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Coaching Executivo

Os espanhóis têm uma máxima de que gosto muito: “falem de mim nem que seja mal, o importante é que falem”. O Coaching está na moda! Vários artigos sobre o tema estão a ser publicados em diversos meios de comunicação, o que é bom. No entanto, como “não há bela sem senão”, importa esclarecer alguns aspectos, porque anda para aí muita confusão sobre o assunto. A primeira e mais importante questão a esclarecer é a seguinte:

O que é o Coaching? O Coaching consiste num processo de acompanhamento à medida de cada pessoa, numa dinâmica de mudança facilitadora da definição e alcance de objectivos próprios e colectivos. O Coaching conduz ao êxito, à autonomia, à auto-realização e à performance. Partindo de um processo de auto-consciência, de estabelecimento de metas, de elaboração e colocação em prática de planos de acção, o Coach é um elemento facilitador que favorece uma dinâmica de transformação pessoal do Coachee focada no futuro, promotora da sua auto-estima e do desenvolvimento das suas capacidades pessoais e competências profissionais. O Coaching contém em si mesmo um processo de análise, de reflexão, de desafio e de operacionalização. Este processo potencia a escolha e leva à mudança efectiva.

O papel do Coach, contrariamente ao que muitas vezes se diz, não é o de treinador, mas sim o de facilitador. O Coach não ensina, o Coach facilita a obtenção ou reforço de auto-estima e de performance do seu Coachee. A palavra Coach vem de carruagem em inglês, significando: transportar voluntariamente uma pessoa de um lugar para outro. Esta analogia com a carruagem facilita a compreensão do que é efectivamente o Coaching. O processo desenvolve-se sempre focado no estabelecimento de metas pessoais e profissionais. Esta introdução ao Coaching decorre da necessidade de esclarecer algumas dúvidas. Enquanto Coach Profissional e Presidente da Associação Ibero-Americana de Coaching tenho a obrigação de contribuir para a dinamização, credibilização e credenciação de uma metodologia que efectivamente promove o desenvolvimento pessoal e profissional. O Coaching Executivo constitui-se como uma das áreas operacionais em que o Coaching está mais desenvolvido.

Não é por acaso que qualquer Executivo Americano que se preze, quer ver incluído no seu “package” de regalias empresariais, o acompanhamento por parte um Coach. As razões para o efeito prendem-se, normalmente, com o facto desses Executivos valorizarem a possibilidade de disporem na sua função de momentos exclusivos dedicados à reflexão, à tomada de consciência e ao estabelecimento de metas, os quais se tornam muito proveitosos com o apoio de um facilitador que os escutam activamente, que os desafiam e que os acompanham durante o processo. Ao longo da nossa carreira como Coach, temos constatado que, em boa verdade, a grande maioria dos decisores se sentem sós. Consideramos que são três as principais razões que determinam esta situação:

  • Por várias razões muitos Executivos lideram, frequentemente, “tribos de yes men”;
  • Muitos Executivos possuem um ascendente tão forte sobre a sua equipa que os membros da mesma se demitem de participar no processo de tomada de decisões;
  • Muitos Executivos estão sujeitos a dinâmicas de interesses ocultos (ex: lutas pelo poder).

Os actuais níveis de competitividade também contribuem para que muitas pessoas sintam a necessidade de disporem de momentos de reflexão conjunta e do apoio de alguém que os ajuda a auto-motivarem-se. Como alguém disse: “não podemos direccionar o vento, mas podemos ajustar as velas”. Através do Coaching um profissional “aprende” a definir metas pessoais com maior clareza e a desfrutar com a concretização das mesmas, o que lhe proporciona uma energia renovada e, consequentemente, o aumento a sua auto-estima. Através do Coaching os Executivos são capazes de se tornarem seres humanos mais conscientes do seu potencial, das suas reais competências e dos seus limites, reajustando-se de forma progressiva, muitas vezes saindo da sua zona de conforto, de modo a tornarem-se capazes de enfrentarem novos desafios.

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Como se operacionaliza o Coaching Executivo?

