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Cristina Tereza Rebelo

Cristina Tereza Rebelo

Investigadora do CEL-CELCC com artigos publicados nas áreas da comunicação, TV local e marketing.

Doutorada em Comunicação pela Universidade de Vigo.


Professora Auxiliar do ISMAI.

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Palavras, para que vos quero…..

 

 

Grande parte da comunicação humana ocorre numa categoria onde a importância das palavras é apenas indireta. O não verbal deve ser visto como linguagem que deve ser compreendida em distintos espaços e não deve ser entendido apenas no sentido físico, mas particularmente psicossocial. Os estudos confirmam que o impacto de uma mensagem é:

7% verbal (palavras escritas)

38% vocal (voz, tom e inflexões)

55% não verbal (gestos e movimentos)

Cerca de 70% daquilo que o recetor percebe da mensagem é fornecido através do comportamento não verbal do emissor: a linguagem corporal ajustada confirma e acentua o que se diz, pelo que deve ser concordante com o conteúdo da mensagem. De uma forma geral, dentro do processo comunicativo o aspeto verbal serve para transmitir informação e o não verbal para estabelecer e manter relações interpessoais. Segundo Knapp, existem 7 dimensões dos sinais não verbais:

1- Cinésica: movimentos corporais - gestos, expressões faciais, olhar fixo, tempo e intensidade do olhar.

2- Paralinguagem: uso vocal, inflexões de voz, tom, intensidade do discurso, pausas.

3- Aparência física: apenas a manipulada, tal como roupas, penteado, maquiagem.

4- Proxémica: uso da distância interpessoal e normas de territorialidade. Manipulação do espaço- zona íntima (0,5m), zona pessoal (0,5- 1,20m), zona social          (1,20 -3,30m) e zona pública 3,5 a 7 m).

5- Tempo: uso do tempo como sistema de mensagens - pontualidade, tempo de espera, quantidade de tempo passado com o outro.

6- Artefatos e adornos: jóias, sapatos.

7- Contato físico: o toque nas suas variáveis - Casuais. Género sexual. Tipo de espaço.

Acrescentam-se ainda os comportamentos amigáveis que aparecem em rotura com o comportamento esperado.

 - Vestuário excêntrico, abraço demasiado expansivo, tratamento segunda pessoa singular

- “Tocar” inesperadamente a outra pessoa - É bem aceite quando seu autor goza estatuto forte. Caso contrário, é mal aceite...

- Perfumes - Discrição... Bem aceite. Significa “querer dizer algo”.embora o próprio possa perder a noção da intensidade (habituação).Perigo: significado de difícil domínio.

O não verbal garante assim, maior liberdade de fantasias e uma maior espontaneidade, enquanto que o verbal está associado ao controle. De facto, consegue-se controlar mais facilmente o impacto verbal da nossa comunicação; mais difícil se torna o manusear da comunicação não verbal que é mais polivalente em conteúdos de caráter emocional ou atitudional. Em consequência disto, a comunicação não verbal poderá ser determinante nas estratégias de resolução de conflitos, na persuasão e na regulação social.

 

 

TV LOCAL: A nostalgia da identidade no contexto "portoguês"

 

 

 

“ O universal é o local sem as paredes”

Miguel Torga

O objectivo deste artigo é apresentar, sucintamente, algumas conclusões do trabalho de investigação e Doutoramento em Comunicação sobre TV Local e a relevância e oportunidade destes projectos no país e especificamente, no Porto e região Norte.

