AUTENTICAR

SOCIAL MEDIA, 1, 2, 3...vou ver isto outra vez!

Imaginemos que, por trás deste texto se encontra uma estratégia bem delineada, objectivos escorreitos, percursos tácticos alinhados como deve ser e capacidade operacional de escrita de excelente nível. Tudo isto pode ser deitado por terra por força de um qualquer impulso irreflectido, empurrado pelo vício e pela febre de «twittar» que, literalmente, é capaz de nos comer vivos. Esta manhã, aberto o LinkedIn, podia ver-se – no meu sítio – uma notícia oriunda de um profissional que exerce cargo hierarquicamente poderoso, numa das 8 estruturas desiguais, que compõem um colectivo de 1450 pessoas. Explicitamente, podia seguir-se o rasto a um PDF de 6 páginas, onde se contava a história de uma fusão difícil, que tem vindo a ser negociada desde Setembro de 2008 e que, parece, finalmente concluída. O comentário que «linkei» minutos após a fonte ter drenado o texto na «rede» chamava a atenção para a elevada complexidade do conteúdo! Obviamente, o PDF desapareceu, em seu lugar foram colocados «links» para jornais «online», que haviam recortado o original segundo métodos e técnicas adequadas, aparentemente assépticas. Este pequeno parágrafo, real q.b., toca em dois pontos sensíveis dos «social media»: primeiro, a questão comunicacional; depois, a importância do «face-to-face». A minha declaração de interesses é rápida e informal: Sou a favor da inserção dos profissionais no circuito «social media»; tenho conta no «facebook» para não desiludir meia dúzia de amigas e conhecidos; sou primitivo evangelista do «twitter», ferramenta de utilidade incomparável em actividades de instrução & educação; mantenho diariamente, uma a duas horas vivas nos vários espaços «LinkedIn», que vou rodando à medida que a minha vida profissional se vai reorientando em volta do SOL.

Regressemos aos factos; o meu amigo não resistiu ao apelo de dar a notícia em primeira-mão, diamante bruto por lapidar, navegando numa onda de comunicação selvagem, que sabe tão bem qual grito de independência e de poder na ponta do teclado. É este tipo de notícias que enchem o ego de qualquer um, independentemente do nível e patamar da localização no organigrama. Seguramente, no seio do grupo dirigente que negociou tão melindrosa fusão, não faltaria quem quisesse ser o primeiro a dar novas do sucesso. O meu amigo chegou primeiro às ondas do «twitter», quem estava na lista do «mobile» fez multiplicar por «miles» e «miles» as mensagens que levaram, a tantas e tantos, os paradoxos de tranquilidade e preocupação que fazem parte da reinvenção das empresas. Depois, depois funcionou esse percurso único da comunicação, aparentemente um-para-um, onde quem recebe a mensagem – cada um sentirá a unicidade que lhe cabe – percebe, interpreta, age como se aquilo que mexeu na «rede» fizesse parte intrínseca do seu modo de ser, assim, toma as atitudes que se impõem no tal posicionamento de «centro do mundo». Responde, critica, aplaude, reforça, nega, muda muitas vezes (tal qual neste caso) o fluir da notícia, transferindo o caudal tumultuoso do excesso das palavras para um universo mais ponderado, consensual, morno, hipoteticamente hipócrita q.b. Este espaço comunicacional, têm vindo a ser construído par e passo com a evolução/inovação e respectivos saltos tecnológicos. Falta-nos rodagem suficiente, experiência, horas de voo, para equilibrar a influência dos inefáveis «gurus», sabedores de mais coisas do que a mão cheia de nada que nos acompanha no dia a dia, por isso, se pede compreensão para todos nós – só sábios, somos meia dúzia – opinantes sem força bastante face à irresistível tentação do comentário imediato. A tecnologia está presente na palma da nossa mão, precisamos agora do «manual», «user guide», «trial-and-error», «levanta-te e anda», dos ganhos que advêm de estar por aí, andar por aí, mexer sem medo nestas coisas dos «social media». Podemos ser comidos pelo «twitter»? Podemos! Podemos «queimar», com mais ou menos fervor, o nosso tempo? Podemos! Podemos fazer de conta que isto não é connosco? Claro que não podemos!

 

Artigo escrito por: Alexandre Sousa

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.