AUTENTICAR

Saúde dos portugueses depende de uma boa estratégia de Comunicação

Ontem, quando acedi ao Google News , a primeira notícia que vi foi assustadora - "Saúde Mais de 80% dos portugueses arrisca sofrer AVC ou enfarte" (06/02/2014).

São estes indicadores que me levam a acreditar, cada vez mais, que a comunicação com o utente será uma mais-valia para melhorarmos a Saúde dos portugueses.

Isto pode parecer “cliché” para muitos de nós mas, na verdade, só agora é que alguns players estão a valorizar a importância do utente na Saúde, percebendo inclusive o papel de influência que têm vindo a assumir junto dos profissionais de Saúde.

Acredito também que um dia se vai profissionalizar (mais!) esta área, criando departamentos focados nesta nova abordagem, mudando ou mesmo quebrando paradigmas hoje enraizados. É preciso responsabilizar o utente pelo seu estado de Saúde e todos nós acabaremos por beneficiar com isso.

As pessoas não passam a ter uma vida ativa, não deixam de fumar ou perdem uns kilos porque alguém lhes diz que "faz mal". Temos que ir mais longe e mostrar as consequências, temos que investir para comunicar com continuidade, recorrendo a diversos formatos.

O segredo passa por conseguir transmitir mensagens fortes, impactantes e emocionais, com as quais as pessoas se identifiquem no seu dia-a-dia.

Devemos também olhar para os mais novos com seriedade para mudar comportamentos e hábitos a médio/longo prazo.

Temos que investir a sério e adaptar as mensagens a cada público em função da idade, da cultura, do estilo de vida, das habilitações, entre outros critérios igualmente importantes.

Para prevenir é preciso investir!

Se olharmos para esta questão na perspectiva da despesa, também é altura de se debater sobre o impacto que estes indicadores terão a médio/longo prazo nas contas públicas.

Relembro, a título de exemplo, um estudo da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), que constatou que a Prevenção da diabetes podia poupar milhões ao Estado. Só para reforçar as conclusões do estudo, segundo Dr. Luís Gardete "esta «epidemia» é ainda a primeira causa de enfartes e consome cerca de oito por cento do orçamento da saúde ou seja, cerca de 1200 milhões de euros, em crescimento acelerado devido aos maus hábitos de vida, isto é, má alimentação e sedentarismo, bem como ao envelhecimento da população". É disto que estamos a falar.

Para além dos indicadores de prevalência devemos estudar, com profundidade, os processos de Comunicação na Saúde. Há ainda um grande desconhecimento nesta matéria. O que funciona? O que não funciona? De que forma uma mensagem passa com mais eficácia em função do seu receptor? Que tipo de Mensagem? Quais os melhores canais? Qual a receptividade de determinada população com um determinado perfil?

A massificação das campanhas é uma via, mas há muitas outras. A cooperação entre os diversos players (profissionais de Saúde, associações, indústria farmacêutica, hospitais privados e públicos, usf, entre outros) é fundamental, mas o foco deve estar, efectivamente, no cidadão.

Se estes indicadores -  80% dos portugueses arrisca sofrer AVC ou enfarte - são reais. Algo não está a funcionar na prevenção. É altura de se debater a Comunicação na Saúde com profundidade e de se começar a testar novos métodos, novos canais e novas mensagens.

Haja saúde!

Marketing no sector da Saúde

 

Marketing no Sector da Saúde não se restringe à venda de produtos ou serviços, com origem na Indústria Farmacêutica. O modo como cada nação define o seu sistema de Saúde condiciona todas as tarefas de Marketing, como pesquisa de consumidores, determinação de preços, vendas, publicidade e coordenação de canais de distribuição. Hospitais, casas de repouso, consultórios médicos, empresas de medicina, centros de reabilitação e outras organizações de Saúde também começaram a pensar e a agir com o Marketing, desde 1970 (Kotler et al, 2010). Os autores apresentam ainda alguns factores que justificam o investimento em Marketing nas áreas da Saúde:

