AUTENTICAR

Construir uma marca pessoal

Tenho estado atento aos números do desemprego e aos comentários que surgem de todas as direcções a contestar esta realidade.

É evidente que ninguém está satisfeito com estes indicadores, mas, também é importante procurar pensar um pouco “fora do quadrado” para que as coisas se possam resolver, ou pelo menos, ganhar algum rumo.

O tempo que as pessoas estão a dispensar para criticar “o sistema”, pode ser aproveitado em seu benefício para construírem a sua MARCA.

 

A importância de uma Marca Pessoal é cada vez mais evidente. É frequente vermos grandes nomes associados a grandes sucessos empresariais.

Mesmo para as empresas, a construção de marcas pessoais por parte dos seus colaboradores é essencial. As pessoas fazem as empresas e, certamente que uma Marca Pessoal forte atrai novos clientes.

Desde que existimos, mesmo que inconscientemente, vamos criando a nossa Marca Pessoal, junto da família, dos amigos, dos nossos colegas de trabalho ou dos nossos clientes. Na conjuntura actual, onde a abundância predomina e a concorrência é cada vez mais feroz, torna-se indispensável começarmos a reflectir sobre a nossa Marca, de uma maneira mais profissional e rigorosa. Diria mesmo que a nossa Marca Pessoal, nos dias de hoje, é um activo muito, mas muito valioso.

Não é interesse do presente artigo aprofundar os conceitos em torno da “MARCA”, mas, resumidamente, ao iniciarmos esta reflexão temos que ter presente que, apesar de querermos que o mercado nos veja de determinada forma, isso não significa que essa seja a forma como o mercado nos vê, como tal, temos que criar e transmitir sinais e mensagens que ajudem o mercado a percepcionar-nos conforme desejamos.

Por exemplo; Se eu quero que o mercado me veja como um especialista de desporto (posicionamento), posso criar um blogue pessoal com conteúdo especializado (sinais) para garantir que o mercado me identifica conforme pretendo (imagem).

O primeiro passo é claramente fazermos uma análise sobre nós (leia o artigo sobre Análise SWOT no Marketing Pessoal). A crise, o desemprego, ou mesmo o sucesso, não nos podem “cegar” e, independentemente da situação económica ou da situação profissional, temos que ter capacidade para nos conhecermos e sabermos como retirar proveito dos nossos pontos fortes.

Não sou apologista de que todos nós podemos seguir o mesmo caminho, por isso, é importante para mim que o leitor deste artigo reflicta sobre o que vou sugerir e crie a sua própria metodologia e reflexão.

Considero que, desempregados, ou não, estes passos podem ser interessantes, quer para o vossodesempenho profissional, quer, acima de tudo, para a vossa realização pessoal.

Os desempregados poderão encontrar desta forma uma fonte de rendimento, ou, uma forma devirem a ser recrutados.

Os que não estão desempregados, para além da realização pessoal, poderão ter a oportunidade de reforçarem a sua posição como especialistas de determinado assunto. Se o fizerem, directa ou indirectamente, estão a ajudar as vossas empresas. Cada vez mais as marcas “empresariais” são coerentes com fortes marcas pessoais, veja-se o caso da Google, do Facebook, da Apple, entre muitos outros.

Passos “standard” para começar a construir a sua marca pessoal

Encontrem a vossa especialização, aquilo em que realmente são bons.

Tenham em conta que essa especialização é aquilo que realmente gostaram de fazer. Seja o que for.

Definam como querem ser percepcionados pelo mercado (posicionamento). Sejam realistas e pensem de que forma querem que o vosso “público-alvo” vos veja.

Criem um nome para a vossa Marca Pessoal (é importante que este nome esteja, por exemplo, no titulo do vosso blogue). Este nome pode ser um pouco mais criativo do que apenas o vosso nome próprio, por exemplo, “o especialista em…” ; “não me canso de falar de …”; “quem fala assim sobre ___ não é gago”

Registem a vossa marca, comprem o domínio para o vosso site. É um investimento reduzido e importante.

Definam quem pretendem atingir com as vossas competências. Com quem querem partilhar a vossa especialização (convém ser um tema de interesse para o público definido)

Pensem em 52 temas (um por semana) sobre o qual podem escrever, gravar vídeos, etc. Sejam criativos.

Criem uma plataforma de comunicação (rapidamente podem criar um blogue para partilhar conteúdo)

Comecem a elaborar conteúdo

Comecem a partilhar o conteúdo que publicam

Criem um espaço para que a comunidade se possa interessar pelo vosso tema, por exemplo, uma página do Facebook.

Procurem onde se fala sobre o tema da vossa especialidade (blogues, redes sociais, fóruns, etc.). Utilizem o Google pesquisem nas redes sociais por palavras-chave. Comentem e partilhem o vosso ponto de vista.

