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Os novos paradigmas dos negócios online

Numa economia em plena mudança de paradigmas, muito se fala actualmente no meio digital como forma de sucesso das organizações.

Os governos vêm nesta área, uma aposta em medidas de incentivo às empresas para a criação e promoção de novos negócios, e as empresas sentem a área como o talismã que todos ambicionam mas não compreendem muito bem qual a melhor forma de a incorporarem na sua estratégia de negócio.

De facto, o meio digital e os modelos de negócio que este pode proporcionar, é deveras capaz de potenciar um futuro diferente para muitas empresas, que se sentem obrigadas a reinventar o negócio, ou pelo menos a forma como o farão de futuro. 

O mesmo acontece com todos o indivíduos que procuram novas oportunidades de trabalho ou de negócios, já que nunca foi tão fácil como hoje, o desenvolvimento de novos projectos com base em tecnologia e, claro está, estratégia digital.

Esta mudança de paradigma abre um caminho, que há muito se fala, para negócios de e-commerce, podendo alavancar vendas de produtos ou serviços ao nível mundial e com custos relativamente reduzidos ou controlados.

Quando estamos perante uma intenção de avançar com uma plataforma de e-commerce, é importante perceber que o desenvolvimento de um modelo de negócio é a base do projecto e não, como em muitos casos se percebe, que a raiz do projecto partiu de uma plataforma pré-concebida e vendida com total ausência de estratégia.

Em cada produto, serviço ou instituição não basta simplesmente fazer um "copy & paste" do modelo de negócio já desenvolvido offline para o meio online. É importante perceber que factor de diferenciação vai existir também neste meio, isto é, o que vai fazer com que o cliente ultrapasse as barreiras inerentes a um processo de compra online.   

Já que falamos em cliente, quando pensamos em comércio online, tal como no offline, o foco tem que estar 100% centrado no consumidor. 

Nesse sentido, torna-se importante caracterizar o seu perfil, como forma de compreender quais as suas motivações e barreiras num processo de compra à distância.

A economia digital revolucionou completamente a forma como os indivíduos se comportam mediante um processo de consumo, permitindo-lhes o acesso rápido a inúmera informação.

Deste modo, a geração actual de consumidores online vive num mundo hiper-conectado (sem tempo), é mais atenta, mais informada e mais envolvida com as marcas e processos de aquisição das mesmas. 

A sua exigência vai para além da compra e com naturalidade acaba por forçar a criação de novos produtos.

Por outro lado, quer relacionar-se com a marca (reclamar, conversar, elogiar), e tem por hábito fazer comparações constantes das características dos produtos, preços e serviços associados. 

Porém, o consumidor online não considera apenas o preço decisivo; a promessa, o conteúdo, a expectativa e a experiência que a marca oferece são decisivos para o impulso ao consumo.

As marcas com operações de e-commerce oferecem cada vez mais informação online acerca do seus produtos. No entanto, a maioria não entende que, tal como no comércio tradicional, está centrada essencialmente na venda do produto, e não nos efeitos que este terá na vida do consumidor.

Na venda do produto online, a marca tem que ir mais além, criando conteúdo e mecanismos que ajudem o consumidor a perceber o impacto daquele produto na sua vida. Isto é,  em última instância, a marca deve influenciar o consumidor a sonhar com o universo de vantagens e potencialidades que determinado produto pode proporcionar. 

Por mais informação que marca disponibílize que fale directamente acerca das características técnicas do produto, os consumidores online procuram acima de tudo informação independente, ou seja, informação dada por outros consumidores com experiência na aquisição ou contacto com o produto/marca.

A capacidade que o meio online tem para proporcionar a qualquer indivíduo o poder de decidir acerca da marca, dá-lhe poder para se informar, avaliar e emitir opiniões, positivas ou negativas, de forma rápida, fácil e eficaz, que se traduz num efeito amplificador da comunicação.