 

1.      Praticamente todos os hospitais divulgam Informação para jornais, ou revistas do Sector;

2.      Alguns hospitais têm programas de Saúde para a comunidade;

3.      Alguns responsáveis dos conselhos de administração dos hospitais falam em conferências, dão formações e entrevistas, em prol da imagem do hospital;

4.      Médicos que desejam abrir consultórios usam, mesmo que inconscientemente, estratégias de marketing para ajudá-los a definir um bom local de trabalho, design atraente, estilos de trabalho, etc;

5.      Muitas associações têm apostado no Marketing Social para incentivar as pessoas a adoptarem estilos de vida mais saudáveis;

6.      Os hospitais cada vez mais investem em tecnologias avançadas para dar resposta às exigências da população e fazem questão de comunicar estes novos serviços;

7.      Há constantes campanhas públicas de prevenção.

O Marketing desempenha um papel importante ao auxiliar os participantes do sistema de Saúde a criar, comunicar e fornecer valor aos seus mercados. Para que se entenda o papel do Marketing neste Sector, é preponderante explorar o processo de decisão de compra. O processo de decisão de compra na Saúde, para além da compra directa (por exemplo de medicamentos) pressupõe a “compra” de serviços médicos ou cuidados de saúde. Em breve irei abordar este assunto.

Internet e Social Media no sector da saúde

A Informação e o acesso à Informação médica disponível em qualquer lugar e a qualquer hora está a ajudar os utentes a cuidarem melhor da sua Saúde. Qualman (2010) menciona que os principais benefícios do crescimento da Internet e em particular do Social Media, vão ocorrer na Saúde. Quando os utentes recorrem a estes meios, já se encontram no processo de tomada de decisão. Falar sobre determinados temas frente a frente ou ao telefone pode ser uma situação pouco confortável para o utente.

Uma das principais vantagens dos meios digitais (tendo em conta a inexistência do contacto pessoal) é a eliminação deste desconforto. Os conteúdos de Saúde produzidos pelos utentes têm aumentado tanto do lado da oferta como da procura será a sociedade a beneficiar dessa alteração.

Marketing na saúde faz todo o sentido desde que, como sempre, haja ética, transparência e profissionalismo.

Internet na Indústria Farmacêutica

Indústria Farmacêutica

A Internet na Indústria Farmacêutica

Nos dias que correm, mudança é uma das palavras de ordem. Tudo está a mudar e tudo está diferente; não podemos olhar para estratégias eficazes no passado e tomá-las como certas no presente. É indispensável haver um acompanhamento da mudança e tentar recolher opiniões do mercado e de quem nos envolve. A interacção entre as companhias, os clientes ou mesmo colaboradores e fornecedores é essencial para se conhecer as necessidades, procurando satisfazê-las da melhor forma.

As ferramentas de comunicação têm vindo a evoluir de forma a permitir dar resposta a estas necessidades, tendo sido mais notória nuns sectores de actividade do que noutros. Uma destas ferramentas de comunicação, que já é utilizada de forma essencial em sectores como o imobiliário, a banca, o lazer (CD, livros, música, jogos, etc.), entre outros, é a Internet.

Embora as companhias ligadas à Indústria Farmacêutica (IF) já comecem a olhar para a Internet como uma forte ferramenta, sejamos realistas ao assumir que muito se tem que fazer para usufruir de todas as potencialidades (muitas vezes desconhecidas) da Internet.

A noção de que a Internet em Portugal não é expressiva em termos de utilizadores é cada vez mais errada.

Em 2008, segundo o estudo Bareme Internet, da Marktest, 4.052 mil indivíduos costumam utilizar Internet, valor que representa 48,8% do universo composto por residentes no Continente com 15 anos ou mais.