Sejam pró-activos (lancem temas de conversa e preparem muito bem as respostas)

Sejam autênticos e transparentes (não digam o que toda a gente está farta de ler ou ouvir, sejam vocês mesmos e acrescentem valor)

Procurem estar em cima de tudo o que se diz sobre o assunto (pesquisa, mais pesquisa e mais pesquisa)

Lutem, diariamente, por partilhar conteúdo diferente e genuíno.

Relacionem-se com os vossos leitores e com os vossos pares (Networking)

Certifiquem-se que o vosso posicionamento (como querem ser vistos pelo mercado) corresponde à vossa imagem (como são vistos pelo mercado)

Façam ajustes sempre que necessário, mas não percam a vossa identidade.

Estes 19 passos não são fórmulas mágicas nem são garantias de sucesso. Cada um de nós éúnico e cada um de nós tem a sua maneira de ser e de estar, como tal, cada um de nós deve ser capaz de criar a nossa marca em função dos nossos objectivos.

A ideia base das sugestões apresentadas é muito simples. É fazer com que se transmita competência em determinada área. É fazer com que a nossa rede saiba quem somos e o que sabemos, é fazer com que estejamos a partilhar algo sobre o qual gostamos realmente de falar (vídeo) ou escrever.

Quando identificamos aquilo de que realmente gostamos, conseguimos passar uma mensagem muito mais válida e credível, estamos a ser nós mesmos e sabemos aquilo de que estamos a falar, seja futebol, Marketing ou ping – pong.

Se é algo que gostamos de fazer e partilhar, não nos vai custar ler e ouvir o que se diz sobre esse assunto, vamos estar a aprender, cada vez mais, sobre aquilo que gostamos de fazer.

Se aquilo em que nós realmente somos bons for um tema que realmente se goste de abordar,vamos criar conteúdo e mais conteúdo sem estarmos obcecados com o retorno, é como se fosse o nosso “diário”.

A Internet tem um número cada vez maior de utilizadores e, por mais particular ou individualizado que seja o vosso tema, haverá alguém disponível para ler o vosso conteúdo, não duvidem.

O “segredo” da construção de uma marca pessoal é evidente. Da mesma forma que falam e acreditam na contestação dos indicadores de desemprego, falem daquilo que realmente gostavam de fazer. Vejam que o tema até pode ser o desemprego, desde que isso seja um tema pelo qual desejam dedicar o vosso tempo e pelo qual queiram ser reconhecidos e diferenciados.

Por todo o mundo tem sido evidente o surgimento de marcas pessoais de sucesso que recorreram a plataformas digitais (youtube, facebook, twitter, linkedin, blogues, videoblogues, etc.) para se darem a conhecer ao mundo.

Porque não há-de haver espaço para si e para o tema que gosta?

Dedique um pouco do seu tempo aquilo que realmente gosta, ou gostava de fazer e desfrute dos resultados.

Quando atrair um número considerável de seguidores, pessoas que leêm ou ouvem o seu conteúdo, estarão preparados para conversar/negociar com potenciais anunciantes que surgem com naturalidade.

Se for do vosso interesse e não causar nenhum impacto negativo na vossa Marca Pessoal, aproveitem as ofertas, caso contrário, continuem a desfrutar dos resultados indirectos que surgem do vosso trabalho (convites para conferencias, formações,puro prazer de partilhar e falar do que gostamos, etc.)

É importante referir que isto é um “jogo” de paciência, nem sempre temos a visibilidade que desejamos e raramente os resultados são imediatos, mas, com o tempo, “as coisas” começam a acontecer.

Numa altura em que existe tanta turbulência, não há nada mais seguro do que termos uma Marca Pessoal sólida e bem trabalhada.

É verdade que não nos podemos dar ao luxo de abandonar o que fazemos, nem nos podemos dar ao luxo de andar a publicar conteúdo sem retorno, por isso é que devem construir a vossa marca pessoal em torno de algo que realmente gostam em que o retorno imediato é a realização pessoal.

“Dediquem-se a transformar o vosso prazer em trabalho e o retorno será uma consequência natural.”

 

 

Paulo Morais

É atualmente responsável pela Follow Reference: Digital Health & E-business, onde tem desenvolvido grande parte do seu trabalho colaborando com Marcas de referência.

Mestre em Gestão de Marketing e pós-graduado em Direção de Marketing e Vendas pelo ISCTE.

Coordenador da Pós Graduação em Marketing Digital e Ebusiness da ANJE/UMINHOEXEC, docente na Pós-graduação em Marketing Digital e Comércio Eletrónico do ISVOUGA e Docente na Pós Graduação em Gestão de Marketing do IPAM.

Defende que só é possível acompanhar a dinâmica dos mercados se estivermos constantemente em “modo de partilha” razão pela qual criou o Marketing Portugal, um espaço de referência para partilha de conhecimento e debate de ideias sobre Marketing.

 

linkedin_logo_autor twitter_icon_autor icon_facebook_autor 

 

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.