1 – O re(situar) da lenda urbana - A maneira como as sociedades modernas têm vindo a evoluir, o impacto a nível individual e social bem como os tópicos de desenvolvimento que pretendem impor uma certa e determinada evolução às mesmas, foram fenómenos que suscitaram inúmeras reflexões acerca da identidade e do desenvolvimento bem como, e ainda com mais relevo, que instrumentos poderiam utilizar-se para a sua viabilização. Numa óptica nacional, o desafio que cumpre (re)situar o local impõe-se também pela aposta que se faz na comunicação e na possibilidade de agenciamento da região/local, vitalizando os meios e seleccionando aquele que melhor se assume enquanto agente de desenvolvimento. Os dados históricos ilustram claramente o processo de instrumentalização, a não representatividade e a lógica mercantilista que revestiu a televisão nacional que, documentadamente, muito pouco tem contribuído para a defesa do regional/local. Num âmbito muito sobrelevado pela globalização, torna-se essencial que seja reconhecido o papel da televisão de proximidade, capacitando-a para extrapolar as necessidades dos agentes e incentivando a cidadania, a proximidade, dotando o local de uma renovada imagem, viabilizada pela informação, afirmando-a e similarmente, promovendo a qualidade de vida num projecto identificador.

2 – Acção, expressão, “inscrição”-  Parte-se do princípio de que o reconhecimento da identidade é uma dimensão indispensável ao desenvolvimento – as identidades constroem defesas. O processo de geração de sentido, de inscrição, tal como o referia José Gil, é adoptado aqui como forma de contrariar as “consciências no nevoeiro”, a resignação e o imobilismo como forma de afirmação, significação e criação:[1] “ Inscrever significa pois, produzir real.” Há, portanto, um espaço a ser mais do que preenchido, a ser “inventado”, capaz de incorporar essa identidade; um meio de proximidade pode de facto, responder ao desafio da linguagem regional / local sendo o único ao qual se deve exigir a vocação orientada para esses interesses. Defendemos, assim a necessidade de o local, a comunidade, a região em sentido mais lato, dever ser “sujeito” de acção e enunciação. De facto, em Portugal ainda se assiste a um adormecimento da sociedade civil que urge contrariar; uma das formas de conseguir um empowerment do movimento cívico em relação aos temas locais é a proliferação de meios realmente vocacionados para tal desígnio. E neste sentido, compete questionar: Como pode uma região, uma comunidade, um local expressar-se se não existe um meio de comunicação social que divulgue com frequência, oportunidade e relevância questões e problemas relativos aos mesmos? Como pode uma região, um local, uma comunidade evidenciar as suas emergências, as suas aspirações à afirmação e projecção quando as instituições falham e o sistema não lhes dá voz, se não se cria um meio de comunicação social realmente capacitado em aglutinar os objectivos e interesses das mesmas e que chegue em efectivo, a todos os cidadãos, em termos de qualidade, entendimento e empatia? Estas questões, evidenciam a responsabilidade dos indivíduos, grupos, localidades e espaços motivados pelo desejo de referências e enraizamento e pelo interesse da expressão; atenda-se inclusivamente, ao interesse que estes projectos podem assumir enquanto desafio contra a interioridade.

3- O simbólico: o espaço físico e afectivo A concepção de identidade está relacionada com noções de cariz emotivo ou afectivo, agregando à mesma, questões confinantes como a cultura, a memória e a imagem. É a gestão da imagem da cidade e a forma como ela é percebida pelos cidadãos, tendo em conta que a imagem é um factor fundamental para a projecção e competitividade nacional e internacional da mesma, o que para nós adquiriu importância incorporar e perceber, o contexto por onde se estende e afirma a identidade de um espaço, gizando o âmbito onde se cria a personalidade do lugar, que traduzirá o elemento distintivo e a reputação real e imaginada. Resulta daqui a reflexão de que a comunidade ao mesmo tempo que é produtora de conteúdos, é altamente influenciada pelos media envolventes, originando-se os parâmetros de reciprocidade e proximidade entre comunidade/cidade/local e media. Nesta óptica, os media locais são os mais ajustados para a leitura dos elementos distintivos de um espaço, essencialmente do espaço em que se inserem, sendo este o principal móbil da sua existência. Os media, com este fim, exercem uma função mediadora entre os cidadãos e a cidade, passando a ser estratégicos para os agentes locais, pois incorporam a grandiosidade da cidade e moldam as representações acerca da sua metamorfose. Trata-se de alistar o local, a cidade, a comunidade. Com enormes vantagens, os media exercem uma função mediadora entre os cidadãos e a cidade, passando a ser estratégicos para os actores locais, pois enformam a grandiosidade da cidade e moldam as representações acerca da sua transformação. A noção de que um meio pode ser capaz de pensar os lugares, os territórios onde cada cultura nasce e onde se manifesta, é um dos motes de investimento e desenvolvimento destes projectos desligados dos grandes centros e dos conglomerados mediáticos.