Estará o leitor a pensar: “Ok, isto são os dados da população, mas um dos meus principais targets – os médicos – não navegam na Internet em número suficiente que justifiquem o investimento”. Vamos então analisar este pressuposto…

A Internet e os médicos

O objectivo deste artigo é mostrar que os médicos, como o resto da população, já vêem a Internet como um meio de comunicação e, mais importante, como uma ferramenta de trabalho indispensável.


Se olharmos para as idades dos internautas podemos ver que, apesar de a classe etária que mais utiliza a Internet ser a classe mais jovem entre os 15 e os 24 anos (com valores acima dos 90%), a faixa etária entre 45 e 64 anos já apresenta valores entre os 20% e os 40%.


Se olharmos para as idades dos médicos em Portugal, podemos verificar que estamos na presença de uma classe envelhecida, em que cerca de 41% dos médicos têm mais de 51 anos – o cenário de escassez e envelhecimento da classe médica é claro, ao ponto de o Governo ponderar contratar médicos já reformados.
Estes dados fazem-nos reflectir, pois estamos perante um target envelhecido, o que à partida se torna uma barreira à entrada de novas tecnologias.
Mas será assim?Se cruzarmos estes dados com o gráfico anterior, vemos que a grande parte dos médicos está numa faixa etária em que a utilização da Internet pode chegar aos 40%.

Outro tipo de análise que podemos fazer junto dos internautas portugueses prende-se com a repartição da utilização da Internet por classes sociais.

Segundo o INE, as classes mais baixas apresentam uma faixa etária mais envelhecida (superior a 55 anos). Isto significa que os cerca de 40% de utilizadores de Internet que se situam entre as idades de 45 e 55 anos são, na sua grande maioria, das classes alta e média-alta (onde se integra a classe médica em Portugal), sendo que, num contexto geral, 94,5% da classe alta e 84,2% da classe média-alta acedem à Internet.

Se olharmos para os lares da população portuguesa, constatamos que existe pelo menos um computador em 97% dos lares da classe alta, 89% da classe média-alta e 75% da classe média, o que nos dá boas perspectivas para afirmar que o nosso público-alvo médico tem grandes probabilidades de ter pelo menos um computador na sua residência.


O exemplo da clínica geral

Um inquérito divulgado pela Comissão Europeia sobre os serviços electrónicos nos cuidados de saúde concluiu que 88% dos clínicos gerais em Portugal utilizam computador e 66% têm ligação à Internet, valores bastante favoráveis para a utilização de projectos que façam uso das novas tecnologias


Se voltarmos a cruzar este estudo com o cenário dos clínicos gerais em Portugal em termos de idades, podemos adiantar que cerca de 67% têm idades superiores a 51 anos e, mesmo assim, segundo o inquérito da Comissão Europeia, 66% dos clínicos gerais utilizam Internet.

Torna-se cada vez mais claro que a classe médica conta bastante para a estatística de utilizadores de Internet no que respeita às classes etárias envelhecidas. Apesar de os médicos estarem envelhecidos, têm uma adesão significativa aos serviços de Internet.

Segundo a Marktest.com, “no que diz respeito à Internet, 78% dos médicos inquiridos acedem regularmente a esse meio, sendo de 87% de utilização pelos médicos especialistas hospitalares face a 74% dos Clínicos Gerais, verificando-se um crescimento da taxa de utilização em 27%. A maioria dos médicos acede à Internet essencialmente para fins profissionais e para formação pessoal, sendo a Medicina o tema de maior”.

Cada vez mais, os médicos vêem-se obrigados a utilizar a Internet como ferramenta de pesquisa, informação e formação.

Aliada a toda esta informação, o Diário Económico refere que 94% dos hospitais acedem à Internet por banda larga, o que facilita a circulação rápida da informação.

O futuro

Por outro lado, podemos analisar a adesão da população, na classe etária dos “novos médicos”, com idades entre os 25 e 34 anos, que apresentam uma adesão à Internet de 77,8%, o que cruzado com a taxa superior a 90% apresentada pela classe alta e média-alta traça-nos um cenário muito positivo, não deixando dúvida de que os futuros médicos de Portugal serão utilizadores de Internet com taxas próximas dos 100%.