  • A primeira fase é a da tomada de consciência de que se precisa e de que se beneficia em se entrar num processo de Coaching. Um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento humano é a ausência de consciência de que se precisa de apoio. Dificilmente alguém muda se não quiser mudar. Um Coach que aceitar trabalhar com um Coachee a quem foi imposto dificilmente obterá resultados. O processo de Coaching só deve ser iniciado quando o Coachee conhece e valoriza as virtualidades do processo.
  • A segunda fase é a da selecção do Coach. Um Coach deve à partida possuir um pré requisito básico: gostar genuinamente de pessoas. Por outro lado, somos de opinião de que, apesar do Coaching ser uma metodologia transversal, quando se trata de Coaching Profissional a eficácia do processo ganha quando o Coach compreende o contexto profissional do seu Coachee. Para além disso é também necessária a existência ou criação de empatia entre Coach e Coachee. Recomendamos assim que qualquer processo de Coaching se inicie com uma reunião prévia entre Coach e Coachee de forma a avaliar os níveis de empatia entre as duas partes ou a forma de lá chegar. Na nossa actividade como Coachs já optámos por não nos envolvermos em determinadas dinâmicas por sentirmos que não estavam reunidas as condições para o sucesso do processo. A nossa forma de estar baseia-se numa ideia simples: quando um não quer, dois não brigam…
  • A terceira fase do processo é o “contrato”. O Coach deve definir com o Coach algumas regras de compromisso mútuo. Exemplos: calendário, duração e local das sessões, followup das sessões, etc.
  • Esclarecidos todos os aspectos prévios e informado o Coachee de que todo o processo de Coaching é um processo confidencial, pode-se avançar para a fase seguinte, que consiste no processo de análise do perfil pessoal e profissional do Coachee. A base de qualquer processo de Coaching consiste num processo de inquirição, ou seja, a ferramenta base do Coaching é a técnica das perguntas. Nesta fase é também importante perceber o grau de maturidade pessoal e profissional do Coachee. Qualquer tentativa de desafiar um Coachee para a assunção de metas sem um trabalho prévio de conhecimento do seu perfil pode ter consequências muito negativas.
  • Tendo promovido a recolha de informação relevante sobre o perfil do Coachee e considerando já estarem criadas as condições de confiança mútua necessárias ao processo de Coaching, inicia-se a quinta fase. A promoção da auto-consciência. Através de perguntas poderosas que incentivam a reflexão, o Coach favorece a identificação de Atitudes, Crenças, Valores, Estereótipos, Capacidades ou Competências do Coachee. No que diz respeito à capacidade de concretização profissional o Coach pode ajudar o Coachee a identificar diversas barreiras que o limitam no seu desempenho: medo; desinteresse; incompetência; relação custo/benefício. Uma das tarefas do Coach é assim ajudar o Coachee a “descobrir” qual é a barreira que impede o seu desenvolvimento e a focar-se nela.
  • Se até esta fase o papel do Coach foi essencialmente de facilitador e de apoiante na reflexão provocada pelas perguntas efectuadas, chegou então o momento do desafio. Existem vários métodos para “auxiliar” o Coach a mobilizar o Coachee para a mudança necessária, mas não recomendamos nenhum em particular. Achamos que os métodos todos são válidos quando são bem aplicados. Cada pessoa é um caso, devendo por isso o Coach ser capaz de utilizar o método e a linguagem que lhe pareçam mais adequados ao perfil, ao momento e à situação específica do seu Coachee. Esta é a fase do estabelecimento de metas do compromisso com as mesmas.
  • A última fase do processo é a fase do acompanhamento e do feedback. Um Coach deve não só ir proporcionando feedback regular ao seu Coachee, mas também conseguir que este obtenha feedback útil do seu contexto. Este feedback é fundamental para que a responsabilização do Coachee na prossecução das metas se mantenha e para que as mesmas sejam atingidas ou reajustadas.

Quanto tempo dura um processo de Coaching? Tudo depende, mas a nossa experiência prática em contexto de Coaching Executivo diz-nos que os primeiros resultados aparecem ao fim de três meses (dependendo do número de sessões) e que seis meses é um período de tempo adequado para que o Coachee se sinta confortável com o processo e usufrua das mais valias do mesmo.

Quem pode ser Coach? Infelizmente anda por aí muito “gato por lebre”. Um Coach deve ser alguém devidamente credenciado, com maturidade pessoal e profissional, com experiência efectiva de Coaching e com um currículo pessoal e profissional que atestem a sua capacidade de facilitador. Quanto dura e custa uma sessão de Coaching? Recomendamos que uma sessão de Coaching dure entre 90 e 120 minutos e que as sessões estejam distanciadas entre si por períodos no mínimo de uma semana. Um bom Coach ajuda a acontecer, um bom Coach é alguém muito credenciado, disponível e infelizmente raro, como tal deve ser bem remunerado. Actualmente uma sessão de Coaching Executivo em Portugal pode implicar um investimento entre os 200 e os 450 euros. Como digo muitas vezes aos meus clientes: a vida é feita de escolhas, se não está satisfeito, escolha outra vez”.

 

Artigo escrito por: João Catalão

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