4- Liberdade, proximidade e autonomia- Aliar a matriz formação, interesse de proximidade e alistamento, apenas pode ser concebível em projectos a partir da própria região/local. É essencial um espaço de liberdade, criatividade, proximidade e autonomia. E com isto, subentenda-se que, para que ocorra o que propomos se deve cumprir algo que diz respeito à mentalidade dos responsáveis políticos ou  protagonistas locais. Não é possível construir projectos em comum se houver dissonância de interesses e nada poderá gorar mais incisivamente um projecto, que tem afinal por base a comunicação, do que a não convergência, a desconfiança e a tendência para o absolutismo. Caso venha a concretizar-se uma participação a este nível, deverão os responsáveis políticos locais e regionais e/ou agentes de outra natureza, neste espaço comunicacional que se pretende de convergência, revogar discursos enviesados que apenas têm a particularidade do afastamento e exclusão quando o que se pretende é a reunião e cooperação de forças económicas, intelectuais e colectividades a nível geral. O rendimento político e elitista destes projectos é algo muito contestado posto que, a ressalva daquilo que pressupostamente estaria mais íntimo do conceito democracia fica aqui desvirtuado e sem força. A este receituário, adiciona-se o sentido para com o desenvolvimento da Região e seus cidadãos, partilhando este espaço com eles e não com interesses múltiplos e contraditórios.

O fenómeno da Regionalização (descentralização) parece-nos necessário e impulsionador; a acontecer, a descentralização abrirá novas oportunidades na fundação destes projectos, acautelados por uma política comunicacional esclarecida e fundamentada e um enquadramento jurídico adequado.

 

Em suma, desde as conclusões da Comissão de Reflexão sobre o Futuro da Televisão, que a sustentabilidade destes projectos é discutida. Ao abrigo da alegação económica se atribuiu à carência de mercado publicitário e à não existência de regiões, e ainda a contiguidade com os poderes locais e regionais, o não surgimento destes fenómenos, de forma expressiva, em Portugal. Mas serão estes considerandos válidos no panorama actual da comunicação? Um lugar onde se encontram os particularismos e as identidades singulares num mesmo espaço coexistente com o nivelamento global e onde brotam os motes de uma nova democracia oriunda da interactividade? Genericamente, a experiência tem evidenciado que os canais locais podem ser competitivos no mercado pela procura/oferta de conteúdos locais. O sustentáculo deste sucesso, parece advir do compromisso com as questões tradicional e tipicamente locais. Por outro lado, a sociedade dos dias de hoje, pelos resultados da imediatez, pela eleição do produto de massa simples de consumir e pela construção da vida hodierna onde o cidadão perde identidade, resulta vencida pela não – memória.

Os processos quotidianos fugazes impelem o individuo na procura do sentido quando rodeado de tantas e diversas formas de expressão e representação, ao mesmo tempo que procura uma união com o espaço que o rodeia. O local é um horizonte e uma meta onde o próprio desenvolvimento ganha evidência. A TV local parece portanto, ser consentânea em ceder algo de absoluto: a capacidade de descobrir e dar a reconhecer a comunidade bem como o informar sobre o que está a ocorrer na proximidade; no fundo, trata-se de criar uma narrativa local através do canal, que assuma o retrato da comunidade como protagonista principal e que essa particularidade seja perceptível e patente ao receptor, mesmo que de forma demarcada.