Podemos assim concluir que actualmente a Internet é uma ferramenta de comunicação que deve ser levada em conta para fazer chegar informação à classe médica em Portugal, mas terá que ser vista também como uma ferramenta de futuro, que continua em crescimento e terá cada vez mais adesão e aceitação por parte dos médicos.

Cada vez mais, as empresas devem olhar para as novas tecnologias como ferramentas inovadoras, com investimento futuro, pois a tendência é clara e o que hoje electronicamente poderá ser uma barreira, de futuro será banalizado e estará no quotidiano de todos estes profissionais.

Olhando para a história da Internet, vemos que os primeiros a apresentarem conceitos inovadores (Amazon, Google, eBay) conquistaram um espaço junto dos internautas que perdura até hoje… E você? Já pensou qual o espaço que a sua companhia quer ocupar?

Em 2012, mais de 30% da população mundial utilizará Internet

Actualmente, cerca de um quarto da população mundial (1,4 mil milhões de pessoas) utilizam a Internet, e a tendência é para aumentar cada vez mais. Segundo a IDC (Interactive Data Corp), em 2012 mais de 30% da população utilizará Internet, o que é um valor bastante agradável, considerando que a taxa de pobreza no mundo é cerca de 16% e a taxa de idosos é cerca de 20%.

Segundo John Gantz, Chief Research Officer da IDC, o facto de a Internet ter passado a barreira de mil milhões de utilizadores em cerca de 10 anos comprova o seu potencial (muito mais rápido que a Rádio ou a Televisão).

Utilizando a Internet e acompanhando o crescimento tecnológico podemos comunicar com o nosso target, recebendo o seu feedback (Marketing Interactivo), reforçando as relações (Marketing Relacional), tudo em tempo real.

Os dados falam por si, e as previsões nos tempos que correm valem o que valem. Como tal, cabe aos decisores optarem pelas ferramentas de comunicação a utilizar, mas uma coisa é certa, a Internet ainda tem muito por onde crescer e cada vez mais é preciso recorrer a ela para atingir os públicos pretendidos.


Artigo publicado na 4ª edição da Pharmagazine

 

Impacto do Marketing Digital no sector da Saúde

É de conhecimento geral que a Internet veio alterar o comportamento do consumidor durante o processo de decisão de compra na maioria dos sectores todavia, há sempre uma estranha dúvida sobre se esta mudança também é “sentida” no sector da saúde, um sector com características tão particulares.

Para se conseguir definir e implementar as melhores estratégias de Marketing, torna-se indispensável conhecer as necessidades e desejos dos consumidores, assim como o seu processo de decisão de compra (Ferreira et al, 2009). Para mim, o sector da Saúde não é excepção.

 

Reconhecimento de uma necessidade

Nesta fase, o consumidor identifica um problema ou uma necessidade. A necessidade pode ser desencadeada por estímulos internos (como por exemplo, fome, sede, sexo) ou externos (estímulos externos). Os estímulos externos podem ser pessoais (amigos, contacto pessoal com vendedor, etc.) ou impessoais (artigo numa revista, anúncio de televisão, e-mail ou outra fonte externa).

Numa perspectiva de Marketing, as organizações podem recorrer, por exemplo, a uma estratégia digital para aumentar a percepção do consumidor, transmitindo-lhe informações sobre um eventual problema.

Esta fase assume um papel indispensável na prevenção de doenças em que se torna imperial comunicar, atempadamente, com o utente, sensibilizando-o para problemas que devem ser controlados.

Também no Sector da Saúde o utente pode sentir uma necessidade por um factor interno (sintoma de doença) ou por um factor externo (por exemplo, uma campanha de prevenção). Este “despertar” de necessidade fará com que o utente procure informações (nomeadamente através dos motores de busca, sites de referência ou redes Sociais). O desafio do Marketing na Saúde passa por conhecer estes estímulos e fazer com que o utente receba a mensagem em causa.

