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Análise SWOT para o Marketing Pessoal (Online)

Num outro artigo para o Marketing Portugal, escrevi sobre o plano de presença online. A análise referida neste artigo (S.W.O.T.), pode ser enquadrada no processo de planeamento (adaptando-o ao Marketing Pessoal) à medida que vamos efectuando o diagnostico de situação (ponto 1), mas, comecemos pelo inicio.

Para os profissionais de Marketing e de Gestão, a análise S.W.O.T não é novidade e a ideia deste pequeno artigo não é explicar a sua aplicação no mundo empresarial, mas sim, no nosso Marketing Pessoal, no âmbito online (embora, em termos de metodologia, se consigam retirar diversas ilações para o mundo “offline” e para o universo empresarial).

 

No âmbito do Marketing Pessoal, a análise SWOT não tem uma aplicabilidade muito diferente do mundo empresarial, porque, a sua missão baseia-se em objectivos idênticos;

  • Efectuar uma análise interna (pessoal) e externa (ambiente);
  • Identificar “factores críticos de sucesso” e definir prioridades;
  • Preparar acções e prever obstáculos;
  • Aproveitar oportunidades e tentar garantir o sucesso.

A SWOT permite-nos fazer uma analise de ambiente a 2 níveis;

  • Interno – Pontos Fortes (S) e os Pontos fracos (W)
  • Externo – Oportunidades (O) e as Ameaças (T)

Para que a análise seja enquadrada na “cultura web 2.0″,  devemos ter em conta uma premissa essencial –  temos que ter uma predisposição natural para partilhar e acrescentar valor à nossa rede sem, forçosamente, querer algo em troca. Quanto maior for esta predisposição, maior é a probabilidade de sucesso. O retorno e os resultados devem acontecer com naturalidade.

No âmbito do Marketing Pessoal Online, sem acreditar em fórmulas milagrosas para atingir o sucesso, devemos dar maior destaque aos nossos pontos fortes para aproveitar as oportunidades e enfrentar as ameaças, porém, devemos ter um trabalho “offline”, consciente, que nos permita aperfeiçoar e melhorar os nossos pontos fracos, tornando-nos cada vez melhores.

Fases da análise S.W.O.T.

1º Fazemos análise aos nossos pontos fortes (S)

  • Quais as nossas competências?
  • Quais as nossas mais-valias?
  • Que tenho para dar aos outros?
  • No que sou diferente?
  • No que é que me destaco?

2º Fazemos uma análise dos nossos pontos fracos (W)

  • Que aspectos pessoais e profissionais tenho que melhorar?
  • Que erros tenho cometido e como melhorar?
  • O que posso fazer e não tenho feito?
  • Quais as minhas características de personalidade/comportamento mais prejudiciais ao meu desempenho?

3º Analisamos as oportunidades da envolvente (O)

  • Quais as tendências?
  • Que “mercados” ainda posso explorar?
  • Como pensam as pessoas sobre determinado tema?
  • Como esta a evoluir a sociedade, dentro da minha área?

(será interessante complementar com alguns estudos e dados estatísticos, para além da nossa percepção)

4º Analisamos as ameaças da envolvente (T)

Fazemos o exercício igual ao ponto 3, mas com foco nas ameaças.

  • Qual a concorrência que temos? (quantidade e qualidade)
  • Como está o ambiente/mercado ao nível da saturação na minha área?
  • Quais os cenários que podem afectar o meu desempenho?
  • Quais os indicadores que podem interferir no meu sucesso? (sejam indicadores macro-ambientais, indicadores online, indicadores das próprias redes sociais, etc.)

À medida que vão surgindo respostas, vamos colocando nos quadrantes da S.W.O.T.

É frequente que existam demasiadas respostas para cada quadrante da S.W.O.T. Se for o caso, pode ser muito útil criar uma tabela de prioridades que nos permite atribuir um valor a cada resposta, sendo, por exemplo, 1 – pouco importante e 3 – muito importante.

No exemplo utilizei 2 respostas (exemplos) por área, mas, se tivéssemos centenas de respostas, o procedimento seria o mesmo.

