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A marca Fernando Nobre (impacto negativo na rede)

 

 

Este artigo pretende analisar, numa perspectiva de Marketing Pessoal, a decisão do Dr. Fernando Nobre, relativamente à decisão de aceitar ser candidato do PSD à presidência da Assembleia da República. Vou tentar não entrar em análises políticas e focar as minhas atenções no que me interessa, no Marketing Pessoal e no impacto de uma decisão destas junto dos seus fiéis apoiantes. Procurei também criar uma pequena checklist com algumas dicas para gerir a reputação negativa que se está a propagar na rede.

Para contextualizar esta medida e o impacto que está a ter, importa relembrar duas questões essenciais:

 

Fernando Nobre nas presidenciais 2011 teve 594 068 votos (14,10%), ou seja, conseguiu mobilizar os portugueses e acabou por surpreender;

Fernando Nobre referiu que não aceitaria e passo a citar “ (…) nenhum cargo partidário nem governativo (…).  assista ao vídeo de Fernando Nobre


Bem sei que muita gente já conhecia o percurso do Dr. Fernando Nobre mas, na verdade, muitos portugueses (principalmente os mais jovens) passaram a conhecer o seu trabalho apenas nestas presidenciais 2011, ou seja, surgiu uma nova “Marca” na política, alguém com um percurso notável na AMI (que era o que mais se destacava), com valores muito bem definidos e credíveis. Junto do seu grupo de apoiantes, sempre conseguiu ser visto como um politico diferente, honesto e transparente (que deu origem ao boca-a-boca!).

Importa também relembrar que não é a primeira vez que Fernando Nobre está associado ao PSD. Segundo a Wikipedia, Fernando Nobre, em 2009 foi membro da Comissão de Honra da candidatura de António Capucho, pelo PSD, à Câmara Municipal Cascais.

Numa perspectiva de Marketing Pessoal, temos vários itens a analisar, começando obviamente, pela falta de coerência que, como todos sabem, é um valor raro na política e, Fernando Nobre, até então, tinha conquistado a confiança de milhares de portugueses com um discurso coerente.

Todos sabemos (e não sejamos ingénuos!) que por vezes temos que mudar de opinião e/ou tomar decisões contrárias. Não é isso que está em causa.

O que claramente falhou neste processo foi a falta de atenção (e consideração!) que Fernando Nobre teve com os seus seguidores ( dedicação e interacção!).

Quando uma Marca, seja pessoal ou empresarial, se relaciona com as pessoas (clientes ou consumidores) e lhes pede algo em troca, fazendo-os acreditar que a sua Marca apresenta uma proposta de valor melhor que a concorrência, tem que ter a noção que a partir desse momento tem pessoas que “vivem” a sua Marca e são fiéis à sua “história”.

E começa o “buzz negativo” em torno da Marca..

O que aconteceu com Fernando Nobre é que, os portugueses percepcionam-no (posicionamento) como alguém transparente e com valores, que recorre ao seu “público” sempre que necessário, é uma pessoa muito próxima de todos. Desta vez, todos foram apanhados de surpresa e muitos dos seus apoiantes partilham (buzz!) que se sentem traídos e arrependidos (negativo!) pelo seu voto nas presidenciais. O “caos” está instalado.

fonte: Página Fernando Nobre Facebook

Fernando Nobre, no dia 10/Abril/2011, emite um comunicado, via Facebook, bastante extenso, a justificar a sua decisão. Deste comunicado destaco duas frases chave:

Terei uma intervenção activa, transparente e mobilizadora. Tudo farei para que o exemplo restitua a esperança e a esperança constitua um factor de unidade em torno da reconstrução de Portugal.” Não chega dizer, é preciso fazer!

Conto com todos os que comigo se têm genuinamente batido pela defesa dos direitos civis e sociais e por uma Cidadania activa que apresente soluções concretas para os problemas urgentes da nossa sociedade.” A questão é que o Dr. Fernando Nobre conta com” todos” mas, será que os” todos” podem contar consigo? Certamente muitos desses “todos” estariam disponíveis para apresentar soluções concretas sobre esta decisão mas, não foram consultados.
De imediato surgiram centenas de comentários de desilusão que deram origem a notícias nos principais meios de comunicação social, ou seja, Fernando Nobre está agora perante um imenso “buzz negativo” em toda a rede.

Há vários comentários de desilusão mas, há um que demonstra bem o sentimento de alguns dos apoiantes de FN – “Passei horas , dias, meses até de madrugada a dar apoio a F.N. Estou triste e desiludido por sua actitude. Assim como nos mentalizou, porque é que antes de ter tomado essa decisão não se aconselhou connosco. Como cidadãos seus votantes temos o direito de lhe exigir desculpas por nos ter enganado”

Uma lição para todas as Marcas

Este comentário é um ensinamento, o autor sente que faz parte da Marca Fernando Nobre, lutou para o sucesso e crescimento da Marca e, sente que faz parte dela. A sua relação com o candidato não acabou no final das presidenciais 2011, deveria continuar para sempre.