 

Pesquisa de Informação

Os profissionais de Marketing têm de entender a “carência de informação” e terão de identificar as fontes de Informação que os consumidores usarão para obter informações e qual a sua influência.

 

A Internet e as ferramentas de Web 2.0 assumem um papel preponderante na busca de Informação e interacção. Por exemplo, uma pessoa que tenha um familiar a precisar de determinados cuidados de Saúde vai reunir um conjunto de informações e identificar a melhor solução. Começa a ser frequente vermos sites, blogues, fóruns e grupos nas redes Sociais com dezenas de comentários e questões sobre determinada patologia, tratamento ou produto. O principal desafio para as Marcas é acompanhar a dinâmica com que se pesquisa na Internet, por exemplo, Ascensão (2010: 59) relata que 62% dos utilizadores não pesquisam para além da primeira página de resultados do Google. O que mostra uma dinâmica muito elevada no processo de busca de Informação.

As Marcas têm que conseguir posicionar-se no topo de pesquisas para serem encontradas. No sector da Saúde, tal como noutros sectores, é cada vez mais frequente um consumidor obter informação na Internet e depois dirigir-se ao espaço físico à procura do contacto pessoal. Este fenómeno deve ser rigorosamente analisado pelos profissionais de Marketing no Sector da Saúde porque, actualmente, é muito fácil recolher informação sobre uma determinada patologia, tratamento ou opinião médica.

Os consumidores estão cada vez mais exigentes e procuram o máximo de informações possíveis sobre o que pretendem. Depois de identificar uma necessidade, geralmente o utente parte para a procura de informações sobre o tratamento médico.

Tendo em conta que a Internet está a ganhar terreno como fonte principal de pesquisa de Informação, é um canal inevitável de ser trabalhado pelo Sector da Saúde. As pessoas estão-se a reunir em grupos e comunidades pela Internet e esses grupos vão influenciar o comportamento e as atitudes das pessoas, pressionando-as (mesmo que por vezes inconscientemente) a levar os seus pares a terem comportamentos concordantes com as suas normas.

Avaliação de alternativas

O utente procura benefícios que satisfaçam a sua necessidade. Os benefícios geralmente estão relacionados com a qualidade, preço, eficácia, segurança, ou forma de utilização. Esta fase é cada vez mais valorizada no âmbito do Marketing. Por exemplo, quando um utente está insatisfeito com determinado produto ou serviço, procura uma alternativa e na Internet esta busca é muito rápida.

Com o crescimento do “mundo digital”, a avaliação de alternativas adquiriu uma importância crescente. Por exemplo, se um profissional de Saúde prescreve determinado tratamento ao seu doente, com uma pesquisa no Google ele poderá encontrar pessoas na mesma situação que recorreram a outro tipo de tratamento com sucesso. Esta situação irá fazer com que o doente questione a decisão do médico, analisando a melhor alternativa.

Decisão

Pelo menos três factores podem intervir entre uma intenção a uma decisão:

•        Atitude e influência dos outros

•        Imprevistos

•        Risco

O efeito de rede e a ilimitada informação na Internet fazem com que as pessoas antes de qualquer decisão optem por procurar a opinião dos outros (avaliação de alternativas). Com as redes Sociais, por exemplo, o utente ganha proximidade com o profissional de Saúde ou com pessoas que já tiveram numa situação idêntica (comunidade).

Se um médico diz que determinado tratamento não é doloroso mas, nesse mesmo dia o utente vê um seu “amigo” dizer que fez o mesmo tratamento e está cheio de dores, em quem irá o utente acreditar? No médico experiente, ou em alguém que passou exactamente pelo mesmo?

Estas questões começam-se a levantar, daí a necessidade de credibilizar a Informação que é partilhada. Antigamente, o papel do decisor estava nos profissionais de Saúde que prescreviam ou decidiam o que o utente comprar para satisfazer determinada necessidade, por exemplo, um médico prescrevia um medicamento e o utente não contestava nem analisava a sua receita. O médico assumia o papel de decisor do produto que o utente iria consumir (o farmacêutico por vezes também assume este papel).

