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A importância do EcoDesign nas Empresas

O Ecodesign deu os seus primeiros passos por volta da década de 90, nos Estados Unidos da América. O contínuo desenvolvimento industrial e o aumento da poluição levou empresas e cientistas a tomarem medidas de prevenção, e na tentativa de criarem produtos com o mínimo impacto ambiental possível, foi criada a tendência Ecodesign. Está, associada ao conceito de sustentabilidade e reciclagem, tenta travar o índice de emissões poluentes para o ambiente e a redução da de matéria-prima utilizada. O Ecodesign ainda é pouco referido em Portugal e muitos nem sabem bem do que se trata. Afinal, no que consiste o seu conceito?

O aspecto mais marcante desta tendência é o facto de considerar todo o ciclo de vida do produto - desde a sua criação, ate ao seu fim de vida e reciclagem. Ou seja, todas as emissões e utilizações de matérias-primas são consideradas desde o início, tanto no que se refere à escolha do material a utilizar no objecto, como a própria fabricação do mesmo. Actua nos campos da Arquitectura, Engenharia e Design e os objectos originados são eficientes e ecológicos.

O design para a desmontagem, a qualidade e a durabilidade são factores essenciais para que um objecto seja bem sucedido neste campo. No entanto, não são objectos meramente decorativos, mas também utilitários, que podem ir deste uma peça de mobiliário a materiais de construção inovadores. E já no seu fim do ciclo de vida, são todos reaproveitados e reutilizados, tendo em consideração todo o impacto ambiental que daí advém. E perante a nossa sociedade actual e responsabilidade social, estão as empresas dispostas a investir e lançar produtos respeitando os critérios do Ecodesign? E os consumidores estarão prontos a aceitar estes serviços e produtos? Vivemos numa época em que são criadas cada vez mais necessidades de consumo, o que origina um aumento acelerado do mercado para conseguir satisfazer todas as necessidades consumistas, o que inevitavelmente contribui para altos consumos de energia e para um aumento do impacto ambiental, não só a nível de produção química, mas também no consumo excessivo de recursos.

Basicamente, esta é a principal da crise ambiental em que vivemos hoje e que nos afecta cada vez mais. E por isso mesmo a implementação de medidas sustentáveis como é o caso do Ecodesign, é urgente e necessário. Os consumidores vêem essas medidas como factor diferencial, fiável e respeitável por parte da empresa e da sociedade. Segundo o livro de Carolina Afonso, Green Target, “os consumidores com consciência ecológica elevada apresentam uma intenção média de compra de produtos verdes mais elevada”, o que revela uma grande aceitação dos consumidores e um interesse enorme em contribuir para um mundo mais “verde”.

Desta forma as empresas criam um novo factor competitivo e mais importante ainda, uma estratégia de marketing pessoal. A venda de produtos e serviços diferenciados da concorrência aliados a uma boa comunicação demonstra no mercado inovação e diferenciação. Entretanto, a credibilidade e confiança geram no consumidor vontade de compra e aquisição o que consolida a posição da empresa a médio e longo prazo. Porém não é apenas uma questão de venda. As empresas debatem-se cada vez mais com a responsabilidade social e as regras que a este nível lhe são aplicadas. Uma empresa que oferece produtos e serviços sustentáveis, demonstra a sua preocupação ambiental e interesse na preservação do planeta. E este é um factor tido em consideração pela maioria no momento em que decide se opta por uma empresa ou por outra. Claro que, apesar de todos os aspectos positivos, as empresas têm que ter em atenção o custo mais elevado que o conceito acarreta, mas devem também considerar a importância económica e social da implementação de medidas sustentáveis.

Assim, empresas e consumidores, contribuem para um papel socialmente mais responsável e, consequentemente, para a protecção do meio ambiente.

 

Artigo escrito por: Patrícia Galvão

Cena de Publicidade ou episódio do National Geographic?

