing Digital não pode ser de outra forma.

Na verdade, muitas organizações simplesmente não estão preparadas para lidar com esta nova realidade.  Há empresas que são demasiado “pesadas” para reagir às oportunidades do mundo digital e há empresas que simplesmente não são sociais nem têm capacidade para o serem no curto prazo. Digamos que tradicionalmente são empresas pouco próximas das pessoas. 

As redes sociais como momento de reflexão!

O ponto positivo é que para muitas organizações, as redes sociais, que é um dos primeiros pontos de contacto com o mundo digital, estão a ser o motivo para repensarem o seu modelo organizacional tendo em conta que o excesso de exposição as preocupa. Pela primeira vez, muitas empresas estão verdadeiramente a ter em consideração a opinião dos seus clientes.

Se uma empresa tem muitos seguidores a manifestarem um descontentamento comum, pode focar-se mais na solução e menos no problema porque, provavelmente, o problema, ou pelo menos parte dele, está identificado. É preciso perceber que um cliente que manifesta a sua opinião, mesmo que negativa, provavelmente é um cliente interessado e isso deve ser encarado como uma oportunidade para as empresas

As empresas não sociais ignoram por completo todos os comentários achando que são “donas da razão”. As empresas ditas sociais, ativam processos para destacarem o que é importante e aprenderem com isso. No fundo, melhoram e interpretam cada comentário como uma oportunidade de evolução (obviamente que me refiro a comentários construtivos. Não faz sentido perder tempo com os restantes).

Reforço que a interação e a comunicação bilateral torna-se muito mais valiosa do que a comunicação unilateral todavia, a organização tem que estar preparada e estruturada para gerar e gerir estas conversas.

Toda a presença digital, para gerar resultados, tem que ser encarada com seriedade visto que muitas vezes são o primeiro ponto de contacto da organização, contudo, saliento que “quando não sabemos para onde estamos a ir, qualquer caminho serve”.

Se não souber quem deve ficar responsável pela presença digital da sua Marca responda à questão – “Quem seria a pessoa indicada na sua organização para dar a cara numa entrevista para a televisão, que vai passar em horário nobre? “

Provavelmente, mesmo podendo haver uma equipa integrada no processo, essa mesma pessoa deve ter um papel ativo na presença digital da Marca.

Obviamente que o Marketing Digital tem causado mais impacto nas organizações, nomeadamente no que diz respeito aos investimentos, à obtenção de financiamento, à criação de novos modelos de negócio, aos processos de recrutamento e identificação de talentos, ou simplesmente à forma como se trabalha a perceção na mente do público-alvo. Iremos refletir também sobre estes temas mas ficará para depois, para uma outra abordagem diferente.

Paulo Morais

É atualmente responsável pela Follow Reference: Digital Health & E-business, onde tem desenvolvido grande parte do seu trabalho colaborando com Marcas de referência.

Mestre em Gestão de Marketing e pós-graduado em Direção de Marketing e Vendas pelo ISCTE.

Coordenador da Pós Graduação em Marketing Digital e Ebusiness da ANJE/UMINHOEXEC, docente na Pós-graduação em Marketing Digital e Comércio Eletrónico do ISVOUGA e Docente na Pós Graduação em Gestão de Marketing do IPAM.

Defende que só é possível acompanhar a dinâmica dos mercados se estivermos constantemente em “modo de partilha” razão pela qual criou o Marketing Portugal, um espaço de referência para partilha de conhecimento e debate de ideias sobre Marketing.

 

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