Actualmente o doente está mais informado e procura mais informação. Em produtos não sujeitos a receita médica, o utente já assume claramente um papel de decisor. No caso dos produtos sujeitos a receita médica, o decisor acaba por ser o prescritor contudo, o utente tem cada vez mais influência na decisão final.

O consumidor está mais interligado e as novas ferramentas permitem que este opine e partilhe experiências influenciando o processo de decisão dos outros consumidores. Para avaliar alternativas, o consumidor tem ao seu alcance toda a informação que precisa para ajustar o seu processo de compra.

Comportamento após tratamento

Depois da compra, o consumidor pode sentir insatisfação causada pela experiência do produto ou o serviço não corresponder às expectativas, por encontrar o mesmo produto a um preço mais baixo, ou por ouvir avaliações favoráveis a outras Marcas na mesma categoria.

O consumidor não pára de procurar informações quando a venda é concluída. Na Saúde, é frequente que o utente precise de cuidados continuados ou que precise de acompanhamento depois de uma intervenção (como é o caso dos doentes oncológicos).

Torna-se indispensável para as organizações olharem para o “após tratamento” como uma forma de satisfação de necessidades dos utentes. Incentivar o utente a partilhar a sua experiência com os seus pares, poderá ser uma forma de promover a prevenção no Sector da Saúde. Os utentes recorrem frequentemente à Internet para procurar informações sobre Saúde e ajudam-se uns aos outros.

Importância do papel do cidadão no Sector da Saúde

Francisco Jorge (in Saudados, 2011), director geral de Saúde, referiu que “cidadãos adquirem mais informações sobre a Saúde, geradoras de conhecimentos, para depois serem também motivadores de alterações dos comportamentos na perspectiva de mais e melhor Saúde. Por exemplo, o excesso de sal na alimentação está na origem da hipertensão arterial e a hipertensão arterial, por sua vez, aumenta os problemas cardiovasculares, que têm uma expressão epidémica devido a este descontrolo do consumo de sal em alimentos. Se cada cidadão tiver esta Informação e aceitá-la como inquestionável, o facto de ter esses conhecimentos vai levá-lo a reduzir o consumo de sal na perspectiva de prevenir ou controlar a hipertensão arterial e, por sua vez, isso terá reflexos na redução do risco em relação a doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares”.

Com esta abordagem, fica evidente que o cidadão tem um papel decisivo no combate de determinadas doenças. Por vezes este acompanhamento é esquecido e, embora seja uma aposta presente no Plano Nacional de Saúde 2011 – 2016, ainda há um longo caminho a percorrer.

Marketing na saúde faz todo o sentido desde que, como sempre, haja ética, transparência e profissionalismo.

 

Criar comunidades na Saúde

Blogar - uma experiência terapêutica

Diversos autores defendem que para os utentes, “blogar” pode ser uma experiência terapêutica. Um profissional de Saúde pode referenciar um site na Internet a um doente com diabetes e esse mesmo site pode ter sido criado pelo profissional de Saúde ou por uma entidade credível. Embora esta acção exija investimento, é algo que se for generalizado e bem pensado poderá facilitar a vida a muitos profissionais de saúde e a muitos utentes (Cohen (2007) . Conheço diversos casos que se aproximaram do "apoio virtual" para tentar contornar algum tipo de doença. E essa mais-valia não deve ser desprezada. Prescrever comunidades a doentes com determinadas patologias pode ser muito valioso. Esta atitude irá fazer com que o utente tenha a Informação que precisa, 24 horas por dia, 7 dias por semana e, mais do que a informação tem "do outro lado" alguém que tenha vivido experiências similares. Este espaço pode promover a interacção entre pacientes que se ajudam entre si. Os utentes podem comentar “posts” do profissional de saúde para partilharem problemas e soluções que tenham detectado.

