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Saúde dos portugueses depende de uma boa estratégia de Comunicação

Ontem, quando acedi ao Google News , a primeira notícia que vi foi assustadora - "Saúde Mais de 80% dos portugueses arrisca sofrer AVC ou enfarte" (06/02/2014).

São estes indicadores que me levam a acreditar, cada vez mais, que a comunicação com o utente será uma mais-valia para melhorarmos a Saúde dos portugueses.

Isto pode parecer “cliché” para muitos de nós mas, na verdade, só agora é que alguns players estão a valorizar a importância do utente na Saúde, percebendo inclusive o papel de influência que têm vindo a assumir junto dos profissionais de Saúde.

Acredito também que um dia se vai profissionalizar (mais!) esta área, criando departamentos focados nesta nova abordagem, mudando ou mesmo quebrando paradigmas hoje enraizados. É preciso responsabilizar o utente pelo seu estado de Saúde e todos nós acabaremos por beneficiar com isso.

As pessoas não passam a ter uma vida ativa, não deixam de fumar ou perdem uns kilos porque alguém lhes diz que "faz mal". Temos que ir mais longe e mostrar as consequências, temos que investir para comunicar com continuidade, recorrendo a diversos formatos.

O segredo passa por conseguir transmitir mensagens fortes, impactantes e emocionais, com as quais as pessoas se identifiquem no seu dia-a-dia.

Devemos também olhar para os mais novos com seriedade para mudar comportamentos e hábitos a médio/longo prazo.

Temos que investir a sério e adaptar as mensagens a cada público em função da idade, da cultura, do estilo de vida, das habilitações, entre outros critérios igualmente importantes.

Para prevenir é preciso investir!

Se olharmos para esta questão na perspectiva da despesa, também é altura de se debater sobre o impacto que estes indicadores terão a médio/longo prazo nas contas públicas.

Relembro, a título de exemplo, um estudo da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), que constatou que a Prevenção da diabetes podia poupar milhões ao Estado. Só para reforçar as conclusões do estudo, segundo Dr. Luís Gardete "esta «epidemia» é ainda a primeira causa de enfartes e consome cerca de oito por cento do orçamento da saúde ou seja, cerca de 1200 milhões de euros, em crescimento acelerado devido aos maus hábitos de vida, isto é, má alimentação e sedentarismo, bem como ao envelhecimento da população". É disto que estamos a falar.

Para além dos indicadores de prevalência devemos estudar, com profundidade, os processos de Comunicação na Saúde. Há ainda um grande desconhecimento nesta matéria. O que funciona? O que não funciona? De que forma uma mensagem passa com mais eficácia em função do seu receptor? Que tipo de Mensagem? Quais os melhores canais? Qual a receptividade de determinada população com um determinado perfil?

A massificação das campanhas é uma via, mas há muitas outras. A cooperação entre os diversos players (profissionais de Saúde, associações, indústria farmacêutica, hospitais privados e públicos, usf, entre outros) é fundamental, mas o foco deve estar, efectivamente, no cidadão.

Se estes indicadores -  80% dos portugueses arrisca sofrer AVC ou enfarte - são reais. Algo não está a funcionar na prevenção. É altura de se debater a Comunicação na Saúde com profundidade e de se começar a testar novos métodos, novos canais e novas mensagens.

Haja saúde!

Paulo Morais

É atualmente responsável pela Follow Reference: Digital Health & E-business, onde tem desenvolvido grande parte do seu trabalho colaborando com Marcas de referência.

Mestre em Gestão de Marketing e pós-graduado em Direção de Marketing e Vendas pelo ISCTE.

Coordenador da Pós Graduação em Marketing Digital e Ebusiness da ANJE/UMINHOEXEC, docente na Pós-graduação em Marketing Digital e Comércio Eletrónico do ISVOUGA e Docente na Pós Graduação em Gestão de Marketing do IPAM.

Defende que só é possível acompanhar a dinâmica dos mercados se estivermos constantemente em “modo de partilha” razão pela qual criou o Marketing Portugal, um espaço de referência para partilha de conhecimento e debate de ideias sobre Marketing.

 

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