[1] José Gil, op. cit .p 48

O Potencial dos novos Media na Comunicação das Instituições de Ensino Superior

De um lado temos um fenómeno crescente de adesão, interactividade, partilha e tempo gasto no mundo online, que tem despertado a curiosidade e o interesse de muitas marcas e entidades, pelo seu potencial de contacto com os consumidores. Do outro lado temos um sector vital para o crescimento da sociedade – o Ensino Superior e as suas Instituições – mas que enfrenta enormes problemas de sustentabilidade, quer pela sua frágil capacidade financeira, quer pela insuficiente captação de alunos. Relação entre novos media e ensino superior Ao nos debruçarmos sobre estas duas realidades, procuramos entender porque podem estes novos serviços representar uma oportunidade de marketing e comunicação para as Instituições de Ensino Superior. Com base na figura 1 verifica-se que os estudantes-alvo das Instituições de Ensino Superior são também os principais utilizadores da Internet – jovens entre os 15 e 17 anos(92%), 18 e 24 anos (89,7%).

 

 

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Figura 1. Utilizadores da Internet – 2007 (www.marktest.com) A utilização da Internet pelos jovens é francamente maior em comparação com o conjunto de todos os utilizadores. Em 2006 (ver figura 2) foram 848 mil os jovens entre os 15 e os 24 anos que navegaram na Internet a partir de suas casas. Durante o mesmo período, estes jovens visualizaram um total de quase 15 mil milhões de páginas, uma média de 17 647, 135 horas e 46 minutos por utilizador.

 