Já conheço o argumento de que os idosos não estão na Internet como tal, devemos também direccionar a comunicação para os seus  cuidadores. Um simples blogue pode ser uma excelente fonte de partilha de Informação e interacção entre utente - profissional de saúde e/ou entre utentes. Em Portugal, tendo em conta a classe médica envelhecida com 41% dos médicos com idades acima dos 50 anos, temos que precaver alguma resistência pois o número de utilizadores médicos, na Internet, só agora começa a ganhar a verdadeira dimensão todavia, outros profissionais de Saúde podem dar ( e têm dado) um contributo fundamental para o desenvolvimento da "saúde na web".

A Internet tem o maior impacto na comunicação com o utente

Segundo Leaffer (2006),  a Internet tem provavelmente, o maior impacto na comunicação junto do consumidor de cuidados de Saúde. A Internet está a criar grupos/comunidades de pessoas com objectivos comuns, que partilham Informação sobre Saúde, medicamentos e profissionais em qualquer altura e em qualquer lugar. A riqueza da Informação disponível na Internet veio melhorar a dinâmica entre utentes. A Informação agora está disponível a todos, da mesma forma. Os utentes vão poder avaliar médicos, clínicas e hospitais via Internet, para o bem e para o mal. Os hospitais vão ter que se adaptar a esta conjuntura e criar espaços com indicadores sobre o mesmo, como por exemplo, cirurgias mais realizadas, índice de mortalidade, custos de hospitalização, etc (Meyer et al,2005).

Lei da comunicação no sector da Saúde

É importante referir que no Sector da Saúde em Portugal existem leis que impedem que se direccione determinada comunicação técnica para o público em geral - Os medicamentos cuja dispensa depende obrigatoriamente de receita médica só podem ser anunciados ou publicitados em publicações técnicas ou suportes de Informação destinados exclusivamente a médicos e outros profissionais de Saúde (Decreto-Lei n.º 100/94, de 19 de Abril). Tendo em conta a quebra de barreiras na comunicação que a Internet veio criar, as organizações, publicas e privadas, têm tentado criar “guidelines”para a utilização destas soluções. A Division of Drug Marketing, Advertising and Communications (DDMAC) e algumas companhias farmacêuticas têm-se juntado para encontrar directrizes nesta área (Arnold, 2009).

Mais informação = melhor tratamento

Relativamente à questão controvérsia  sobre se a Internet torna os utentes mais informados, Leaffer (2007) assume claramente que, com o acesso à informação sobre os seus próprios diagnósticos, medicamentos e resultados de testes de laboratório, os consumidores estarão mais bem informados sobre seus planos de tratamento, estarão mais motivados e isso fará com que cumpram o tratamento prescritos contudo, não podemos ignorar o perigo da má (ou carência) de informação neste sector. Por fim, no congresso Internacional da World Wide Web, em Madrid (in Caetano, 2010), verificou-se que em 2008, a faixa etária com maior crescimento, no que diz respeito a utilizadores de Internet, estava nos indivíduos com mais de 70 anos. Uma investigação que reuniu especialistas de três universidades americanas (Harvard, Wisconsing-Madison e North – Western) demonstra que o uso de Internet ajuda na prevenção do envelhecimento cerebral, mantendo o cérebro activo. O poder está cada vez mais nas mãos do utente e "guerras" como a da precrição por DCI fazem com que o utente se confunda e tenha que se responsabilizar pelo seu bem-estar. A Internet impulsiona os utentes a procurarem alternativas e uma segunda opinião. Citando um doente brasileiro de 44 anos (in Exame, 2011) “A maioria de nós tem opiniões sobre qual Marca de carro é mais confiável mas, se somos notificados de que precisamos de um joelho artificial ou outro tipo de prótese, deixamos a decisão nas mãos do médico”.

Confiança na Saúde é indispensável

Gostava de realçar que sou defensor de um doente mais informado todavia, a relação de confiança entre utente e profissional de saúde nunca deve ser posta em causa.

 

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