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Internet na Indústria Farmacêutica

Indústria Farmacêutica

A Internet na Indústria Farmacêutica

Nos dias que correm, mudança é uma das palavras de ordem. Tudo está a mudar e tudo está diferente; não podemos olhar para estratégias eficazes no passado e tomá-las como certas no presente. É indispensável haver um acompanhamento da mudança e tentar recolher opiniões do mercado e de quem nos envolve. A interacção entre as companhias, os clientes ou mesmo colaboradores e fornecedores é essencial para se conhecer as necessidades, procurando satisfazê-las da melhor forma.

As ferramentas de comunicação têm vindo a evoluir de forma a permitir dar resposta a estas necessidades, tendo sido mais notória nuns sectores de actividade do que noutros. Uma destas ferramentas de comunicação, que já é utilizada de forma essencial em sectores como o imobiliário, a banca, o lazer (CD, livros, música, jogos, etc.), entre outros, é a Internet.

Embora as companhias ligadas à Indústria Farmacêutica (IF) já comecem a olhar para a Internet como uma forte ferramenta, sejamos realistas ao assumir que muito se tem que fazer para usufruir de todas as potencialidades (muitas vezes desconhecidas) da Internet.

A noção de que a Internet em Portugal não é expressiva em termos de utilizadores é cada vez mais errada.

Em 2008, segundo o estudo Bareme Internet, da Marktest, 4.052 mil indivíduos costumam utilizar Internet, valor que representa 48,8% do universo composto por residentes no Continente com 15 anos ou mais.

Estará o leitor a pensar: “Ok, isto são os dados da população, mas um dos meus principais targets – os médicos – não navegam na Internet em número suficiente que justifiquem o investimento”. Vamos então analisar este pressuposto…

A Internet e os médicos

O objectivo deste artigo é mostrar que os médicos, como o resto da população, já vêem a Internet como um meio de comunicação e, mais importante, como uma ferramenta de trabalho indispensável.


Se olharmos para as idades dos internautas podemos ver que, apesar de a classe etária que mais utiliza a Internet ser a classe mais jovem entre os 15 e os 24 anos (com valores acima dos 90%), a faixa etária entre 45 e 64 anos já apresenta valores entre os 20% e os 40%.


Se olharmos para as idades dos médicos em Portugal, podemos verificar que estamos na presença de uma classe envelhecida, em que cerca de 41% dos médicos têm mais de 51 anos – o cenário de escassez e envelhecimento da classe médica é claro, ao ponto de o Governo ponderar contratar médicos já reformados.
Estes dados fazem-nos reflectir, pois estamos perante um target envelhecido, o que à partida se torna uma barreira à entrada de novas tecnologias.
Mas será assim?Se cruzarmos estes dados com o gráfico anterior, vemos que a grande parte dos médicos está numa faixa etária em que a utilização da Internet pode chegar aos 40%.

Outro tipo de análise que podemos fazer junto dos internautas portugueses prende-se com a repartição da utilização da Internet por classes sociais.

Segundo o INE, as classes mais baixas apresentam uma faixa etária mais envelhecida (superior a 55 anos). Isto significa que os cerca de 40% de utilizadores de Internet que se situam entre as idades de 45 e 55 anos são, na sua grande maioria, das classes alta e média-alta (onde se integra a classe médica em Portugal), sendo que, num contexto geral, 94,5% da classe alta e 84,2% da classe média-alta acedem à Internet.

Se olharmos para os lares da população portuguesa, constatamos que existe pelo menos um computador em 97% dos lares da classe alta, 89% da classe média-alta e 75% da classe média, o que nos dá boas perspectivas para afirmar que o nosso público-alvo médico tem grandes probabilidades de ter pelo menos um computador na sua residência.


