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Requisitos obrigatórios para ter sucesso na partilha!

Após ter sido publicado o artigo - A arte de Partilhar: Como se aproximar do seu público-alvo - , surgiram inúmeras interacções que me levaram à conclusão de que é  indispensável relembrar que para se ter sucesso na partilha, as Marcas devem integrar na sua identidade as seguintes características:

Isenção - Se apostamos, por exemplo, na partilha de opinião, devemos manter uma postura de isenção. Suponhamos que uma Marca de Hipermercados recorre a um profissional para analisar e partilhar com a população a sua opinião sobre os produtos gastronómicos que vende. Esse profissional tem que ter liberdade para ser isento. Se transmitir uma opinião demasiado influenciada, rapidamente deixará de ter interesse. Recorro novamente ao caso de Gary Vaynerchuk que através do seu programa partilha a sua opinião sobre os vinhos. Mesmo sendo um vendedor das Marcas que menciona, Gary fala mal dos vinhos que não gosta e bem dos que gosta (independentemente da Marca e do preço).

Transparência – Uma empresa que se expõe à partilha tem que ser transparente e não pode tentar enganar o consumidor. O conhecido “fake” da Sony mostra-nos como tudo se descobre. Não vale a pena fazermo-nos passar por aquilo que não somos e as nossas intenções devem ser do conhecimento de quem nos segue. Não devemos “esconder” os nossos interesses. Conheço alguns oradores internacionais na área da medicina que antes de qualquer conferência mostram a ligação que têm a laboratórios farmacêuticos. Esta atitude promove a transparência e evita confusões desnecessárias. A

bertura –Uma empresa que Partilha tem que estar disposta a ouvir opiniões e comentários de outras Marcas (empresariais ou pessoais). Está a expor a sua opinião, a sua visão ou a sua competência porém, há sempre quem pense de forma diferente ou tenha algo a acrescentar. A Marca tem que estar disponível para lidar com esta realidade que por vezes pode ser "dura". Marcas como a Dell ou a Starbucks têm conseguido criar novos produtos através da "abertura"  que transmitem aos seus  fiéis seguidores.

Dedicação – Não vale a pena partilhar sem continuidade. Ou se está apto e preparado para o fazer ou mais vale não assumir esse compromisso. O consumidor adora receber conteúdo interessante porém, torna-se exigente e não admite ser “desprezado” muito tempo. As Marcas devem-se preparar para dedicarem tempo à Partilha e à interacção. A adidas com o seu programa Micoach dedica-se a partilhar planos de treino para o seu público-alvo. A partir do momento que há utilizadores a recorrerem ao projecto para se manterem em forma, será muito mau para a Marca se não der continuidade ao serviço.

Paciência – Para Marcas que procuram resultados a curto prazo, certamente que a partilha não é a melhor decisão. Partilhar exige tempo, adaptação, integração e conhecimento relativamente ao mercado e ao comportamento do consumidor. Por vezes partilhamos algo que consideramos muito importante porém, para a nossa audiência não tem interesse nenhum como tal, a solução passa por procurar perceber o que é valorizado por quem nos segue. A partilha não traz resultados a curto prazo aliás, nem sabemos muito bem quando “dará frutos”. Tudo depende do nosso esforço e da aproximação que temos com o público-alvo. Não vale a pena começar a partilhar se a Marca não estiver formatada para lidar com a partilha, é uma questão cultural e organizacional. A Marca que decide desenvolver uma estratégia de Partilha saberá que tem que se relacionar para se aproximar do consumidor sem ficar obcecada com resultados financeiros no curto-prazo. Está a oferecer valor acrescentado que certamente se irá reflectir nas diferentes fases do funil de compra porém, as relações não se constroem da noite para o dia.

É fundamental estarmos focados nos resultados

Embora seja evidente que há um caminho a percorrer para alcançar resultados, eles devem ser planeados desde o inicio. O Marketing serve para gerar resultados (financeiros ou não) como tal, a previsão de resultados é fundamental em todo o processo. Não se esqueça que para partilhar é preciso saber: 1) com quem partilhar, 2) o que partilhar, 3) porque partilhar, 4) que canais utilizar e 5) como “medir” o impacto da partilha. Dito por outras palavras, precisamos de desenvolver e implementar uma estratégia de partilha. Finalizo com uma regra básica na arte de partilhar: “Se quer que os outros façam alguma coisa por si, não se esqueça de fazer alguma coisa pelos outros”. Boa partilha!

Paulo Morais

É atualmente responsável pela Follow Reference: Digital Health & E-business, onde tem desenvolvido grande parte do seu trabalho colaborando com Marcas de referência.

Mestre em Gestão de Marketing e pós-graduado em Direção de Marketing e Vendas pelo ISCTE.

Coordenador da Pós Graduação em Marketing Digital e Ebusiness da ANJE/UMINHOEXEC, docente na Pós-graduação em Marketing Digital e Comércio Eletrónico do ISVOUGA e Docente na Pós Graduação em Gestão de Marketing do IPAM.

Defende que só é possível acompanhar a dinâmica dos mercados se estivermos constantemente em “modo de partilha” razão pela qual criou o Marketing Portugal, um espaço de referência para partilha de conhecimento e debate de ideias sobre Marketing.

 

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