Apesar de se destacarem (definindo como prioritárias) algumas das respostas encontradas, não devemos ignorar por completo as outras, porque, por exemplo, podemos ter uma ameaça com 1 de impacto na reputação online, mas com uma tendência de 3, que dará um valor total de 4, ou seja, aparentemente não é uma resposta prioritária, porém, é uma ameaça que deve ser bem analisada tendo em conta a sua tendência. Quanto mais variáveis incluirmos e quantos mais níveis de prioridade definirmos, mais rigorosa é a nossa análise.

É igualmente importante perceber que o “mundo online” é muito dinâmico, como tal, é aconselhável que a análise SWOT seja flexível e actualizada com alguma frequência, dependendo dos nossos objectivos e necessidades.

Neste caso, coloquei o Impacto na reputaçãoa Tendência e a Probabilidade de ocorrência como as variáveis a analisar, mas, estas variáveis podem (e devem) ser adaptadas em função das necessidades da análise, ou seja, antes de qualquer passo para a análise devemos saber responder à questão – “Para que quero fazer esta análise?” . As respostas podem ser as mais variadas, como por exemplo;

  • Procuro emprego
  • Quero evoluir profissionalmente
  • Quero aumentar a minha rede de contactos
  • Quero conseguir ser influente na minha rede
  • Quero aumentar a minha visibilidade pessoal

Assinalei a verde o que nos é favorável (Pontos fortes e Oportunidades) e a vermelho o que nos é desfavorável (Pontos Fracos e Ameaças)

Analisando a tabela de prioridades, podemos concluir que me devo focar, essencialmente;

  1. No facto de ser dinâmico (ponto forte)
  2. No facto de ser Social (ponto forte)
  3. No facto de ser Teimoso (ponto fraco)
  4. No facto do recrutamento online estar em crescimento (oportunidade)
  5. No facto de existirem cada vez mais utilizadores (ameaça)

Resumindo – Devemos com esta análise, ser capazes de utilizar os nossos pontos fortes para combater as ameaças e tirar proveito das oportunidades, ou seja, no exemplo utilizado, devo tirar proveito das minhas competências como social e dinâmico para tirar proveito do recrutamento online estar em crescimento, tendo em conta que um dos meus objectivos é a busca de um novo emprego. Devo ainda aproveitar esses meus pontos fortes para me diferenciar do facto de existirem cada vez mais utilizadores. Por outro lado, devo trabalhar o meu ponto fraco (ser teimoso), para que se transforme, eventualmente, num ponto forte.

Interessa fazer com que a minha rede percepcione as minhas qualidades e competências. Quanto mais foco dermos a estas características, maior é a nossa probabilidade de sucesso.

Por outro lado, não nos devemos tornar “obcecados” para esconder os nossos pontos fracos. Todos os temos e o primeiro passo é ter humildade para os reconhecer.

Não vale a pena fazer análises e planear se não for para agir, por isso, faça a sua análise e potencialize os seus resultadospartilhando-os com a sua rede.

Não vá para a a sua rede dizer que é “isto ou aquilo”, que” faz e que acontece”. Arranje uma estratégia, inteligente, para que a sua rede percepcione os seus pontos fortes sem ter que os dizer, directamente.

Votos de sucesso!

 

Paulo Morais

É atualmente responsável pela Follow Reference: Digital Health & E-business, onde tem desenvolvido grande parte do seu trabalho colaborando com Marcas de referência.

Mestre em Gestão de Marketing e pós-graduado em Direção de Marketing e Vendas pelo ISCTE.

Coordenador da Pós Graduação em Marketing Digital e Ebusiness da ANJE/UMINHOEXEC, docente na Pós-graduação em Marketing Digital e Comércio Eletrónico do ISVOUGA e Docente na Pós Graduação em Gestão de Marketing do IPAM.

Defende que só é possível acompanhar a dinâmica dos mercados se estivermos constantemente em “modo de partilha” razão pela qual criou o Marketing Portugal, um espaço de referência para partilha de conhecimento e debate de ideias sobre Marketing.

 

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