Definitivamente, Fernando Nobre devia ter consultado os seus apoiantes sobre esta decisão. Não tenho dúvidas que este processo seria o mais complicado (tendo em conta a controvérsia em torno do assunto) mas, demonstrava interesse, respeito, dedicação e preocupação com os seus valores (transparência!).

Deste processo fica uma lição para todos os políticos, para todas as Marcas pessoais e mesmo empresariais. Quando criamos apoiantes, seguidores, fãs, temos que ter noção que estes passaram a fazer parte da nossa Marca e devem ser incluídos na nossa estratégia. Não podem ser desprezados.

E agora, o que fazer Dr. Fernando Nobre?

De facto a decisão está tomada e, é preciso atenuar este sentimento junto dos seus apoiantes. Tem milhares de comentários negativos sobre esta decisão e, uma de uma coisa tenho a certeza, se tal acontece é porque as pessoas querem o seu respeito, querem estar do seu lado e não estão a lidar muito bem com esta decisão.

Voltar atrás, não é o caminho mas, ainda vai a tempo para envolver estas pessoas, se elas falam mal de si é porque se importam consigo como tal, também se deve importar com cada uma destas pessoas. Foram estas pessoas que criaram o seu sucesso nas presidenciais e estão disponíveis para o continuar a ajudar, faça dos seus maiores críticos os seus maiores aliados.

Aqui ficam algumas sugestões…

  • Identifique todos os seguidores que estão descontentes e reunir informação sobre eles, nomeadamente os contactos de e-mail;
  • Prepare uma campanha de comunicação para estes seguidores, são o seu público, são as pessoas que gostam de si e a razão (segundo consta) de se manter na política;
  • Comunique com todos estas pessoas (numa relação one to one). Ainda vou mais longe, mostre disponibilidade para receber cada um deles ou organizar uma pequena reunião aberta para esclarecimentos e para ouvir o que as pessoas têm para dizer. Actue segundo algumas dessas directrizes;
  • Sabemos que nas Redes Sociais todos estão disponíveis para falar mal, por isso, importa filtrar muito bem quem são os apoiantes fieis e quem são os que estão a aproveitar a “onda” para criar “Buzz Negativo”;
  • Depois de analisar tudo muito bem (comentários, e-mails, opiniões, etc.) fale para as pessoas. Se for uma análise à informação recolhida nas redes sociais, blogues e nos principais sites de opinião, pode tentar comunicar por e-mail mas, deve ir mais longe;
  • Mostre que cada uma dessas pessoas tem valor para a sua Marca. Crie uma plataforma (fórum, rede social, portal interactivo, etc.) para interagir (bidireccionalmente!) com eles, ou seja, sempre que tiver algo a decidir que possa comprometer os seus valores, pergunte-lhes a sua opinião e explique-lhes a sua decisão.
  • Todos fazem parte da sua Marca, envolva-os, promova o debate entre as pessoas e veja como os seus apoiantes conseguem interagir em seu benefício;
  • Sempre que tomar uma decisão ou incluir algo que foi partilhado pelos seus seguidores,reconheça-o. Mostre que está a ouvir as pessoas e a tomar decisões, faça com que as pessoas não fiquem a “falar para o boneco”. Bem ou mal, se falam de si é com interesse e compromisso, não se esqueça!;
  • Dedique parte do seu tempo e junte uma equipa para trabalhar esse “buzz negativo”, tenho a certeza que junto dos seus apoiantes haverá gente disponível para o fazer mas, tem que ser o Dr. Fernando Nobre a assumir esse papel, não deixe que ninguém fale por si.
  • Mantenha este “ciclo vivo”. Os cargos políticos acabam, a sua Marca não.Veja que o buzznegativo está nas primeiras páginas do Google, é preciso criar buzz positivo e reconquistar a confiança de quem se sente traído. Não despreze o efeito o impacto que irá causar o “efeito rede”.

Boa sorte!

 

Paulo Morais

É atualmente responsável pela Follow Reference: Digital Health & E-business, onde tem desenvolvido grande parte do seu trabalho colaborando com Marcas de referência.

Mestre em Gestão de Marketing e pós-graduado em Direção de Marketing e Vendas pelo ISCTE.

Coordenador da Pós Graduação em Marketing Digital e Ebusiness da ANJE/UMINHOEXEC, docente na Pós-graduação em Marketing Digital e Comércio Eletrónico do ISVOUGA e Docente na Pós Graduação em Gestão de Marketing do IPAM.

Defende que só é possível acompanhar a dinâmica dos mercados se estivermos constantemente em “modo de partilha” razão pela qual criou o Marketing Portugal, um espaço de referência para partilha de conhecimento e debate de ideias sobre Marketing.

 

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