Publicidade: A propósito do novo anúncio da SAPO

Ao contrário do mundo social construído, onde o desenvolvimento nas últimas décadas, associado à expansão do capitalismo, tem empurrado a sociedade para estágios superiores de individualismo, o mundo natural continua a ser fonte de exemplos de fenómenos de harmonia e colaboração. Um deles sempre me fascinou: a protocooperação. De forma simplista, traduz-se numa inter-relação de carácter não obrigatório entre dois organismos que produz benefícios para ambos. São exemplos, o crocodilo e o pássaro-palito que povoam as margens do Nilo. Na sua relação de cavalheiros, o crocodilo permite que o pássaro se passeie pelas suas mandíbulas e se alimente de restos de comida e de pequenos vermes armazenados nos seus dentes, como contrapartida pela eliminação dos parasitas. No final, ambos retiram proveito da relação harmónica que estabeleceram tacitamente.

Recordo-me, desde há muitos anos, de prestar atenção especial às páginas dos jornais e revistas sobre lançamento de novos produtos, à dinâmica das campanhas bem sucedidas, de apreciar as tácticas que as empresas usam para fidelizar clientes, que continuo a observar quando circulo pela cidade, visito lojas, aguardo, no cinema, pelo início de um filme, ou quando recebo, no smartphone, mensagens de propostas ou eventos. Com uma tendência particular para reflectir e acompanhar os temas do marketing e da publicidade, tenho verificado, desde há algum tempo, nas campanhas publicitárias que passam nos media, a existência de uma série de fenómenos que se assemelham à protocooperação, num estreito paralelismo com o mundo natural que lhe pode servir de inspiração. Esta realidade edificada pelo marketing voltou a confirmar-se na recente campanha televisiva da Sapo Music Box.

Fruto de uma fórmula mágica, misto de génio e esforço, os produtos da Apple quase sempre ultrapassaram aqueles que eram os seus objectivos intrínsecos, as finalidades com as quais nasceram, assumindo o estatuto de objectos de culto, autênticos indicadores de status e exclusividade, originadores de um massivo buzz. Assim, capitalizando do imaginário que se formou em redor desta marca, a Sapo através de uma estratégia de go-to--market eficaz e bem estruturada, decidiu utilizar nos seus spots publicitários referências visuais a três dos produtos mais icónicos da Apple: o Iphone, o Ipad e o MacBook. Não podemos considerá-las mensagens subliminares, é certo, já que são percebidas conscientemente pelos sentidos, mas a verdade é que estas são interpretadas e guardadas no subconsciente, resultando num factor adicional de influência na decisão de consumo.

Implicitamente, a Sapo terá como objectivo conseguir um incremento suplementar na procura do seu serviço, através da associação visual e compatibilidade deste com os gadgets da Apple. Em contrapartida a Apple, neste caso, de uma forma passiva, beneficia de publicidade gratuita, numa relação não obrigatória mas que se verifica proveitosa para ambas as partes. No mundo dos negócios as situações em que ambas as partes ganham são, habitualmente, apelidadas de “win win”.

Numa sociedade caracterizada pelo aumento da ferocidade na concorrência, pelo crescente número de marcas que se degladiam por um lugar no nosso imaginário e pela procura incessante de vantagens competitivas que permitam estar um passo à frente dos restantes players, não será de estranhar uma reorientação da estratégia de marketing das empresas na direcção destas relações importadas da natureza. Com alguma certeza, o futuro deverá passar pela evolução destas relações de protocooperação, para relações simbióticas mais planeadas onde o grau de intimidade entre as marcas será mais profundo, tornando estas relações de reciprocidade necessárias para a sua prosperidade e, em última instância, para a sua sobrevivência num mercado cada vez mais competitivo.

Um mutualismo produtor de sinergias porque gerador de relações mais eficientes e, no limite, mais felizes!

 

Artigo escrito por: Manuel Duarte Reis

Chegou o "Crowdfunding" a Portugal

O que é o crowdfunding? É um conceito surgido nos Estados Unidos e que visa financiar o desenvolvimento de projetos através do envolvimento dos seus potenciais clientes, fãs ou utilizadores. Basicamente ele potencia o recurso à Internet para reunir pessoas que se interessam por promover e financiar uma dada atividade ou evento, por isso é que também se chamam a estes investimentos de “investimentos colaborativos”.

