AUTENTICAR

Criar comunidades na Saúde

Blogar - uma experiência terapêutica

Diversos autores defendem que para os utentes, “blogar” pode ser uma experiência terapêutica. Um profissional de Saúde pode referenciar um site na Internet a um doente com diabetes e esse mesmo site pode ter sido criado pelo profissional de Saúde ou por uma entidade credível. Embora esta acção exija investimento, é algo que se for generalizado e bem pensado poderá facilitar a vida a muitos profissionais de saúde e a muitos utentes (Cohen (2007) . Conheço diversos casos que se aproximaram do "apoio virtual" para tentar contornar algum tipo de doença. E essa mais-valia não deve ser desprezada. Prescrever comunidades a doentes com determinadas patologias pode ser muito valioso. Esta atitude irá fazer com que o utente tenha a Informação que precisa, 24 horas por dia, 7 dias por semana e, mais do que a informação tem "do outro lado" alguém que tenha vivido experiências similares. Este espaço pode promover a interacção entre pacientes que se ajudam entre si. Os utentes podem comentar “posts” do profissional de saúde para partilharem problemas e soluções que tenham detectado.

Já conheço o argumento de que os idosos não estão na Internet como tal, devemos também direccionar a comunicação para os seus  cuidadores. Um simples blogue pode ser uma excelente fonte de partilha de Informação e interacção entre utente - profissional de saúde e/ou entre utentes. Em Portugal, tendo em conta a classe médica envelhecida com 41% dos médicos com idades acima dos 50 anos, temos que precaver alguma resistência pois o número de utilizadores médicos, na Internet, só agora começa a ganhar a verdadeira dimensão todavia, outros profissionais de Saúde podem dar ( e têm dado) um contributo fundamental para o desenvolvimento da "saúde na web".

A Internet tem o maior impacto na comunicação com o utente

Segundo Leaffer (2006),  a Internet tem provavelmente, o maior impacto na comunicação junto do consumidor de cuidados de Saúde. A Internet está a criar grupos/comunidades de pessoas com objectivos comuns, que partilham Informação sobre Saúde, medicamentos e profissionais em qualquer altura e em qualquer lugar. A riqueza da Informação disponível na Internet veio melhorar a dinâmica entre utentes. A Informação agora está disponível a todos, da mesma forma. Os utentes vão poder avaliar médicos, clínicas e hospitais via Internet, para o bem e para o mal. Os hospitais vão ter que se adaptar a esta conjuntura e criar espaços com indicadores sobre o mesmo, como por exemplo, cirurgias mais realizadas, índice de mortalidade, custos de hospitalização, etc (Meyer et al,2005).

Lei da comunicação no sector da Saúde

É importante referir que no Sector da Saúde em Portugal existem leis que impedem que se direccione determinada comunicação técnica para o público em geral - Os medicamentos cuja dispensa depende obrigatoriamente de receita médica só podem ser anunciados ou publicitados em publicações técnicas ou suportes de Informação destinados exclusivamente a médicos e outros profissionais de Saúde (Decreto-Lei n.º 100/94, de 19 de Abril). Tendo em conta a quebra de barreiras na comunicação que a Internet veio criar, as organizações, publicas e privadas, têm tentado criar “guidelines”para a utilização destas soluções. A Division of Drug Marketing, Advertising and Communications (DDMAC) e algumas companhias farmacêuticas têm-se juntado para encontrar directrizes nesta área (Arnold, 2009).

Mais informação = melhor tratamento

Relativamente à questão controvérsia  sobre se a Internet torna os utentes mais informados, Leaffer (2007) assume claramente que, com o acesso à informação sobre os seus próprios diagnósticos, medicamentos e resultados de testes de laboratório, os consumidores estarão mais bem informados sobre seus planos de tratamento, estarão mais motivados e isso fará com que cumpram o tratamento prescritos contudo, não podemos ignorar o perigo da má (ou carência) de informação neste sector. Por fim, no congresso Internacional da World Wide Web, em Madrid (in Caetano, 2010), verificou-se que em 2008, a faixa etária com maior crescimento, no que diz respeito a utilizadores de Internet, estava nos indivíduos com mais de 70 anos. Uma investigação que reuniu especialistas de três universidades americanas (Harvard, Wisconsing-Madison e North – Western) demonstra que o uso de Internet ajuda na prevenção do envelhecimento cerebral, mantendo o cérebro activo. O poder está cada vez mais nas mãos do utente e "guerras" como a da precrição por DCI fazem com que o utente se confunda e tenha que se responsabilizar pelo seu bem-estar. A Internet impulsiona os utentes a procurarem alternativas e uma segunda opinião. Citando um doente brasileiro de 44 anos (in Exame, 2011) “A maioria de nós tem opiniões sobre qual Marca de carro é mais confiável mas, se somos notificados de que precisamos de um joelho artificial ou outro tipo de prótese, deixamos a decisão nas mãos do médico”.

Confiança na Saúde é indispensável

Gostava de realçar que sou defensor de um doente mais informado todavia, a relação de confiança entre utente e profissional de saúde nunca deve ser posta em causa.

 

Paulo Morais

É atualmente responsável pela Follow Reference: Digital Health & E-business, onde tem desenvolvido grande parte do seu trabalho colaborando com Marcas de referência.

Mestre em Gestão de Marketing e pós-graduado em Direção de Marketing e Vendas pelo ISCTE.

Coordenador da Pós Graduação em Marketing Digital e Ebusiness da ANJE/UMINHOEXEC, docente na Pós-graduação em Marketing Digital e Comércio Eletrónico do ISVOUGA e Docente na Pós Graduação em Gestão de Marketing do IPAM.

Defende que só é possível acompanhar a dinâmica dos mercados se estivermos constantemente em “modo de partilha” razão pela qual criou o Marketing Portugal, um espaço de referência para partilha de conhecimento e debate de ideias sobre Marketing.

 

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