O exemplo da clínica geral

Um inquérito divulgado pela Comissão Europeia sobre os serviços electrónicos nos cuidados de saúde concluiu que 88% dos clínicos gerais em Portugal utilizam computador e 66% têm ligação à Internet, valores bastante favoráveis para a utilização de projectos que façam uso das novas tecnologias


Se voltarmos a cruzar este estudo com o cenário dos clínicos gerais em Portugal em termos de idades, podemos adiantar que cerca de 67% têm idades superiores a 51 anos e, mesmo assim, segundo o inquérito da Comissão Europeia, 66% dos clínicos gerais utilizam Internet.

Torna-se cada vez mais claro que a classe médica conta bastante para a estatística de utilizadores de Internet no que respeita às classes etárias envelhecidas. Apesar de os médicos estarem envelhecidos, têm uma adesão significativa aos serviços de Internet.

Segundo a Marktest.com, “no que diz respeito à Internet, 78% dos médicos inquiridos acedem regularmente a esse meio, sendo de 87% de utilização pelos médicos especialistas hospitalares face a 74% dos Clínicos Gerais, verificando-se um crescimento da taxa de utilização em 27%. A maioria dos médicos acede à Internet essencialmente para fins profissionais e para formação pessoal, sendo a Medicina o tema de maior”.

Cada vez mais, os médicos vêem-se obrigados a utilizar a Internet como ferramenta de pesquisa, informação e formação.

Aliada a toda esta informação, o Diário Económico refere que 94% dos hospitais acedem à Internet por banda larga, o que facilita a circulação rápida da informação.

O futuro

Por outro lado, podemos analisar a adesão da população, na classe etária dos “novos médicos”, com idades entre os 25 e 34 anos, que apresentam uma adesão à Internet de 77,8%, o que cruzado com a taxa superior a 90% apresentada pela classe alta e média-alta traça-nos um cenário muito positivo, não deixando dúvida de que os futuros médicos de Portugal serão utilizadores de Internet com taxas próximas dos 100%.

Podemos assim concluir que actualmente a Internet é uma ferramenta de comunicação que deve ser levada em conta para fazer chegar informação à classe médica em Portugal, mas terá que ser vista também como uma ferramenta de futuro, que continua em crescimento e terá cada vez mais adesão e aceitação por parte dos médicos.

Cada vez mais, as empresas devem olhar para as novas tecnologias como ferramentas inovadoras, com investimento futuro, pois a tendência é clara e o que hoje electronicamente poderá ser uma barreira, de futuro será banalizado e estará no quotidiano de todos estes profissionais.

Olhando para a história da Internet, vemos que os primeiros a apresentarem conceitos inovadores (Amazon, Google, eBay) conquistaram um espaço junto dos internautas que perdura até hoje… E você? Já pensou qual o espaço que a sua companhia quer ocupar?

Em 2012, mais de 30% da população mundial utilizará Internet

Actualmente, cerca de um quarto da população mundial (1,4 mil milhões de pessoas) utilizam a Internet, e a tendência é para aumentar cada vez mais. Segundo a IDC (Interactive Data Corp), em 2012 mais de 30% da população utilizará Internet, o que é um valor bastante agradável, considerando que a taxa de pobreza no mundo é cerca de 16% e a taxa de idosos é cerca de 20%.

Segundo John Gantz, Chief Research Officer da IDC, o facto de a Internet ter passado a barreira de mil milhões de utilizadores em cerca de 10 anos comprova o seu potencial (muito mais rápido que a Rádio ou a Televisão).

Utilizando a Internet e acompanhando o crescimento tecnológico podemos comunicar com o nosso target, recebendo o seu feedback (Marketing Interactivo), reforçando as relações (Marketing Relacional), tudo em tempo real.

Os dados falam por si, e as previsões nos tempos que correm valem o que valem. Como tal, cabe aos decisores optarem pelas ferramentas de comunicação a utilizar, mas uma coisa é certa, a Internet ainda tem muito por onde crescer e cada vez mais é preciso recorrer a ela para atingir os públicos pretendidos.


Artigo publicado na 4ª edição da Pharmagazine

 

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