Assim, a ideia é juntar uma grande massa de pessoas que, com entradas pequenas – que podem ter como contrapartida um bem que se pretende promover  -, estão dispostas a contribuir  de modo a permitir a realização desse negócio ou evento. Nos Estados Unidos este conceito tem tido particular sucesso junto das indústrias criativas (artes, espetáculos, edição), mas também em praticamente todas as áreas de negócio, havendo sites que se especializaram em determinados segmentos.

Em Portugal, dada a situação em que o país vive, o conceito de “crowdfunding” tem bastantes condições para ter sucesso, dada nomeadamente a escassez de meios que as pessoas podem encontrar para financiar os seus projetos e a sua rigidez. Acontece que este método de financiamento colaborativo é, ou pode ser, uma espécie de três em um: ele reúne recursos para os promotores, ajuda-os a divulgar o seu projeto (é no fundo uma ferramenta de marketing digital)  e, por fim, e não menos importante, pode ser uma importante fonte de interação com os potenciais fãs, já que existe um espaço onde as pessoas podem discutir e dar sugestões relativamente a cada conceito.

O que é preciso para começar? Nada mais do que uma ideia e a  determinação para a levar à prática. Depois é preciso ver que fundos ela precisa reunir e de que maneira se pode oferecer ao Mercado  - numa fase inicial aos potenciais fãs - algo que estes estejam dispostos a dar em troca do apoio que prestarem ao  produto ou serviço. Pode ser um adiantamento (parcial ou total) sobre a compra, um registo ou reserva em condições especiais, etc. Também pode acontecer que o projeto não consiga reunir no prazo fixado a verba necessária à sua realização;  se isso acontecer, e caso tenham sido feitos adiantamentos, os valores serão devolvidos pela plataforma ao cliente / investidor.

Como disse estas plataformas não funcionam todas da mesma forma e de momento só existe uma em Portugal, que introduziu alguma alterações ao modelo americano de modo a torná-la mais adaptada ao contexto português. Mas outras irão surgir e aí é apostar na que mais se adaptar ao projeto de cada um ou... em todas! A remuneração da plataforma que acolhe o projeto normalmente é composta por uma pequena “fee”  pela disponibilização do serviço e depois uma comissão sobre o valor que se conseguir angariar, no fim da sua efetivação. De qualquer maneira são sempre valores muito baixos e incomparavelmente mais baixos do que os obtidos pelos sistemas de crédito convencional (admitindo que ele estivesse disponível...) Por outro lado os bancos não divulgam os projetos, não colaboram no seu aperfeiçoamento e por aí fora.

Logo, esta é uma alternativa mesmo barata e a considerar para quem não quer ficar de braços cruzados nestes tempos de crise. Por isso: viva o crowdfunding!

 

Artigo escrito por: Miguel Costa

Como se aproximar do seu público-alvo antes da partilha?

As empresas estão constantemente à procura de comunicar com o seu público-alvo todavia, num mercado cada vez mais competitivo, estas iniciativas nem sempre surtem efeito. É um desafio diário para os profissionais de Marketing. É verdade que tudo mudou porém, embora o consumidor esteja mais exigente, acredito que ainda existem clientes fiéis aliás, mais fiéis do que nunca como tal, as Marcas devem ser capazes de se aproximar cada vez mais das pessoas (estamos a falar de pessoas e não de números!).

Os Mitos do Marketing

Este é o primeiro de uma série de artigos que efectuam uma abordagem sobre os conceitos de marketing e a sua aplicação ao contexto real das empresas e do mercado. Não se pretende com estes textos criar novos conceitos, nem tão pouco refutar aqueles que são apresentados nos manuais de marketing mas sim efectuar uma reflexão crítica sobre os mesmos, tendo por base a minha experiência profissional. Nesse sentido, todos são livres de discordar e/ou criticar e espero que possam igualmente partilhar algumas das vossas experiencias sobre a matéria.

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