Para além de tudo o que já foi exposto, o consumidor digital nunca esteve tão cómodo nas diversas fases do processo de compra, como está actualmente. Na comodidade do sofá de sua casa, pode analisar e comparar todas as ofertas disponíveis, efectuar a compra e receber a encomenda em casa. 

No entanto, apesar do aumento significativo dos números referentes ao comércio electrónico, é de considerar que ainda existem algumas barreiras que carecem de soluções. A segurança ao nível de pagamentos, apesar de haver cada vez mais e melhores mecanismos de controlo, é ainda um dos principais factores de dissuasão da compra online. A imensa contra-informação, os custos elevados do processo de logística quase sempre imputados ao consumidor final, a indefinição das políticas de trocas e devoluções, bem como a falta de transparência de muitos negócios desenvolvidos no meio, criam ainda um efeito psicológico negativo no consumidor que o impede de efectuar compras de grande implicação.

Apesar disso, esta é a verdadeira oportunidade para consumidores e empresas que procuram a expansão de negócios e melhores oportunidades.

Torna-se importante fazer uma fusão total entre o modelo de negócio online e toda a cadeia de stakeholders que envolvem o projecto, pois o seu sucesso online é o resultado de um produto, serviço, comunicação e distribuição desenvolvidos especificamente para aquele meio.

Reparo muitas vezes na vontade de empresas avançarem para a aventura de venda online, que em grande parte é centrada no consumidor final, sem aparentemente perceberem que o sucesso dessa operação depende de um ou mais factores de diferenciação e que a mesma possa ser escalável em termos geográficos.

É de extrema imaturidade alguém pensar que lança uma loja online para vender geográficamente apenas no seu país, no entanto, cometem-se ainda muitos erros destes, que à posteriori resultam em plataformas quase inactivas ou em custos de operações logísticas que inviabilizam por completo o sucesso do negócio.

Pensar o negócio estratégicamente é colocar objectivos que permitam uma rentabilidade e lucro tal como num negócio tradicional, é adaptar os recursos humanos, tecnológicos, de produtividade e criatividade de forma a responderem eficazmente ao novo meio. Impulsionar as vendas, potenciar a participação das comunidades online na criação de novos produtos ou novas ideias para o negócio, bem como, desenvolver uma política activa de acção ao nível do social media, são factores essenciais para uma estratégia de negócio online, quer seja B2C ou mesmo B2B.

Para os mais curiosos que queiram compreender melhor a essência do futuro dos negócios online, sugiro a leitura do livro "A Cauda Longa" do autor Chris Anderson. 

 

João Miguel Lopes

Licenciado em Gestão de Marketing pelo IPAM, é um dos responsáveis pela empresa e pelas áreas de marketing e consultoria da Dreamlab Digital Story Makers.


Percurso formativo em áreas como Marketing Estratégico, Brand Copy, Escrita criativa Digital e Social Network Copy, iniciou o seu percurso profissional em publicidade e comunicação social, trabalhando com agências e produtoras de conteúdos.

Actualmente, é também docente das cadeiras de Web copywriting e E-content na Pós Graduação de Marketing Digital do IPAM, e exerce também a actividade de consultor e formador na área de Marketing Digital para associações empresariais em Portugal.

Com experiência na área de Marketing Digital, nomeadamente, nas vertentes Web, Vídeo e 3D, na sua actividade profissional tem desenvolvido projectos de Digital Branding para entidades públicas e privadas nos segmentos B2B e B2C.

1 comentário

  • jonas
    jonas 23-05-2013 Ligação de comentário

    Olá João,
    meus comprimentos pelo artigo ele esta muito bom, realmente a tecnologia assim como extinguiu algumas profissões criou outras profissões novas, alem de um novo modelo de economia que é a economia digital entre outras revoluções, tudo em meno de 100 anos o que convenhamos chega a ser impressionante.

    Um abraço

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