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Figura 2. Ranking de domínios e páginas visitadas por jovens entre os 15 e 24 anos (www.marktest.com) Estes resultados apresentam vários novos media nos primeiros lugares, o que confirma a proximidade destes indivíduos com estes serviços. Para Antunes (2008, p. 3) parece que “para esta geração o contacto físico não tem a mesma importância que para as gerações mais velhas. Rapidamente trocam uma conversa de café por horas num chat, diante do computador”. Dionísio et al. (2009, p. 35) descrevem os jovens desta geração como: “indivíduos que têm à sua disposição um conjunto de recursos que lhes permite estar permanentemente em contacto com tudo e com todos, que lhes dá uma visão global do mundo, um mundo sem distâncias e onde as barreiras linguísticas são cada vez menores, onde a máxima "anytime, anywhere, anything" faz parte da sua realidade diária”. Outros estudos apontam ainda a Internet e os contactos pessoais como as principais fontes de informação dos jovens (Torres, 2004 e Magalhães, 2009) tendo inclusive uma forte influência nas suas decisões (Dionísio et al., 2009; Tapscott, 2008). Como se caracterizam e diferenciam os media sociais Para entendermos com clareza como explorar os novos media é fundamental caracterizar a sua natureza e funcionamento. Para Hartley (2004) media são qualquer meio pelo qual possam ser transmitidas mensagens (p. 168), pelo que a televisão, a Internet, os telemóveis, o cinema e um concerto podem ser identificados como tal. Os media sociais são serviços alojados na Internet que permitem, a qualquer utilizador, produzir, distribuir e consumir informação, num ambiente onde a transmissão de mensagens pode realizar-se em grande escala, sem qualquer controlo e reduzidos custos associados a essas actividades. Ao contrário dos tradicionais órgãos de comunicação social os media sociais não são controlados por nenhuma pessoa ou entidade e são os utilizadores que, efectivamente, decidem o que querem ver e difundir entre as suas redes de “amigos”. Reuben (2008, p. 1) considera que “os media sociais estão a redefinir como nós nos relacionamos uns com os outros enquanto humanos e enquanto humanos como nos relacionamos com as organizações que nos servem”1. A televisão, a imprensa e a rádio são meios com características muito distintas mas todos percebidos como media tradicionais. Com base num dos mais importantes princípios do marketing – a identificação do benefício que cada serviço gera para o utilizador – podemos considerar que os media sociais também se apresentam de forma diferenciada entre si. Plataformas de publicação Estas plataformas satisfazem a necessidade de expressão – escrevo logo existo – que está relacionada com a necessidade de expor ideias e convicções com os outros. Permitem a interacção com os utilizadores, pela forma de comentários e de outras aplicações instaladas (sondagens, votações, visualizações) que indicam aos autores o interesse dos seus leitores nos artigos que escrevem. Identificar e acompanhar plataformas com relevância para a Instituição e contribuir para o desenvolvimento dos conteúdos dos autores mais influentes, é um trabalho de assessoria completo e moderno. Plataformas de discussão Estas plataformas, também associadas ao conceito de fórum, permitem o debate e a troca de ideias, com base em perguntas e respostas entre os utilizadores, numa praça pública virtual. São inúmeras as plataformas que os estudantes utilizam para obter mais informações sobre determinado curso e/ou escola. Essas informações são normalmente fornecidas pelos actuais alunos desses cursos e instituições. Oportunidades que, aproveitadas pelas instituições, podem potenciar o contacto entre as duas partes, recolher as principais questões e dúvidas dos alunos aquando do acesso ao ensino superior e, como tal, melhorar os outros materiais informativos on-line e off-line. Plataformas de partilha O desejo de partilha é uma das principais motivações que explica a atractividade às plataformas de media sociais. Podem ser publicados e partilhados todo o tipo de ficheiros, como vídeos e imagens. O conceito de partilha destas plataformas é de tal forma profundo que transcende o espaço “físico” da própria plataforma, uma vez que comungam, na sua maioria, da possibilidade de facultar, a todos os utilizadores, a possibilidade de publicar esses elementos noutros lugares da web. Estas plataformas são excelentes oportunidades para responder a vários constrangimentos de um serviço que, não sendo palpável tem a dificuldade de materializar a sua proposta de valor. Assim é mais fácil atribuir uma forma tangível à instituição, através de vídeos sobre as instalações, exemplos de aulas, de eventos e vida académica, testemunhos de alunos e professores, etc. Plataformas de relacionamento A oportunidade de conhecer outras pessoas ou reforçar relações já existentes (familiares, amigos, colegas) é ampliada pelas plataformas de relacionamento. Os utilizadores criam um perfil mais completo, dando a conhecer as suas preferências (livros, programas de televisão, música, cinema), habilitações académicas, experiência profissional, etc. Estas plataformas são enormes fontes de pesquisa de informação sobre comportamentos, valores e estilos de vida – atributos essenciais para a melhor compreensão das necessidades dos estudantes. Porque representam também bons veículos de informação, pretende-se que as Instituições sejam capazes de criar perfis atractivos e actualizados, condições sine qua non para o sucesso neste ambiente. Plataformas de agregação de conteúdos Apesar dos motores de pesquisa utilizarem critérios próprios para apresentar os resultados procurados (em forma de listas e organizados por ordem de relevância), estes resultados podem ser influenciados, quando conhecidos alguns princípios – optimização de sites (search engine optimization – SEO). Já a utilidade das plataformas de  social bookmarking está na possibilidade de um utilizador poder agregar, num só local, e sob a sua própria taxonomia, informação do seu interesse. Por outro lado, pode ainda aceder aos favoritos de outros utilizadores e encontrar os conteúdos mais “populares” de cada tema – cenário muito relevante para o gabinete de informação de qualquer Instituição que pode aumentar o interesse e o acesso aos conteúdos que produz. Nota 1 - Tradução aplicada a Social media is redefining how we relate to each other as humans and how we as humans relate to the organizations that serve us. Referencias Bibliográficas Antunes, José (2008), Mundos virtuais, Porto Editora Dionísio, Pedro et al. (2009), b-Mercator, Dom Quixote Hartley, John (2004), Comunicação, estudos culturais e media, Quimera Magalhães, António et al. (2009), Avaliação nacional da satisfação dos estudantes do ensino superior, Centro de Investigação de Políticas de Ensino Superior Reuben, Rachel (2008), The use of social media in higher education for marketing and communications: a guide for professionals in higher education http://doteduguru.com/wp-content/uploads/2008/08/social-media-in-higher-education.pdf [consultado em Agosto, 2009] Tapscott, Don e Williams, Anthony (2008), Wikinomics, QUIDNOVI Torres, Maria (2004), Função do marketing em instituições de ensino superior, Dissertação de Mestrado, Universidade do Minho

Mediavisão: O mundo do eye am

A história da relação do homem com os média faz-nos refletir no tipo de civilização que estamos a construir e no modo com os meios nos moldam. Viajando até à Idade Média podemos perceber a questão de S. Tomás de Aquino para quem os grandes Mestres, que foram Sócrates e Cristo, não quiseram confiar os seus ensinamentos à escrita:

"Utrum Christus debuerit doctrinam suam scripto tradere?”

