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Potencial da Web na Segmentação do Mercado

Não é novidade nenhuma para  ninguém (embora muitas Marcas não o façam) que segmentar o mercado é fundamental. Não conseguimos agradar a todos e os nossos Produtos não satisfazem toda a gente como tal, temos que definir que “target” pretendemos “atingir” com as nossas acções de Marketing(que obviamente nos ajuda a definir quais as ferramentas com maior potencial de eficácia).

“Não sei qual é o segredo do sucesso mas sei que o segredo do fracasso é querer agradar a todos”

(John Kennedy)

 

Os principais critérios de segmentação são:

  1. Critérios Geográficos
  2. Critérios Demográficos
  3. Critérios Psicográficos
  4. Critérios Comportamentais

Não vou aprofundar muito este tema visto que há muita literatura e informação sobre o assunto. Poderão explorar mais na página - Wikipedia – Segmentação do Mercado. Este apontamento serve para se reflectir sobre os processos de segmentação na era do digital . Como refere Jeff Jarvis, o mercado de massas morreu, agora vivemos na era dos nichos de mercado. Para Kotler, um nicho é um grupo definido mais estritamente, é um mercado mais pequeno cujas necessidades não estão satisfeitas. Os “nichos” correspondem a grupos mais pequenos que geralmente atraem menos concorrência do que o segmento. Embora não aborde a extinção do mercado de massas de uma forma tão radical, tendo em conta que considero que a comunicação em massa, ainda pode auferir bons resultados (desde que seja diferenciadora), concordo em grande parte com Jeff Jarvis, principalmente quando estamos a falar de Marketing Digital. Um director de Marketing de uma Marca (seja ela qual for), tem como obrigação segmentar o Mercado porém, no ambiente digital (e mesmo fora dele) pode ir muito mais longe com o intuito de se aproximar do seu público-alvo. Se a arte de partilhar é uma decisão estratégica que nos aproxima e promove o relacionamento, comunicar o que o nosso público-alvo quer ouvir desperta atenção, interesse, desejo e conduz à acção (o tradicional método A.I.D.A).

Como comunicar o que as pessoas querem ouvir?

Embora no ambiente tradicional a identificação de nichos também seja uma mais-valia, vamo-nos focar no ambiente digitalque veio facilitar a vida dos profissionais de Marketing porém, importa relembrar que a população não está toda na WEB (há muito mercado por explorar no offline). Passos a seguir para comunicar o que as pessoas querem ouvir:

  1. Fazer uma pesquisa sobre comunidades de interesse na WEB
  2. Identificar atributos do produto/serviço que correspondam aos desejos destas comunidades
  3. Procurar entrar na comunidade e conquistar a sua confiança
  4. Identificar nichos dentro das comunidades com comportamentos, necessidades e desejos similares
  5. Comunicar de forma personalizada as soluções disponíveis para resolver os problemas da comunidade (atenção: não são os seus problemas que tem que resolver, são os da comunidade. Certifique-se que não cai no erro de comunicar o que não interessa)

O exemplo prático

Se eu trabalhar no sector automóvel posso identificar uma comunidade de fotografia e decidir criar um produto ou desenvolver uma parceria para, por exemplo, colocar uma mala de transporte de material fotográfico embutida na bagageira do carro. Um detalhe que nos permite comunicar algo de interesse para este "nicho".

Da mesma forma, com o mesmo automóvel, posso comunicar com os amantes de bicicletas ou com os apaixonados pelas ondas e mostrar o quão útil e espaçoso é o meu produto para estes nichos.  Este pode ser um atributo a comunicar pela Marca que transmite ter a solução para um problema identificado junto deste público em particular (dificuldade em transportar o seu material desportivo - bicicletas e pranchas de surf). Podemos ainda ir mais longe e identificar pequenos grupos dentro destas comunidades, nichos ainda mais pequenos. Na comunidade de fotografia podemos diferenciar os profissionais e os amadores, nos amantes de bicicletas temos os que gostam mais de todo o terreno e os que gostam de estrada, etc. Nos apaixonados das ondas encontramos praticantes de surf, longboard ou bodyboard (com necessidades distintas). Podemos e devemos “afunilar” o nosso processo de segmentação com o intuito de conhecer o nosso receptor como ninguém. Procurem responder à seguinte questão: "O que pode o meu Produto/Serviço fazer por esta comunidade?" Depois de encontrarem a resposta, criem uma mensagem forte com ênfase nos atributos que acrescentam valor, apenas esses interessam (o resto surgirá naturalmente). Vejam que desta forma estamos a comunicar sobre algo que interessa ao nosso público-alvo e à comunidade. Vamos gerar “buzz”em torno da nossa Marca e cada mensagem criada é dirigida a um grupo de pessoas específico, com características, desejos, necessidades e interesses comuns que ainda estão por satisfazer.

A comunidade é que decide se aceita a Marca

As Marcas não têm o controlo da comunidade porém, podem fazer parte dela. O segredo é sempre o mesmo – acrescentar e criar valor. A principal vantagem de segmentar o mercado de forma pormenorizada é evitar o desperdício. Racionalizamos o investimento em comunicação e desenvolvemos mensagens altamente focadas com maior perspectiva de retorno. Não há nada mais eficaz do que falarmos sobre o que nosso público-alvo quer ouvir. Para finalizar, importa reforçar a ideia de que este tipo de comunidade é sensível a “ataques comerciais”. A Marca tem que ganhar confiança para pertencer à comunidade antes de assumir que o que diz é o que interessa. É obrigatório saber escutar antes de falar. Boa segmentação!

Paulo Morais

É atualmente responsável pela Follow Reference: Digital Health & E-business, onde tem desenvolvido grande parte do seu trabalho colaborando com Marcas de referência.

Mestre em Gestão de Marketing e pós-graduado em Direção de Marketing e Vendas pelo ISCTE.

Coordenador da Pós Graduação em Marketing Digital e Ebusiness da ANJE/UMINHOEXEC, docente na Pós-graduação em Marketing Digital e Comércio Eletrónico do ISVOUGA e Docente na Pós Graduação em Gestão de Marketing do IPAM.

Defende que só é possível acompanhar a dinâmica dos mercados se estivermos constantemente em “modo de partilha” razão pela qual criou o Marketing Portugal, um espaço de referência para partilha de conhecimento e debate de ideias sobre Marketing.

 

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