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Marketing Interno com Jorge Remondes

O Marketing Interno é uma das áreas que deve preocupar todas as empresas, independentemente da sua dimensão como tal, fomos falar com Jorge Remondes que partilhou connosco o seu conhecimento sobre esta matéria.

Jorge Remondes é Investigador, Docente e Autor do livro Marketing Interno e Comunicação - O impacto da utilização das novas tecnologias nas PME's.

Redes Sociais aplicadas em Marketing Interno

 

As redes sociais existentes no mundo, como o facebook que tem o maior número de utilizadores, rede seguida pelo Google+, YouTube e Twitter, são omnipresentes na comunicação e cada vez mais familiares. No entanto, também existem redes sociais como a Yammer e a rede social Ning que permitem estabelecer uma comunicação interativa entre públicos internos nas empresas e instituições.

Desde o início do século XXI, as relações de trabalho têm sofrido grandes transformações decorrentes da utilização crescente de novas tecnologias de informação e comunicação. Principalmente por isso, as organizações que possuem colaboradores dispersos pelo país ou no estrangeiro, podem hoje unir-se para formar verdadeiras equipas globais através de intranets que cada vez mais se assemelham a redes socais, e de redes sociais internas propriamente ditas que permitem partilhar mensagens, ficheiros e inclusivamente manter conversações em direto. No entanto, existem ainda outras razões que justificam a utilização interna de redes sociais:

- A geração de ideias na perspetiva de inovação em processos, produtos ou serviços;

- A melhoria da eficácia da comunicação interna;

- O contribuir para uma estrutura mais aberta e interativa;

- A gestão documental;

- E a atração de jovens talentos.

Se levarmos em conta as afirmações de Luoma et al (2009), podemos mesmo dar por adquirido que as organizações já começaram a utilizar de forma significativa as redes sociais internamente. Contudo, como salvaguardam, e muito bem, Gratton e Gratton (2012), para quem criar e editar perfis ou páginas nas redes sociais, seja no interior das organizações ou para o exterior, é muito fácil, ter uma presença de nível superior requer muito esforço. Mas impedir a utilização de redes sociais é que parece cada vez mais inviável porque, como dizem também estes autores, nas organizações estamos tendencialmente confrontados com um processo de interação de grupos por meio de recursos tecnológicos como emails, blogs, microblogs e redes sociais em geral.

Lançada em 2008, a rede social Yammer, de que falei no início deste artigo, que agiliza a informação dentro das organizações tem mais de 5 milhões de utilizadores empresariais em todo o mundo. Trata-se de uma rede social privada que ajuda as equipas de trabalho a colaborar com o conteúdo, colocar questões, partilhar conhecimento com colegas, armazenar grandes arquivos, enviar documentos para espaços de trabalho de equipas e editar páginas em tempo real.

Com esta rede social também é possível estabelecer a conexão com clientes externos, fornecedores e parceiros de negócio, mas a colaboração entre colaboradores a nível interno, ligados a uma única plataforma é um fator crítico de sucesso relevante, algo que é possível integrando os serviços da rede social com os sistemas de informação existentes nas organizações.

Por outro lado, a rede social ning permite que todos os colaboradores falem através de grupos, fóruns, chats, partilhem imagens, opiniões, vídeos, e alimentem a emoção de interação. Esta rede social pode integrar-se com o facebook, Twitter e You Tube permitindo desenvolver uma comunicação viral. Outros recursos desta rede social são o streaming de vídeo e o email marketing.

Numa ótica de marketing interno a integração destas ou de outras soluções web com os sistemas de informação das organizações e outros media, como as televisões corporativas, melhor partido se poderá tirar das potencialidades das redes sociais internas ainda menos visíveis do que o facebook, Google +, YouTube ou Twitter, apesar de o facebook ter um potencial enorme para uma utilização interna eficaz: a criação e edição de grupos facebook para públicos internos, páginas onde a interação pode contribuir para aumentar a motivação.

Entretanto, de uma coisa podemos estar seguros: qualquer uma das tipologias de redes sociais enunciadas neste artigo contribui para minimizar barreiras à comunicação interna e flexibilizar estruturas organizacionais. Por isso, com mais ou menos visibilidade, já não há maneira de evitar o seu uso nas organizações até porque as novas gerações são digitais e exigem acesso a recursos tecnológicos e preferencialmente em mobilidade.

O ambiente interno das organizações é cada vez mais dinâmico e aquelas que conseguem interpretar e promover as redes sociais não só para o exterior mas também internamente, conseguirão certamente ter mais sucesso no futuro, uma vez que os colaboradores são os primeiros clientes a conquistar e fidelizar em qualquer organização, tenha ela ou não fins lucrativos.

Nos dias que correm é preciso aprender a saber gerir uma organização aberta com hierarquias mais flexíveis, e estabelecer formas de relacionamento entre os públicos internos e definir como é que se articula o mundo físico e o mundo virtual.

Para muitos, o uso de redes sociais nas empresas ainda é um problema, mas numa rede social interna podem ser simultaneamente todos surpreendidos por um colega que partilha a conclusão de uma ação antes do prazo previsto, ou por um colega do departamento comercial e de vendas que partilha o fecho de um negócio relevante contribuindo assim para a felicidade dos restantes, e isso é o melhor que pode ocorrer no domínio do Marketing Interno: os colaboradores construírem o sucesso de uma forma colaborativa e participativa, partilharem os êxitos alcançados e, com isso, entusiasmarem-se de uma forma autêntica e viral.

Pelos argumentos que desenvolvi de forma muito breve neste artigo, termino com uma questão:

- Porque é que as redes sociais também se aplicam em Marketing Interno?!

Adaptação de Conferência apresentada no III Congresso Ibérico Fenda Dixital 2012

 

Referências

 

Gratton, Sarah e Gratton, Dean (2012). De 0 a 100.000 social media para profesionales y pequeñas empresas. Madrid: ANAYA Multimédia.

Luoma, Satu et al (2009). Social Media – Knowledge Management 2.0. MSKE 2009 – Managing Services in the Knowledge Economy, pp. 307-315.

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