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A minha empresa só olha para mim como um número! E...?

 

A minha empresa só olha para mim como um número! E…?


Certamente que muitos de nós já se depararam com pessoas que estão constantemente a utilizar esta expressão. Se é um deles, não precisa de se manifestar. Provavelmente a pessoa que o levar a crer que é só um número, estará neste momento ao seu lado e não seria de todo agradável expressar a sua opinião de forma tão veemente… especialmente quando só ainda foram lidas algumas linhas. Mas vamos acreditar que nenhum dos prezados leitores se identifica com o cenário apresentado… Vamos designar aqueles que o fazem, simplesmente como “os outros”…


Mas confesso que um dos meus exercícios de (in)sanidade mental passa exactamente por desconstruir as ideias dadas como assumidas. E esta parece uma boa base para ser trabalhada… Logo à partida, atendendo ao facto de que “os outros” consideram esta como a principal causa para o não funcionamento das organizações. Compreenderia mais facilmente se o telefone tocasse incessantemente e os clientes fossem atendidos por uma mensagem gravada: ”A sua chamada é muito importante para nós. Por favor, não desligue.”; se as entregas estivessem com um atraso de 3 dias; se a produção não tivesse capacidade de resposta; se o nosso produto não tivesse aceitação no mercado; se a nossa estratégia estivesse mal delineada; se os fluxos comunicacionais não existissem; se estivéssemos com problemas de tesouraria. No extremo, compreenderia a não existência de café logo pela manhã… Mas aparentemente, tudo isso é redutor em comparação com o facto de sermos um número…


Mas a verdade é que ao longo de toda a nossa vida, sempre fomos e continuaremos a ser um número. É-nos dado um número mal nascemos e nos é colocada uma pulseira. É atribuído um número quando o pai sai disparado da maternidade para inscrever o rebento no clube de futebol do coração. Adoramos fazer as festas para os miúdos para festejar os aniversários. Que por acaso também é um número… Todos perguntamos a uma criança que idade tem… E ela responde com um número. Todos contamos o dinheiro que os pais e avós nos davam no Natal e aquilo tudo somado, dava… um número. Investimos horas a memorizar a tabuada e aquilo era só… números. Sabíamos quanto tempo tínhamos para ver televisão até chegar a hora do banho. Todos gostávamos de ter um certo número na nossa camisola de futebol. E quando adolescentes, os números dominavam a nossa vida: número de miúdas(os), dias de férias, as notas no Secundário… até as senhas na cantina… eram em números! E actualmente vivemos o duelo saldo bancário vs despesas… Outra vez os raios dos números! Neste preciso momento, “os outros” estarão a rejubilar. Se está a esboçar um ligeiro sorriso, isso poderá ser preocupante.


Então qual a razão pela qual durante tanto tempo sempre fomos um número (e convenhamos que gostávamos de o ser) e de um momento para o outro esse encanto desaparece?! O problema é que, uma vez entrados no mundo real dos negócios, aparece um novo facto. Pela primeira vez, as nossas capacidades enquanto profissionais passam a ser julgadas. E essas são as regras do mercado! Cada um de nós deve ser visto como uma acção, que se move num mercado com regras próprias, sujeito a especulação e inside trading mas que também tem players que reconhecem quando os activos são atractivos e decidem mantê-los em carteira. Investem em nós não por aquilo que nós valemos mas por aquilo que nós poderemos vir a valer. Julgo que todos sabemos isso quando somos recrutados, certo?