“… é natural que Cristo não tenha confiado os seus ensinamentos à escrita. Em primeiro lugar, em virtude da sua dignidade; porque, quanto mais o mestre é perfeito, mais a sua maneira de ensinar deve ser perfeita. E, por consequência, era conveniente que Cristo, que era o mais perfeito dos mestres, adoptasse o método de ensino pelo qual a sua doutrina seria impressa no coração dos seus auditores.”

A preocupação com a possível perda de significado foi a razão que motivou a defesa por Sócrates do diálogo falado relativamente à escrita (que, ironicamente, conhecemos dos textos de Platão): a escrita não permitia a resposta, a interação tão característica do diálogo.

A cultura mágica da audição cujo contexto presencial induz uma maior carga emocional caracteriza-se pela confiança nos sentidos humanos: a audição oral procura imagens e não conceitos. Neste universo do ouvido, onde a disseminação das ideias era feita oralmente, o homem tende a viver tanto quanto possível, no sagrado ou na proximidade de objetos consagrados. De facto, cada autor é também recetor.

A grande revolução aconteceu com a Galáxia Gutenberg, a qual reproduz por que a cultura do alfabeto predispõe o homem a dessacralizar o seu modo de ser.

A palavra impressa criou um mundo de movimento e isolamento: a portabilidade do livro contribui para o culto do individualismo e fechamento – o mundo do I AM.

A revolução de Gutenberg alterou profundamente as formas de produção, reprodução e de difusão da escrita modificando as práticas sociais e individuais de leitura e de escrita: modificou portanto, a literacia. Institui-se a difusão em massa e altera-se a condição dos que escrevem e dos que leem criando uma distância entre autor e leitor: o autor do texto impresso é a monumental figure e o leitor é apenas a visitor in the author´s cathedral. (Bolter, 1991, p.3) A tecnologia da impressão enformou a escrita e quando se lê, “fecham-se” os ouvidos : o mundo mágico da audição transforma-se no mundo neutro da visão.

De facto, um meio de comunicação determina o modo como vivemos, sentimos e pensamos: não vivemos da mesma forma com ou sem televisão, com ou sem escrita, com ou sem internet. A eletricidade marca definitivamente o predomínio do olho sobre o ouvido: deu-se espaço  à cultura do texto eletrónico.

O espaço físico e visual da escrita digital é o ecrã do computador.

Possibilita-se aqui a criação do hipertexto, o qual possui a dimensão e dinâmica que o leitor lhe der  o qual condiciona as relações entre escritor e leitor, escritor e texto e leitor e texto. É a era da aceleração, do início da instantaneidade e ubiquidade, do predomínio da retórica breve e da imaterialidade dos textos. O texto eletrónico é móvel, fugaz e impermanente.

Aproximamo-nos da forma de leitura e de escrita mais próxima do nosso próprio esquema mental. Recuperamos as propriedades do sistema de interação da oralidade, já que a eletricidade torna a distância insignificante.

Recuperamos também a imediaticidade: falar é publicar automaticamente.

Reduz-se a distância entre autor e leitor.

Recuperamos o som: o som, como a imagem, pode disseminar-se no espaço e preservar-se no tempo. Criamos redes/ movimentos sociais com indivíduos que partilham dos mesmos valores e sentimento de pertença: comunidades e tribos virtuais.

A modalidade de pensamento imagético, com ícones e imagens, relaciona-se com o pensamento mítico associado à tecnologia intelectual da oralidade.

Presenciamos e fazemos parte da cultura do EYE AM.

 

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