Neste preciso momento consigo ouvir “os outros” a gritar de pulmões cheios: “E o reconhecimento”? Calma… Reconheço (lá está…) que é um factor importante mas não vou ser idílico ao ponto de afirmar que as pessoas trabalham para serem reconhecidas. O ser reconhecido é uma consequência e nunca deverá ser um fim em si mesmo. Assumo, isso sim, que cada um deverá reconhecer o seu próprio desempenho e ser esse o seu driver. Assisto a inúmeras pessoas a manifestarem-se efusivamente que querem ser os melhores! Posição delicada… Em primeiro lugar, o serem os melhores deverá ser reconhecido pelos outros. E quem se auto-intitula o melhor está constantemente a ser colocado em xeque. São escolhas que teremos obviamente de respeitar. A questão é que essas pessoas passam toda uma vida à procura do reconhecimento e validação dos outros que não tem tempo de viver a sua própria vida. Até uma determinada fase da nossa vida trabalhamos para fazer curriculum mas chega a uma determinada fase que passamos a estar focados em fazer obra. E isso é algo que só depende de nós. “Os outros” gostam e tem necessidade de serem constantemente motivados porque só aí conseguem o trampolim para aguentar mais algum tempo. Mas tudo isso será transitório… Zig Ziglar retrata isso na perfeição numa das suas mais conhecidas frases: “As pessoas costumam dizer que a motivação não dura sempre. Bem, nem o efeito do banho, por isso recomenda-se diariamente.” E todos sabemos que não existe motivação sem auto-motivação. E o pensamento deverá ser o de ser melhor a cada dia que passa. E quem melhor do que o profissional que fui ontem para comparar? Alguém só é bom quando comparado com alguém! Se procuram isso, comparem-se com vocês mesmos!

Como tal, devemos olhar para a nossa própria pessoa como uma marca e trabalhá-la para que a mesma seja reconhecida por tudo e por todos, não porque esse é o nosso objectivo mas como consequência de um propósito que definimos para nós mesmos e que está alinhada com a cultura da organização que representamos.

Seja um especialista! Pense e aja como tal! Assuma-se! Crie as suas próprias regras e jogue com elas! Não coloque nas mãos e opiniões dos outros o benefício da dúvida…

Ficam alguns pontos-chave para criar e cimentar ainda mais a sua marca:

Posicionamento emocional – Está directamente relacionado com a forma como as pessoas se lembrarão de si. Notem que a palavra é lembrarão e não recordarão. Recordar pressupõe passado e ninguém quer isso. Quais as emoções positivas que consigo despertar nos meus clientes? E nas pessoas com que trabalho? E no vizinho com quem me cruzo todos os dias no elevador? Se não encontrou uma resposta, esse pode ser o primeiro passo. Atenção personalizada nunca é investimento sem retorno.

Comunicação – Bons comunicadores são sempre vistos como referência. E comunicar deriva do latim comunicare que significa colocar em comum ou dividir alguma coisa com alguém. Bons comunicadores são invariavelmente excelentes a cultivar relações. E estes são os pilares base para qualquer profissional: ser especialista em comunicação e estabelecer relações. Como está a comunicar a sua marca?

Personalidade – Aquilo que hoje mais é valorizado é a confiança e a credibilidade que as marcas conseguem transmitir aos seus interlocutores. Construa a sua marca de forma autêntica e positiva. Já chega de termos pessoas ao nosso lado num dia de sol a lamentarem-se que amanhã vai chover.
Visibilidade – “À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta.” Dê a conhecer continuamente a sua marca para que seja recordada e referenciada por outros. “Os outros” preferem lamentar-se a trabalhar para algo que será sempre seu.

Distinção – Saia fora do trilho e expresse a sua marca de forma única para que se distinga das outras. Se nascemos originais, porquê morrer iguais?

Se trabalharmos diariamente estes pontos, invariavelmente o reconhecimento irá surgir não porque nós o tenhamos procurado mas por somos merecedores.


“No mundo dos negócios, todos são pagos com duas moedas: dinheiro e experiência. Agarre a experiência primeiro, o dinheiro virá depois.” – Harold Geneen


Uma última dica: se ao seu lado estiver um dos outros que se lamenta de só ser um número, fica a minha ajuda para a troca de presentes no Natal...

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